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sexta-feira, janeiro 25, 2008

Quando caio



E que acontece quando caio?

Que acontece quando falho, quando não consigo chegar mais longe, quando sinto que a história da infalibilidade do poder humano cai por terra?

De certo que se pensa em recobrar o ânimo, reconhecer as limitações próprias e alheias, procurar paz e segurança junto de algo ou alguém que sejam fortes o suficiente para me amparar na própria queda.

Quando se sente que as forças são poucas e a inspiração não consegue penetrar o véu de desesperança que me rodeia, então apela-se a mais qualquer coisa – a algo transcendente, se o houver.

Bem, fica um vídeo que questiona o que acontece quando caímos.

DCTalk - What if I stumble

Até Deus caiu sete vezes e teve alguém que ajudou a carregar a cruz.

Tenhamos nós forças para nos levantar, não sete mas setenta vezes sete e sempre alguém para nos ajudar a levantar o peso quando o peso esmaga e não se vê saída.

Abraço

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Coisas de Amigos


Um amigo Católico mandou-me este texto que achei bastante interessante:
DEFICIÊNCIAS de Mário Quintana :

'Deficiente' é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

'Louco' é quem não procura ser feliz com o que possui .

'Cego' é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

'Surdo' é aquela que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

'Mudo' é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

'Paralítico' é quem não consegue andar na direcção daqueles que precisam de sua ajuda.

'Diabético' é quem não consegue ser doce.

'Anão' é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:

A amizade é um amor que nunca morre.
Depois deste texto, o link para um evento de um amigo Evangelista:
Porque religiosidade é dar as mãos e, com o coração, elevá-las ao alto.
Abraço

domingo, janeiro 20, 2008

Caminhando

Lembro no caminho de Santiago, quando chegava um monte – como o “Alto del Perdón” ou o Cebreiro – o caminhar tornava-se vagaroso, o rosto contorcido pelo esgar de esforço, as gotas de suor começando a aflorar na pele.

Nesses momentos, baixava o olhar até apenas ver a ponta das minhas botas, sem me assustar com o que ainda faltava de encosta. Empurrava o corpo algo para a frente para suportar melhor o peso da mochila e caminhava em passos curtos, sem esticar muito as pernas.

Com humildade ia-se subindo. Com perseverança – pequeno passo a pequeno passo. Nada de festivo nem espalhafatoso – apenas um bamboar suave de lado a lado, o som da respiração pesada e a concentração da tarefa a realizar.

Subir na encosta da vida poderá parecer semelhante. Quando caímos há que voltar a subir – com passos pequenos e olhar posto na ponta das botas.

Assim me parece agora o caminhar…

terça-feira, janeiro 15, 2008

Quem sou eu?


Quando nos interrogamos sobre "Quem sou eu?", algo nas nossas vidas está a pedir atenção; algo está a bulir cá dentro de tal forma que nos desloca da corrida da vida diária e nos põe face a face com aquilo que fazemos, dizemos e pensamos…

Quando assim confrontados, só podemos ir ao coração e lá nos demorar.
Todas as respostas que a mente possa idealizar se tornam insuficientes ou mesmo vazias.
Todas as conquistas relativizáveis e as glórias passadas momentos efémeros que não nos alimentam no presente.

Uma música para meditar em “Quem sou?” à luz da fé.


segunda-feira, janeiro 14, 2008

Caminhos

Quando ajudas alguém que o necessita – não sentes alegria?

Quando dás – não te sentes liberto?

Quando és parte de algo maior que tu mesmo – não te sentes útil?

Há muitas maneiras de “escapismo” que levam à solidão e à ilusão de liberdade.

Existem no entanto outros caminhos que nos levam ao encontro do próximo, à dádiva de nós mesmos.

A opção é sempre nossa; ainda que não seja fácil de discernir, de certo que existe um caminho que leva ao coração, para cada um de nós.

