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segunda-feira, dezembro 07, 2020
contrastes
trilhos citadinos - humanos destinos
passos certos
por entre estes lugares
cheios de tudo e nada
na rua sempre marcada
nas entradas das estradas
submersas, horas certas
enviadas, por todas as vias
marcadas, ser acompassado
desse ir-se vogando,
entre gentes acertando:
cada passo dado
cada trilho novo
momento marcado
certa incerteza
quando voamos, por entre ruas e estrados
vários e variados com gentes sorrindo
por entre espaços vedados...
quando é subtil o fino fio
entre o inverno e o frio
e ainda voltamos
a crer
e regressamos, com outro olhar
outro querer estar, e voltar...
a ser feliz, por um instante
eco desse sonhar inquietante...
qual por um triz, no que a porta
aberta, se torna vida na vereda
ainda por se trilhar - incerta...
pianista...
nas letras entre abraços dados
nos poemas entrelaçados
nas linhas subtis
aonde ainda assumis vontades
nesses lugares aonde estais
nas frases que nunca terminais
esses tais locais de encontro
aonde ainda exista assombro
espaços reservados
dessa gente por todos os lados
aonde entramos envergonhados
ou saímos para outros fados
destinos entrelaçados
entre livres e escravos
que se vão refazendo
caminhando por entre o vento
suavidade nessa cidade
que tem em si calor...
humanidade
esperança
que se leva
por dentro
sexta-feira, dezembro 04, 2020
numa praça de papel entre veredas de um dia qualquer
Era uma hora vazia, pelo meio desse meio dia, numa praça abençoada...
Pelo arvoredo que em segredo se despia, pelas crianças que passavam na despedida, de um dia de verdades repetidas, levadas pela mão ao passar, pelos seres gratos que as idealizavam, que dos seus feudos antigos ao lares velados levavam, ensinando caminhos entre rua e estrada... trilhos dessa terra que nem voltamos a pisar...
As árvores na cidade crescem entre amuradas, as muralhas antigas seguem de novo erguidas e os palacetes nobres ainda se recordam entre ricos e pobres que desviam assim o olhar...
e nesse lugar plantado, estrela desses que se têm admirado, lia e relia um pedaço de papel qualquer; escrevia pequenas palavras animadas, por montes e vales de letra desenhada, olhava e voltava de novo a escrever...
em nada parecia o ser que no ecrã se erguia e no entanto era tão igual... e ao olhar de mansinho, passo a passo - devagarinho - acheguei o meu ser ao seu bem estar... e lá começamos a conversa, meia palavra intenção imensa - de humanidades a se encontrar...
parou de descrever o que sonhava, de desenhar o que idealizava - e lá fomos humanos, simples e abençoados - por meia palavra de conversa em comum... de caminhos e estradas antigas, de rias e mares de maresia, desses lugares sonhados aonde ainda existem seres velados que se vestem de humanidade a se desprender...
lá ia escrevendo para quem seguia lendo, enquanto simples palavras voavam, a linguagem noutra linguagem desaguava - qual rio nesse imenso mar de se olhar - humanidades simples nesse dia a dia humildes - assim a se aproximar...
depois foi o deixar divagar, o ver e olhar e sonhar enquanto na simplicidade se afastava, num pequeno triciclo voltava, a ser qual ser criança nesse imenso lugar... dissera que bem se adaptava - que a sua alma voava, entre cenários de imensidão; no final encontramos um pouco do que idealizamos e nesses que representamos ainda vemos de volta o olhar...
encontrei Berlin por acaso, Pedro nesse ocaso - nos arvoredos dos palácios mais reais; estava aonde a gente passava, olhava e de novo sonhava e nem se limitava de vez em quando ao perguntar... ao ser ensonado que ia e vogava, do lugar aonde vivia e estava, até aos tuneis mais entrelaçados - se por acaso os que passeamos, tinham nome para se chamar assim...
