Música

quarta-feira, agosto 15, 2012

O lume que se ergue e o frio que rasteja

Já os vi tombar... já as vi cair...

Não há pena... nem glória...

Apenas um expirar vazio... um corpo que fica frio... no seu lugar uma lágrima... deixar de existir...

Já os vi tombar - vender sua alma numa cama...

Já os vi partir... anónimo guerreiro da vida em corredores esquecidos:
Brancos sepulcros dos seus gritos... retocados com o cheiro pulcro das mágoas consumadas...

Cânticos de ecos perdidos... memórias recolhidas entre silêncios e paredes brancas...

Lamentos contidos e lacrados em outros seres investidos de pulcras túnicas alvas
Recolhendo entre pó e vestígios os olhares esvaídos que outrora foram estrelas de fulgor em olhar inflamadas...

forças perdidas... outrora esperanças...

É bom dia para morrer!

Por uma causa... um sonho... uma loucura... uma coisa qualquer - simples fruto do teu querer... simplesmente porque SIM! Porque é teu esse poder - ninguém to deu - nasceu contigo e contigo tem de crescer!

Porque é bom viver!
Ainda que vozes sibilinas te façam duvidar, ainda que campanhas mesquinhas te queiram arrancar - o dom de sorrir, de vibrar, de sentir: a vida pura e simples com a que foste imbuído ao respirar;

É bom dia para lutar!
Por querer... por poder... por celebrar: a vida que se agita no peito, que move estes braços que dirige este querer! Foi assim que vieste ao mundo... foi assim que te fizeste nascer!

Há uma paz velada que ameaça com o nada toda chama de paixão... há uma voz fria, contida, gelada que vai trazendo até si os mil e um lumes que ardem no coração Português...

Uma serpente fria que se enrosca no coração que proclama, uma adaga fria cravando-se na viva chama que reclama: vida é para se viver!...

Sedução mordaz, sortilégio capaz de cauterizar a semente vital que nos faz ser... querer... poder!

Medo que se antecipa, peste que emancipa rebentos de morte plantados no dia no que se deu a nascer...

Rugir de Dragão que se invoca - para cerrar a boca de viperina sibilância - entre os corredores obscurecidos de uma vida que se esvai;

 Grito singelo: de coração guerreiro, erguendo-se sobre despojos humanos feitos de medos e receios - reclamando pela vida na que se pretende ser mais:

Humano ou vazio, sangue vivo ou fluxo mansino... quem és tu que lês, que és tu que te revês naquilo que te dão a comer?

A vítima expectante, o rato que se encolhe enquanto a víbora se expande ou o dragão que abre asas e com sua chama queima a praga deste medo que nos congela a vontade, nos tolda a verdade e se vai instalando no sangue até deixar veneno vermelho em vez da herança viva dos nossos egrégios avós?

Hoje é um bom dia para morrer... sem este risco presente e assumido ninguém vive... tudo  marcha sem se aperceber... caminho a perecer...

Corredores frios... ecos vazios... passos que se arrastam... aromas estéreis... clamores débeis de fios de luz que se desgarram...

É assim que queres viver?
Posso garantir - homem ou mulher - que esse corredor esquecido: sem nome, calor ou amigo - é o prémio da tua servil submissão;

Já lá estive tantas vezes - achas que não?

Sabendo isto questiono - que mais será necessário - que triste e oco ossário, terás de viver uma e outra vez para despertar?

Quanto mais suplício vais querer para te lembrares da tua vista erguer, desse corpo frio e hirto da enxerga levantar?

Par uma brisa que é sempre Tua; para um Sol e uma vida que se perpetuam: para tudo o que sem preço em ti suspira - uma praia, um sorriso, uma conquista... simplesmente por te apetecer?

Porque assim manda o teu querer...

Antes de que chegue a tua hora: de ir para onde todos vamos - lembra que este momento é teu para sempre... que farás dele - dragão ou serpente?


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