Abraço.

domingo, janeiro 13, 2008

Caminhando com Amigos

Há amigos que nos acompanham dia a dia; estando perto ouvem as nossas queixas e triunfos, deles fazendo parte. É neles que se procura apoio, quando parece que as pernas esmorecem e se vai deixando de caminhar.

Há amigos perto do coração, mas longe na distância. São eles como uma luz de farol distante, iluminando a costa para que não se perca o rumo do caminhar.

Há um amigo dentro do coração, acessível em qualquer momento. Esse amigo está lá nas horas mais intensas, quando o fardo parece maior. Está lá quando os outros amigos não estão – pois nem sempre se pode apoiar nos ombros de quem nos é querido.

Um amigo ao que se fala no escuro e silêncio do nosso quarto. Alguém que está lá para dar conforto às mágoas mais profundas e que recebe as alegrias com carinho quase maternal.

Para os Cristãos esse amigo é Cristo.

Bem haja aos que mantêm caminho entre a incerteza e a sombra.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Simples

Hoje foi um dia bom porque foi um dia simples.

Uma simples carta a um amigo que está longe;

Uma simples conversa com uma amiga que já não via faz algum tempo;

Um simples gesto para fazer sorrir a minha mãe;

Um simples quarto de hora à beira do mar;

Que possa concentrar-me nos momentos simples, com eles aprendendo a ser simples.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Oração


Na maré que empurra o barco na noite, uma oração tem a força viva de um farol que aponta o rumo e avisa das pedras da costa traiçoeira.

Aos passos cansados carregando o madeiro da vida, a água viva dos amigos da alma aligeira o caminhar.
Dos ecos errantes entre moradas vazias, uma vela acesa reacende a esperança e afasta o pesar.

O Homem do Leme


Para aqueles de entre nós que encontram luz por entre as sombras e coragem para guiar seu barco a bom porto entre o mar da vida em tempestade.

Uma música maravilhosa dos Xutos:

Sozinho na noite
um barco ruma
para onde vai.
Uma luz no escuro
brilha a direito
ofusca as demais.

E mais que uma onda,
mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo
impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade,
rompendo a saudade,
vai quem já nada teme,
vai o homem do leme...

E uma vontade de rir
nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir,
correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

No fundo do mar
jazem os outros,
os que lá ficaram.
Em dias cinzentos
descanso eterno lá encontraram.

E mais que uma onda,
mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo,
impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade,
rompendo a saudade,
vai quem já nada teme,
vai o homem do leme...

E uma vontade de rir
nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir,
correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

No fundo horizonte
sopra o murmúrio
para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro,
é tarde demais...

E uma vontade de rir
nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir,
correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder

domingo, janeiro 06, 2008

Caminhar


Quando parece não haver mais caminho em frente, é confiando nos passos que até aqui nos trouxeram, que se faz caminho… e caminho novo.

Chega-se a um certo dia e os dias parecem iguais, como se algures me tivesse enganado num qualquer cruzamento da vida e tivesse vindo parar enfrente a um muro enorme, sem portas nem janelas.

Nesses momentos, só crendo que a vida tem um sentido (e que também os muros imbatíveis fazem parte dele) é que se pode avançar.

Talvez já não se vá em frente, é certo.

Talvez apenas se contorne um muro sem fim, mas será esse sentido encoberto o que promete algum futuro ao meu caminhar.

Por isso, confie-se na vida e no seu sentido.

Conserve-se a confiança no sentido da nossa peregrinação nestas terras. Pode ser que ainda se encontre muita coisa boa de se viver e alguns momentos que enriqueçam o íntimo do caminhante.

Abraço para quem lê.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Paz



Quando olho os sorrisos das crianças ao colo dos seus pais, quando vejo as mãos entrelaçadas daqueles que se amam…


Quando vejo as famílias que se encontram e se unem no Natal, quando os amigos se sentam à mesa do café num dia de chuva…


Quando um sorriso se acende por um gesto de carinho e, quando se caminhava nas sombras, uma mensagem num ecrã de telemóvel desperta a esperança …


Quando há alguém com quem se pode contar, mesmo que tudo em redor pareça ruir…


Há muitos inimigos da esperança hoje em dia.