gostei de encontrar humanidade, entre o sonho e a verdade e gostei de sonhar um pouco outra vez...
quem sabe volte a encontrar na cidade, quem estivesse - desapercebido - assim sem se ter investido, de uma qualquer missão idealizada, de um qualquer romance sobre o tudo e o nada - e simples - assim falava, enquanto um ora outro ouvia sem mais nada... tão bom encontrar presença aonde nem se pensava, e deixar de novo a praça abandonada para mais tarde - quem sabe - assim voltar a aparecer...
caminhos de vida
gostava de voltar a encontrar
o brio no olhar
o andar erguido e ver seguido
todo o mundo a brilhar
gostava de voltar a encontrar
a mão de um amigo
o gesto calmo que sigo
serenidade de se ter conseguido
o dia a dia levar...
para aonde a vontade caminha
para aonde a verdade aninha
para aonde se possa abraçar
sem mais duvidar
sem hesitar...
entre os medos
que nos vai plantando
em segredo
tanto ser berrando
sem nada
dessa vida nova
a anunciar
coração na cidade
entre meias medidas
entre as linhas erguidas
das ruas esguias, elevadas
vamos passando,
marchando...
ao som de uma melodia vazia
sendo que quem a preenchia
coração que sente e cria:
vai ficando com a sua verdade vencida
a não ser que encontre refúgio ou guarida
para voltar a crer em amar...
em se erguer para ver teu olhar
para sonhar que de novo me sonhas
que as escolhas que no caminho recolhas
serão para bem maior por simples opção:
que se recria, em cada palavra menos fria
que se deixa no interior se levar...
pelos lábios vazios do seu elemento
chamada viva que levamos por dentro
clamando sempre pelo ser lado a lado
caminho ainda velado
entre tanto ser humano
por todo o lado...
quinta-feira, dezembro 03, 2020
na matura infância
quando tem de ser e não queres
que fazes para te refazeres
dessa solidão interior
desse deixar - devagar...
divagar... sem se notar...
tua criança interna a sonhar
nesse campo semeado
entre todos por todo o lado...
nessa matura certeza
de se ter impaciência
por se avançar...
nesse plano nunca desenhado
nesse subtil ensejo sem se ter deixado
nesse lugar almejado,
entre todo e qualquer passo dado
aqui e em todo o lado, assim... sem mais
esse algo mais alto,
esse futuro sem sobressalto
paz da surpresa em cada esquina
que futuro presente que assim se prenuncia...
e nos deixa
a querer
sempre
mais
misto de emoções - sentimentos ou divagações
voltar ao teu lugar, em paz...
depois de se ter dado
depois de se ter passado
sentir a emoção de regressar
satisfação dos gentios
nesses tempos ainda frios
nos que esquecemos
o que queremos
e vamos e obtemos
esse lugar
esse algo a sentir devagar...
nesse pequeno espaço dado
assim nesse ser apagado
até ressurgir
qual luar
sobre o monte - velado
nesse horizonte
passado
fruto futuro
nesse outro lado
face em face
tanto ser a passar
e mesmo assim
sem querer
sem se deixar de saber
essa vontade
sem tempo ou idade
volta a surgir
sem se esperar
subtilezas
neste ser recatado...
nesse passar
sem se ser notado...
nesse lugar quadrado
aonde vivemos
quase tod@s
sem se precatar
uma curva na estrada
horizonte, que de fronte
se não deixa assim revelar
e na noite
estrelada
nesse véu entre o tudo e o nada
o teu céu se deixa pintar...
e das cores que sonhamos
quando ao deitar ainda deixamos,
nessa vontade... sossegar
e já à vontade aparecem veredas!
sempre verdejantes, apenas:
nesses primeiros instantes
nos que nos atrevemos assim a explorar...
