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sexta-feira, novembro 27, 2020

chegando a casa - promessa desse ser que não passa




a quem interessa

se pensar depressa

e num poema qualquer

disser algo semelhante

uma frase inquietante

que nos ponha a reconhecer


um segundo perdido, uma palavra de um velho amigo

assim deixada para atrás, um momento sem idade

sem estar sedento na cidade, desse licor de humanidade

que se bebia campos afora, que se perdia ao se ir embora

e que ainda flui qual coisa sem se ver, 

qual um algo a adquirir sem se deter:


a pensar, que tempo é qualidade

que a vida tem vontade

e que humanidade traz verdade

se não se mentir pelo que se faz


encontrar recantos sem estarem vedados

olhar nos olhos sem estarmos fardados

a representar, palavras desta oficialidade

em nome da profissionalidade

nos levando longe demais...


uns dos outros, sempre outros sempre a desconhecer

e ver o rosto ferido, desse ser que também digo

esse que vai aonde nada maia há


quando o ser querido era simples

viemos para voltar a encontrar

o tempo para se ter tempo 

para se saudar e ser saudado

olhar nos olhos sem mais cuidado, 

e erguer a mão... para acariciar:


veredas sonhadas faces mostradas e sempre algo novo a se comentar

que nós sendo pequenos, contávamos tantos segredos que até os devanceiros

que eram dos últimos os primeiros, ficavam com sede no olhar a arder


desse reconhecimento, que se ganhava sem querer

desse ser simples por dentro, criança a renascer;


e não mais ser fábricas ambulantes, produzindo por instantes

produtos sem mais, que ser humanidade era ser em verdade

para todo o ser que, em comunidade, encontrava a felicidade

no simples, ainda plantada, estava a semente da virtude sem jamais ser semeada

apenas seres simples, sem mais tantas penas deixadas, asas de sonho espelhadas

ao ver nascer o sol, ao sentir o rouxinol a voltar a cantar, ao ver a luz de uma candeia

a cintilar, mil e uma estrelas acesas nesse lugar a nos inspirar, e nessas risadas singelas

que transpareciam cortinas e janelas e chegavam às ruas sempre cheias, desse algo a passar


umas vezes um rosto de amizade, umas outras um ser sem idade, 

outras tantas, tantas e tantas vontades!...

à volta da fogueira sem sequer imaginar 


que o calor dessa verdade 

fosse tão simples de se acender 

e no peito amigo voltar a pegar


espera! dança comigo

nessa melodia que já não sigo

por estar sempre a correr!...


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