Mas os aliados, esses são aquele tesouro que convém cultivar.


Um feliz 2008, com saúde para poder desfrutar a paz e amor de se estar com os que são prezados ao coração.

quarta-feira, maio 23, 2007

Sinais dos Tempos

Passeando pelas ruas de Tuy, encontrei este cartaz:


A caminho do meu trabalho encontrei esta casa:


Formas de ver o mundo com humor...

domingo, maio 06, 2007

Se eu fosse voar…


Se eu voasse, diria às árvores que as suas raízes as prendem… mas não voo, nem sou anjo, nem tenho halo nem asas, nem o meu pensar e sentir se encontra isento de humanidade…

Se eu fosse rocha, diria às gaivotas que as suas asas as arrastam para nenhures… mas nem sou duro, nem sólido nem sou pertença de nada ou ninguém e a minha alma não se encontra isenta de saudades da sua casa…

No entanto, olho as árvores e vejo como voam…
Como – tendo as raízes na terra – elevam os seus ramos aos céus…

Sinto dignidade ao estar protegido baixo os seus ramos, ao sentir a solidez do seu tronco… gostava de ser árvore: com raízes na terra e folhas nos céus; com um tronco sólido e firme que ligasse ambos…

Se eu fosse árvore – voava…

domingo, abril 15, 2007

Segundos de Vida


Tenho apenas uns segundos de vida… que fazer?

Cheirar o ar da noite e sentir esta serena humidade envolta num silêncio de paz…

Passear com pés descalços pela beira-rio, sentindo a areia e os pés e como ambos fazem música na caixinha mágica que me puseram sobre os ombros…

Enveredar por entre a multidão de uma noite de festa, sorrir com o cheiro de algodão doce, apaixonar-me por todas as garotas que passam, achar piada ao mar de cabeças saltitando ao som de uma orquestra local, rir com as peripécias de um gajo desajeitado ao volante de um carting…

Ouvir as duas últimas músicas da “Irmandade do Anel” - revendo a morte de Boromir, enquanto uma mãe cuida e mima uma bebé linda bem na mesa em frente num restaurante onde vou comendo descansado o bife que rompe com as minhas dietas sem carne…

Jogar uma partida de xadrez taco a taco, pedir que o meu parceiro não faça o movimento que lhe expõe a Dama, sorrir de mansinho enquanto o Porto vai ganhando o jogo e o resto do pub se divide entre dois tarados à frente de um tabuleiro e mais um golo do clube do dragão, ganhar a partida e dar um “hifive” que sabe a vitória conjunta depois de levar ambos os relógios até aos trinta segundos do fim…

Depois vir, sentar, ver a praça solitária lá fora baixo as luzes da madrugada e ir escrevendo para que possas ler e ver o quanto se pode fazer com apenas uns segundos de vida.

São sempre os últimos.

É bom quando sei que é assim.

Boas noites…

quinta-feira, abril 12, 2007

O Tempo


A quem pertence o tempo que utilizo na minha vivência diária?
De que forma oriento as minhas opções na utilização desse tempo?
Será possível “roubar” o tempo das pessoas mudando para isso o contexto das opções diárias?

Se fizer as contas do tempo que consumo a trabalhar (ou a ser “produtivo” – entendendo por isto as actividades utilizadas para corresponder às normativas sociais preestabelecidas; ex: cuidar da imagem); somar esse tempo aos períodos de sono/ repouso (cada vez mais curtos devido à expansão das horas de “ócio” pela noite dentro) e o subtrair ao tempo no que – efectivamente – decido investir em coisas que REALMENTE opto por fazer (e que não parte do “pack” de actividades obrigatórias/ condicionadas) certifico-me efectivamente do meu “saldo negativo” em termos de tempo.

