Música

domingo, agosto 19, 2012

Canto aos jardins Prohibidos


Os tempos e as máscaras... as "persona" exigem que paremos; condicionam e controlam o coração inflamado - que nada mais pretende do que se entregar em linhas, palavras - seu fado... numa dança interminável de espirais entrelaçadas... que una mãos... e sonhos e esperanças num fluir novo... rio de estrelas que marque caminho para o local mais belo deste hemisfério distante...

Mentiram as vozes ao afirmar a terra esférica - esférica é a ânsia contida que espera a sua saída do coração humano. Êxodo verdadeiro esperando um pioneiro para estilhaçar vidraças...

Esse mundo ainda está por descobrir - não te deixes esmorecer - tu que estás a despertar e a ver...

Mais do que as linguas que separam, do que os géneros que nos fazem ver o mundo por outros olhos... espelhos dignos que nos reflectem de outras formas...

Mais do que as palavras que se entrelaçam e que - nas definições nos espaçam - por reduzir essa essência que rodopia e que a vida pretende muito mais viva!...

Tenho distribuído dons... de forma patética - admito;

No último caminho de santiago tirei tantas fotografias... queria partilhá-las de seguida - para que muitos vissem e se apaixonassem... e caminhassem para ver, reconhecer e vibrar ,mais amor do que aquele já é seu na sua vida de paz... e dor...

Curioso foi o pagar a conta do roaming - mas isso é um mal menor - estou aqui para viver e para esmorecer cantando...

Como dizia uma frase bela à saída do ginásio onde tanto amei a arte marcial "Polvo seremos: pero Polvo enamorado"...

Em cadasorriso de criança apetece tecer um poema... em cada por de sol ou passeio pela areia - entre vagas que se enrolam nos pés descalços...

Entre cada mão que se dá e se entrega - sem saber quem agarra e quem se deixa... em cada abraço no que o coração palpita no centro do peito e se faz um por ser um a tempo inteiro... coisas bizarras... pequenas... tão simples - e por vezes tão deixadas de parte - traduzindo verdades imemoriais - que nem Jung e arquétipo, nem livro sagrado ou toráh poderá algum dia conter nas suas palavras firmes e seus bloques de vida pagã...

Palavras vida - me dizia alguém um dia ... primeiro elogio verdadeiro que me preencheu por inteiro vindo de um ser que é dança pura, fogo vivo quando circula pela sala preenchida de seres que querem amar...

Cada um de nós uma nota, cada um uma cadência dessa harmonia universal que se espera e não começa mas que já se está a ensaiar...

Palavras de vida!... é isso ao que este ser aspira - a ver o Sol por e relatar o seu renascer... olhando Lucifer e entender que porta a luz de ponta a ponta do obscuro para que a luz se não extinga do coração e olhar Mortal.... por isso lhe chamamos Vénus... ambas as estrelas o mesmo círculo a se complementar e que apenas os conceitos entravam aquilo que a vida pretende unificar...

Que as palavras nos telefones podem ser para animar, para motivar e encantar...

Que há gente - como eu - que se sentou numa tarde de Inverno - quatro anos ternos - a compor uma poesia à chuva...

Como aprendera a escrever - não o sei. Compus e escrevi o que "ouvi" até que - por milagre - os raios de sol começaram a raiar...

A partir dai escrevi... como se a palavra fosse mais eu do que o braço ou a perna... pois basta sentar numa mesa e deixar que flua e saia e dance em sintonias várias no coração da mente que desperta para o ser singular...

Por isso me espanta - que palavras de vida, que sonhos, que poesias... simplesmente se esvaiam... como gotas de chuva numa vidraça fechada.... em tarde de Inverno na que o calor está dentro e a chuva parece vazia para quem a não sabe sentir... e ouvir...

Pois sua melodia intensa - trespassa a alma densa - e faz o coração latir... melancolia...

Tal como o pássaro Primaveril luz e vida anuncia e Vivaldi nos faz sentir água em chuva fina e pássaro que canta e alucina num entramado de cordas pregadas num pedaço de madeira curtido ao sol... que um certo humano desperta e transforma em vida, arte e Amor...

Mistério avassalador!!!

Quem comanda a dança meu irmão? quam faz do ponto e da linha a ilusão... da arte, da vida e do coração?

Ou visto desde outra perspectiva - será a verdade o que vê a mente definida ou será mentira o que compõe a luz singular que se vê com o sentir maior?

Aqui fica o pedido de desculpa - por plantar flores em jardins alheios - pensando que de flores estão todos cheios e que apenas necessitam uma ou outra mais garrida - tal como este coração aspira - para ser jardins melhores... verdadeiros jardins de flores... de vida... antes que a vida se esvaia sem deixar uma única palavra que fale de ti... de mim... de nós...

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