Música

terça-feira, outubro 26, 2010

Des-Humanidades



O que fazer quando sinto que não sou o centro da minha existência?

O que fazer quando o Universo gira rápido demais e o centro deixa de estar no coração para estar na mente?

Parar…

Há quem teime em acelerar – porque assim se resolvem as coisas…

Há quem deseje ir mais longe, arriscar mais, dar mais o litro, esticar mais a manteiga sobre o pão…

E depois há quem precise parar…

No fundo – as prioridades – são sempre as mesmas… a mesma que estava lá no início…

Antes de que houvessem horários assassinos, tarefas idiotas, prostituição das horas e dos tempos em prol de um melhor leitor de C.D, de uma educação musical mais elaborada para o filhote ou um verniz mais elaborado para a unha postiça…
Antes de tudo isto haviam dois seres humanos que se abraçaram, e tudo o resto foi concebido para que esse abraço permaneça eterno…

As prioridades, para ESTE olhar sobre o mundo, são os seres humanos e o seu coração…

Quando as prioridades não existem, vivo para um mundo de arbitrariedades…

No fundo – quando não se sabe para onde se vai – todos os caminhos são bons…


Roçamos o nihilismo e - da fase da revolta - passamos para o cordeirismo servil, para a alienação de ideias novas que modifiquem a estrutura ou para uma estrutura que dê mais e peça menos…

À falta de um abraço (sim, um abraço de uma hora por dia, terminava com todas as asneiras das linhas acima, além de encerrar metade das instituições psiquiátricas do país, dois terços das prisões, três quartos das unidades de internamento oncológico e a totalidade dos cargos de chefia que actualmente gravitam no país das gestões dos tempos, dinheiros e vidas humanas quantificáveis)…
À falta de um abraço - temos a ilusão mental do mesmo – através de filmes, livros, novelas e imaginações fugazes de encontros de ponta que descarregam hormonas em catadupa – para depois manter as mesmas asneiras suicidas em cada passo que damos na vida… ao agarrar o telemóvel em vez da pessoa, ao conduzir-se carros como animais perigosos entre a selva citadina, na reactividade hostil quando não nos satisfazem as prioridades…

No fundo – civilizar implica desumanizar e – neste processo – a tortura pode ser mais ou menos evidente – ainda que termine - na esmagadora maioria dos casos - na construção de um casulo sólido e cinzento – no que outrora habitou um ser vivo palpitante de luz, cor e energia.

Bem-vindos ao momento, à aparência, ao compre agora pague depois, ao use e abuse sem pensar na consequência, ao consuma agora pois todos são famosos, estrelas e heróis do seu próprio filme…


Bem vindos à terra do nunca…

A ver quem é o cavaleiro que desanca o engano e traz o cálice da verdade…

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