A conclusão seria que fico a “dever” tempo – a algo ou alguém.

Poderá parecer uma conclusão fora de contexto e completamente fora de propósito mas, num meio cultural e social no qual a frase “não tenho tempo para…” - geralmente acompanhada de “gostava de… mas” - aparecer como uma das frases ouvidas com mais frequência (como razão ou desculpa perante o próprio e os outros), talvez seja momento para “arranjar tempo” e reflectir.

À conclusão acima referida associam-se todos os efeitos secundários do “distress”.

O di-stress é uma forma de paranóia existencial moderna, uma doença que se vai instalando e se faz crónica.
Sendo o primo mau do “eustress” - que é uma reacção fisiológica normal perante qualquer mecanismo agressor - esta “mancha de crude” no mar da vida tem vindo a alastrar, colocando em risco a fauna e flora locais (como os momentos de verdadeiro relaxamento – a tal ponto que se necessita actualmente de “aprender” a relaxar com técnicas de cariz mais ou menos oriental, toma de ansiolíticos para combater os efeitos da “maré negra”, pagar a psicólogos ou psicoterapeutas para que nos “re-eduquem” na arte de voltar a ser criança).

A invasão deste negrume tem sido tal, que em muitos arquipélagos deste continente cultural até já se acha que é este o estado natural das águas da vida, pelo que já nem se nota muito o contraste das reacções tomadas baixo o efeito do di-stresse versus as acções escolhidas baixo uma perspectiva relaxada e amena sobre a vida e o próprio.
Aqueles que não estão constantemente a correr para cá e para lá são referidos como “preguiçosos”. Os que dão prioridade à sua própria vida sobre a da empresa/ negócio são traidores, pilantras sem compromissos e os povos que não estão ainda totalmente infectados por esta maré negra são preguiçosos, indolentes, pilantras sem compromissos e safados por natureza…

Propõe-se a leitura urgente de um livrinho de Michael Ende, titulado “Momo”.
Para mais informações, contactar o Sr. Minutus Secundus Hora – que mora algures no coração de cada ser humano.

Um bom dia para vocês…

sábado, abril 07, 2007

No Calmo do Luar


Hora de ninguém e como ninguém escrevo acerca desse límpido vazio preenchendo ruas enquanto luz de luar passeia paz por entre espaços deixados nos ecos humanos que esmorecendo se esvaem…

A memória das ondas prateadas sobre a Dama do Rio vai trazendo ao de cima paz anterga desde as profundezas da evocação do lar longínquo que se fez marca indelével por entre portais de alma…

Brisa subtil envolve braços em sereno abraço o mundo cobra vida o lugar deixando de ser fachada para ser coisa de sombras se movendo ao som das cítaras de outras eras passos se fazendo dança guiada nas mãos invisíveis afagando o ser dorido canções de calma segredadas através das feridas abertas pelo ruído da vida diária entre Homens sob a luz de um sol impondo formas a um sonho colorido…

quinta-feira, abril 05, 2007

A Ditadura das Aparências - I


Quando é dor que sinto ninguém quer ouvir, partilhar, sentir… por isso aprende-se a mentir de boca cheia apresentando uma maquilhagem cuidada para ocultar a face triste de viver de fachada…

“Inside my heart is breaking, my makeup maybe flaking but my smile still stays on”…

O mais lógico é que te enviem ao Professional e que te digam para ser Profissional… como se pudesse comprar ou vender a minha humanidade e compactar a sensibilidade desta esquizofrenia diária numa caixinha de botões…

Diariamente um par de dezenas de pessoas vêm passear os seus despojos para o local centralizado onde os detritos são armazenados ou tratados. Compactados no mesmo espaço físico e confinados aos mesmos horários de atendimento, os bultos outrora humanos deslizam em silêncio imposto pelos corredores agrestes, enquanto os funcionários deverão mostrar as suas faces pétreas ou as suas técnicas de tratamento aprimorado que emulam a realidade humana outrora existente na fauna terrestre…

