Música

sexta-feira, maio 18, 2012

Tempus Fugit



O tempo humano é pessoal e intransmissível...


A criatividade humana... rebento de flor de vida... precisa tempo, atenção e todo o deleite para que floresça a flor mais luminosa que este universo plantou...


Na esquina da rua, perto do passeio... entre os bordos rectilíneos: pensados para ser eficazes... uma pequena flor brotou onde toda a gente passa em velocidade endiabrada... mas - quem comanda a manada?


A campaínha toca - todas saem... a campaínha toca - todos entram... e quando parece que entramos em sintonia profunda com algo mais alto... há sempre um algo mais importante e mais urgente (para quê, para quem?) que motiva o afastamento da consciência do expandido, do belo, do extasiante... do transcendente...


Editamos leis que proibem o extase: programamos férias que permitam apenas o arejamento dos lugares de origem sujeitos à rotina que mata o novo...


E a flor.. a flor da berma da estrada germina... quase ninguém a vê... mas germina...


E - no templo - em plena catedral de santiago - entra um pássaro cantor e começa a anunciar primavera entre as sombras e as velas... como é possível tal coisa?


E - na multidão... dou por mim a sentir pensamentos e emoções em catadupa... tanto que não é só meu... tanto... serei novamente célula de um todo maior recebendo mensagens através da sua nova membrana celular - outrora dura e coesa e agora prestes a rebentar?


E o dia... tem tantas cores... tanta melodia... cada forma de ser uma aproximação do grande ser que vai dentro... em volta... daquilo que é...





As horas, com os seus sessenta segundos - mandam pautar atendimentos para um ser humano no espaço de tempo inventado, correspondente a 15 minutos.


Neste espaço virtual, devo acolher, ouvir, compreender e satisfazer as necessidades do ser humano bio-psico-social que me é apresentado... em 15 minutos senhoras e senhores...


Tivémos 15.000 BILIÕES de anos de história para que o Universo adquirisse uma forma pragmática - falante, pensante e muitas vezes rastejante face ao seu potencial - para que agora: no meu lugar de trabalho inventado, nos tempos pautados por contas e matemáticas - eu tenha de abraçar este ser - que não se encontra desligado nem de mim nem do todo - num espaço de tempo pautado - fruto do acordo tácito colectivo a que chamamos protocolo de consciência - para que possa ser "melhorado"... tudo isto no espaço de tempo que o sistema de gestão atribui à sua humanidade...


Algo não está bem...


A recta sobrepõe-se ao padrão ondulatório. O pentagrama procura conter a exapétala.. quando são duas realidades complementares e contingentes... cada uma ocupando o seu lugar...


A vida que sou manifesta-se em abrangência... é impossível de definir e muito menos de conter...


Senhoras, senhores - não existem sistemas isolados de energia - tudo é fluxo e interacção!


O calor que emano é o calor que recebes, o ar que respiras é o que vou respirar... as tuas emoções não me passam despercebidas, as minhas intenções pairam no ar... tudo é movimento...


Esta ode às rectas e aos quadradinhos é uma forma alegórica de saudar o seu fim...


Neste tempo que desponta, sentimos e vivenciamos com tal intensidade: realidade interna e externa na sua absoluta e maravilhosa magnificência... é impossível deixar de irradiar o que se é a anos luz de distância... e é impossível de ver tantas sementes de luz e vida vergadas pelo seu próprio esforço de se enquadrar num sistema fantasma - idealizado debaixo da interpretação errada das premissas cartesianas...


Descartes acreditava... ora vejam bem... ACREDITAVA!


E - procurando descartar efeitos, inventou uma escada (como a de Jacob por onde os anjos podem ir e vir a bel prazer) para ir subindo à procura da Causa.


Quando já não duvidasse, quando fosse transcendida a sua capacidade de definir, circunscrever, provar falacioso através da mente - tinha encontrado a causa subjacente, motor imóvel, princípio imanente...


Estão a ver a voltinha que isto deu na mentalidade das gentes modernas? Foi o "ataque" ao problema...
O método científico assim começa... o ataque ao problema...


