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domingo, janeiro 10, 2021

Ave Fénix

 


Entregar-se

Nessa paixão que arde

Nesse frenesim inquieto

Nesse algo mais que seleto

Que nos eleva o peito

E nos levanta o alento

E acende o olhar

 

Nesse algo

Indiscreto

Esse fogo secreto

Que nos permeia

por dentro

se ateia

estremece

O tempo e o lugar

No que se estava

a viver…

a passar…

 

Assim sedento

A se avivar

Água no lume

Que se some

Nessa névoa

que nos consome

Para se poder entregar

 

E nesse intento desmesurado

Nesse portento que nos é dado

A se lançar

Nesse infinito

opaco

Baço

e chato

 

que mora na rotina vazia

Desse dia que nos confina

 

Assim nos pretende entregar

E essa luzinha

Essa ave que não definha

E nasce no cinza mais cinzento

E prende lume ao momento

E dá dimensão ao lugar

 

Ao estar-se atento

Ao querer divagar

Poisar devagar

 

o olhar

Em alguém

Não sabemos quem

E nos põe a pensar

Nesse algo a passar

Nesse inciso incidente

Que rasga o coração da gente

E nos põe de alegria a sangrar

 

Essa melodia que se pode levar

No sentimento

Nessa palavra de alento

Nesse elemento secreto

Na harmonia do tempo

 

Suspenso

 

Diluído entre a bruma e o vento

Que nos arrastam sem cessar

 

dos labirintos de emoção

Ao alucinar da razão

No desatino mais pristino

Dessa composição

 

Do ser sereno

Calmo e ameno

Que desata assim

confusão

Paixão e moção

 

E desse coração

ressequido

Pelo maior desatino

Volta assim a insuflar

 

Esse sopro divino

Esse algo ardido

E nessa cinza

Renascido

Para poder voltar

 a voar

e quem sabe

Se rimar

Por ventura

S a ber

 A

M a r

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