Como um bom cão amestrado, sinto a dor e fico no meu lugar… vaga após vaga de solidão, abandono, frustração, apatia, desespero, raiva, revolta… como um rochedo sólido, o profissional serve de consolo vendendo a imagem do ser inamovível que inventa os ícones sociais do sucesso, estabilidade, felicidade, conforto, estatuto; aumentando por sua vez a frustração, dor, raiva e afins dos do outro lado da bata por serem eles os únicos a sentirem que a sua vida está em frangalhos…

Aparências que conservamos para bem do sistema, dos outros, da sociedade, da empresa, da família, do vizinho… de algo ou alguém indeterminado… em qualquer lado… mas continuamos a representar…

É suposto que se conserve a fé num sistema que aumenta diariamente o seu número de utentes, de técnicas, intervenções, medicações quando era suposto ser ao contrário se realmente funcionasse como sector de Promoção de Saúde?...
Promoveremos por acaso a Doença e da Doença até já teremos começado a fazer negócio?...

Não creio que enfiar os doentes a molho num mesmo local e numa mesma “cadeia de montagem” seja “saudável”.
Não creio que ser profissional seja sequer humano e que ser humano tenha alguma coisa a ver com profissionalismo… se não tivéssemos idiossincrasias seríamos cibernéticos e – por enquanto – ainda não estou transformado de todo numa lata executora de leis externas…

sábado, março 31, 2007

The two Thrones


Neste mundo de luz e sombra – onde o de fora é aparência e o de dentro convulsão – o caminho para que as forças que nos compõem se façam harmonia tem sido complexo e, de certo, abrupto.

Em cada ser que desperta - a batalha pela “terra do meio” - de onde a sua consciência se eleva nas asas do espírito ou mergulha nas sombras do caos, tem semeado roturas na nossa forma de ver a vida, o mundo e as coisas… acima de tudo, na forma de nos encararmos a nós mesmos como humanos.

Se por um lado, as lendas do passado nos falam dos critérios antergos – ora como demónios ora como anjos, ora como mães perversas ora como pais tiranos – o certo é que, pugnando pela contextualização dos fenómenos observados, duas forças se debatem com igual pujança no teatro da actualidade.

Não sabemos hoje o que é a verdade, o que é verdade, se uma verdade existe ou se existe a “nossa verdade” sequer...

Tudo é rebatível desde o ponto de vista lógico, mutável desde o ponto de vista quântico ( invoca-se a mecânica quântica e seus sucedâneos como arma de arremesso contra o modelo “clássico” do mundo, das leis sociais e da vida).

Uma batalha entre a energia masculina e feminina está a arrebentar por entre todos os redutos de resistência que ainda possam existir.

Poderá parecer libertador, livre e harmonioso o tal mundo que se nos apresenta com os valores do boné frígio… mas há algo dentro – no profundo da consciência – que adverte sobre as suas benesses aparentes e sobre a beleza dos seus ideais pregados aos quatro ventos.

Se num triângulo de vértice que aponta ao alto os valores da aspiração imperavam, neste novo tempo de triângulos de vértice cravado na terra, os valores implicam um regresso à tradição obscura que se estende nas áreas mais intuitivas (ou caóticas) da nossa natureza.

Nesta pugna entre energias masculina e feminina, do deus e da deusa, da razão e da sombra, da ordem e do caos emergerá uma nova civilização…

Como Hegel postularia – entre uma tese e uma antítese - apenas poderá surgir uma síntese.

Esperemos que seja uma síntese de seres livres e não de escravos docemente atados às cadeias das artes subtis.

Bem haja.

quinta-feira, março 22, 2007

O amor de Sócrates…


Sócrates era “feio”… pelos cânones de estilo e beleza atribuídos a aquilo que se vê desde fora…

Sócrates não era “poderoso”… pelos cânones de poder e riqueza que se interpretam desde fora…

Sócrates era Mestre – pelos cânones que se interpretam por aquilo que desenvolveu nos seus discípulos (como Platão).