Milhares de milhões de consciências a adorarem a força que está entravada... milhares de milhões de seres humanos condicionados desde a escola e reforçados pelos média para dar atenção - a sua energia vital - ao problema...


Glorifiquemos o problema, ergamos templos ao problema e altares para sacrificar diariamente sementes de luz ao seu obscuro plano de manter a humanidade presa na teia que esta força define para nós...


Todos os dias lavados com mais informação produzida e repetida como as cadeias de montagem de Henry ford ou a comida lixo que se nos dá nas fast food... o mesmo método o mesmo sistema nos níveis mental, emocional e físico...


O que é que isto tem a ver com a procura do centro imóvel, da causa ou daquilo que - em palavras occidentais seria definido como o "Divino", o estado de graça, o estar Uno no seu centro ou a santidade?


O que tem isto a ver com estar radiante, com despertar os dons que algo - aquilo que aqui nos pôs antes de que começássemos a pensar como esppécie - depositou no centro mais precioso do ser humano... o seu coração imaculado e a sua capacidade de vibrar electromagnéticamente mais do que muitas caixinhas de pilhas que prai se vendem em supermercados de ocasião...


O que alimentamos com a nossa visão torna-se real... É o real... o protocolo tácito de consciência que reforçamos em cada dia que passa quando dizemos sim e queríamos dizer não..


Não se fala aqui de revoltas - não é dizer não quando pedem para dizer sim.



Fala-se de expandir consciência, subir ao monte, ver do alto, ver com sentimento, integrar o outro e o que te rodeia para além dos limites aparentes que a pele e os teus pensamentos parecem impor...


É saber - que o que te compõe... aparece e desaparece assim... sem mais! A maçã que comeste deixa de ser conceito e passa a ser metabólito... tu e a maçã sois um...


O mesmo se passa com a informação à que te expões, os filmes e música que te deixas levar para casa e as pessoas com quem estás...


E - no fim - ainda tens um papel maior - ganhar consciência da qualificação que estás a dar ao tom de cada palavra (energia, vibração sonora) dos teus gestos mais básicos (luz que irradia) até dos cheiros (de novo radiação electromagnética) que não tem muitas fronteiras para se expandir...


Qual a estação de frequência que estamos a sintonizar neste momento? Para onde apontam os pensamentos que pairam no ar? Que nos diz a caixinha parva que sustentamos sobre os ombros?


Fala-nos de alegria, vida, flores que despontam numa primavera magistral?


Falam-nos da extraórdinária dimensão de cada um dos seres humanos que passaram a contramão... vimos a sua energia projectada no olhar, sentimos como nos estão a tocar... e fazemos de conta que não é nada?


Entre alguém na sala... vibra estática até no computador onde escrevo. 
A máquina de avaliação de tensões da erros seguidos... vou ignorar... são sincronismos...


Procuro sintonizar aquele irmão para que possa ver um pouco melhor nas opções que lhe são soberanas... ainda não estou parado e ele ainda não passou para o outro lado...


Despertares... com grande visão vêm novas responsabilidades...


Despertares... do pentagrama mágico que nos continha encontramos o falhanço na estrutura e olhamos para a hexapétala que se estende lá fora... expandimos consciência...


Talvez o teu mental já não é o que era... talvez já não mais preciso, rectilíneo, regular... pois expandiste o teu ser para além do seu plano e às vezes resulta complicado olhar para atrás...


Lot - tua mulher feita Sal...


Despertares... no tempo, no espaço, na forma de ver, sentir e abraçar o universo que somos e aquele que nos rodeia num todo interactivo, constantemente coeso...


Lembrar só uma coisa: o princípio da coerência é legítimo... se vibras a verdade do teu coração as cortinas do tempo e do mundo desdobram-se para te deixar passar. 


És acolhido no coração palpitante.


Por isso - se tu vais mais longe - parte de mim já está contigo também...


E - nas coisas mais simples... como respirar - pode haver tanta vida, tanto extase a encontrar...


Não é uma questão de shoppings ou poder, muito menos um "trigger" mental... é - simplesmente - a ousadia para SER... O Universo vai rejubilar... os outros... bem... logo se verá ;)



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