e no dia a dia das entrelinhas
subtil o sentido que aninhas
nesse peito ainda a palpitar
estremece, parece que arrefece
calor desse ser humano
que se estende e entende
qual flor silvestre...
sem ter sido plantado
por ser algum...
ainda a querer
assim
se expressar
uma outra forma desse
saber amar...
a impressão de se ser simples
uns chegam, outros vão
a esse lugar do coração
aonde ainda moramos
aonde ainda sonhamos
e querendo... - acreditamos...
que da intensa sensibilidade
ora de insensível senilidade
do ser... se... Humano...
estrume neste campo
semeado
dessas luzes simples
estrada das estrelas dos humildes
que vogam e voltam a querer vogar
entre o destino, inquieto
esse ser ainda vivente... secreto
transforma gelo em lugar ardente
faz do tempo um querer - se, voltar
jamais só em qualquer lugar
aonde um piano, qual teclado
assim nesse destino - traçado
desse voz ao ser sonhado...
entre tanta realidade
a querer nos envolver
por tanto se fazer notar
notas sublimes de melodias
que se imaginam todos os dias
telas em branco quando as preenchias
quando mais nada sabias
e tanto assim sorrias
como os que se deixavam
assim estar a rir...
contigo a chegar a ir...
como nos deixa o ser recém nascido
como tu e eu teríamos querido
se nesse remanso sem idade
de paz e tranquilidade
assim qual estar ao colo
cuidado
pela realidade toda
a te envolver...
luz de ser embalado
mais além do querer
essa força que se tem confiado
assim sem mais se deixar deter
encontrei uma estrela... uma criança ora grande ou pequena... num grande parque a jogar
estava sentado, entre o arvoredo varado
barca que um dia, sendo suavidade,
assim na cidade, desde cedo se erguia
sonhava, que entre a melodia do ser que passava... alguém ouvia...
essa verdade, sem tempo ou idade, que aparece sem se notar
que vai crescendo de mansinho, que abraça devagarinho,
e nos leva a querer crer e voltar a acreditar...
estava, a estudar - vida, verdade ou cena da realidade que se esvaia no ser devagar
pensava quando assim olhava, deixava no interior que rasgava, sem sequer partir ou chegar
e nessa vagar, vagar sem estar parado, sonhava lado a lado, com quem ouvia o seu ser a se erguer no luar
dessa cidade iluminada, dia e noite, velada, aonde ainda estava quem assim visse sem se deixar notar
uma estrela que se assemelhava, com cada pessoa que via - ora amava - sem o dizer ou deixar de fazer notar...
pelo recanto desse ser - tanto - assim se via quando se erguia... que a letra vazia sendo assim - preenchia, com emoção sem ter par... apenas poemas nesse lugar iletrado, página em branco - futuro presente e passado, num cenário qualquer sem atuar... apenas plumas ou penas que soletravam, e se desfaziam ao se verem de novo a voltar...
encontrei um dia um ser assim, parecido a ti e a mim, mas espelhado em todo o lado e mesmo assim... recatado...
(encontrei um ser de fama, nessa cidade bem alargada, que nos é querida sem se deixar)
sonhos de poesia, licor desse dia a dia
compor, poesias e estrofes sem olhar
ver por dentro aparecer devagar
nessas lendas sempre reais
o bem que levas aonde vais
para assim voltar a plantar...
brisa no estio, calor humano
por entre o brio
desse estar mano a mano,
andar de mão dada
sem estar amarrado
de livre vontade
o ser sonhado
assim semear
poemas de liberdade
sonhos de vida nesta cidade
e ainda entre tantas pessoas a ver teu ser
reflexo pulido desse ser e estar vivo
e querer berrar melodias
cantar novos dias
esperanças a se erguer devagar
letra a letra pela razão traduzidas
vestes viventes que trazemos vestidas
sempre meio cosidas, ora meio rasgadas
pelas horas que se fazem bem passadas:
entre cores desses primores a se ver divagar
imagens interiores,
desse outro lugar
chamado amar...