Sócrates seduzia as mentes jovens e – utilizando Eros no seu auge – depositava uma semente de luz no interior dos jovens, uma luz tal que nenhuma regra ou parede social podia ocluir…

Sócrates foi condenado pelos Tiranos – os anciãos – da metrópole.

O poder do amor dito “platónico” – não consumado na carne mas sim orientado para libertar os Homens da sua Nêmesis: o Medo – foi tão forte que uma revolução do coração estava prestes a estilhaçar o poder e aparência desde o seu âmago… o próprio coração dos Homens que se expuseram à escravidão…

Sócrates poderia ter salvo a sua vida… se arredasse pé do seu caminho, se o seu Eidolon submetesse o seu Daemon. Se tivesse sacrificado o seu “eu superior” pelo medo do seu “eu inferior”…

Sócrates – usando de alguma ironia - ofereceu como preço “justo” da caução que os Tiranos lhe propunham, trinta minas (moedas de prata)…
Um preço risível e que denotava o quanto o Mestre estava decidido a não abdicar do seu caminho e da sua entrega à verdade que habita o coração dos Homens – essa verdade que propôs as leis de convivência entre os homens e que os homens tantas vezes tendem a explorar em benefício próprio…

Sócrates teria sentido verdadeira admiração por um outro Mestre – “nascido” 400 anos após a sua morte.
Este mestre – vendido por trinta moedas de prata pelo Judas (que não o Judas Tomé Didumo, gémeo do Mestre) – pregou a boa nova do coração.

Seduziu com a sua mensagem libertadora todos aqueles que eram oprimidos pela ditadura das regras que matam a alma – desde dentro e desde fora…
“O Sábado foi feito para o Homem e não o Homem para o Sábado”…

Pregou o amor como medida das coisas e dos homens…

Foi condenado pelos poderes religioso e político por ter ousado amar para além daquilo que as normas de decência, moral e bons costumes advocavam…

Reformulou a lei transformando-a num mandamento novo… que amássemos…

Nestes tempos de leis e legisladores, seria talvez importante relembrar o espírito da lei em simultâneo à sua letra…

quarta-feira, março 21, 2007

O meu dente do juízo…foi-se!


A minha criança Sol tem andado a treinar tiro com arco sabem?…
Fez uma desenho – garrido e enorme nas paredes da nossa casa – com uma Diana daquelas de arcos concêntricos que os das olimpíadas usam para ganhar medalhas…

Sempre que aparece algum convidado, ela vai a correr lá para fora – arco em punho – e lá vai mandando as suas setinhas com ponta de ventosa, para ver se impressiona quem passa…

De vez em quando lá vem algum vizinho queixar-se (de seta colada à calva) de como a minha criança Sol anda a fazer disparates…

A nossa conta com o arranjo dos vidros é que já vai numa quantidade larga de euros… cada vez que a minha criança Sol pensa em impressionar os convidados à nossa casa, lá vai partindo algum que outro vidro das janelas que ligam ao exterior…

Eu bem que não queria meter umas persianas de madeira ou mesmo ferro (já tenho visto umas quantas em algumas casas por ai, mas todas parecem escuras, sombrias… enfim – assustam mais do que convidam a espreitar), mas um dia destes lá vou ter mesmo de forrar as minhas janelas com grades…

Ou isso, ou ensino a criança Sol a usar o seu arquinho para acertar no centro mais do que para mostrar a todos como é boa naquilo que faz, para chamar a atenção dos vizinhos e assim…

E é que gostava que as pessoas pudessem olhar bem cá para a nossa casa e que vissem que bela ela é e – sobretudo – que as janelas seguissem abertas de par em par, pois servem para deixar a luz entrar e para que a beleza da nossa casa também possa irradiar…

Até lá, teremos uns quantos de vidros para o arranjo, suponho.

Ai, estas crianças Sol dão cá um trabalho…