olhares de amor
quando, estás noutro lugar
ou o lugar onde estavas é levado
pelo tempo acompassado
pelas veredas imaginadas
feitas ruas e estradas...
flores que sempre vias - cuidadas
nos jardins de beirais - mimadas
pelos amores sempre abundantes
primores desses olhares amantes
que viam sempre a dançar
crianças e gentes de idade
nas vilas olhando a cidade
e nos contemplavam em verdade
e assim diziam ao nos ver passar
ecos de passos a chegar
desesperado
olhar para outro lado
encontrar esperança,
nesse ser criança,
inventiva
e
com iniciativa
nesse tempo passado
nesse estar acompassado
nesse aconchego sossegado
aonde tudo e nada nos é revelado
segunda-feira, novembro 30, 2020
poesia da ironia
sentido dos humores mais fluídos
ironias dos marcados destinos...
tantos seres à volta sem se tocar
e tantos toques
nesses outros trebelhos
coisas que chamamos aparelhos
sempre a falarem de nós sem se falar...
voltar às raízes
vamos e vimos sem cessar
damos passos - inspirados
umas vezes despertos e acordados
outras sem acordo e sem hesitar...
e nesta duplicidade
noite e dia na cidade
sem pausa nem idade
ainda vogamos a sonhar...
umas vezes despertos
pela realidade
outras inspirados
sem vontade
outras ainda pelo ser igual
lado a lado parecemos pequenos - e somos tão grandes!
e sós, de vez em quando, ainda procuramos nos encontrar!
recolher e saber escolher
nestes tempos virtualizados, nestes lugares meio toldados
somos milhões de vozes a cantar um mesmo fado,
destino que ainda nos é velado a mostrar:
e no entanto sonhamos, falamos e no segredo contamos
números sem contar, multidões sem se ver a passar,
olhamos ensonados sem decidir se é noite ou manhã...
e vamos! animados pelas agulhas empoleiradas
antes nas torres agora nas mangas...
desse saber recolher sem hesitar...
computação pessoal - coração de ideal
nessa tela, sempre meio vazia - meio cheia de vida
há espaço para se pintar, sonhos de mil cores
letras de mil amores, páginas por deixar
de serem lidas, letras garridas,
inspiradas pelo amanhã...
gentes de todas os lugares,
dos campos às cidades:
sonhadores que vagam a voar:
nalguma que outra folha,
desse Outono passado...
nesta chuva que não molha
manter passo acompassado
passar assim no ser diário,
pairar nesse olhar toldado...
sem se ver arvoredo algum
em nenhum lugar
rebentos de esperança
na teia sossegada
aonde tudo bule
e não se nota nada
em cada passo dado:
seja caminho ou estrada
ao passar tantos lado a lado
procurando o ser compassado
o ser assim... animado...
o regressar ao seu lugar
tantos seres que vogam
voltando sempre a voltar...
em cada passo um voltar a se precatar
se voltar fosse também caminho
para já mais não se estar sozinho
se as muralhas - a meias - caíssem
quais colcheias
ondulantes
nestes seres
gracejantes
que vogam
na melodia
do dia
sem cessar
e se encontrassem amigos e serenos: aconchegados
lado a lado neste oceano, quais mares navegados
quais rios trespassados por pontes desse querer
estar perto e nascer de novo nesse outro ser a nascer
reuniões reais entre veredas geladas
olhar a luz do dia
entre as teias sombrias
e ver esperança a nascer
onde o medo estava a crescer
quando se sente o calor de humanidade
segurança desse ser criança sem idade,
em verdade crescemos nessa maturidade
que assim vemos e cremos porque escolhemos
se houver tempo para o conversar, passar e abeirar...
nem depressa nem a acelerar, vagar dessa humanidade
que dando tempo ao tempo se entende em realidade...
foi dado o expressar, o ser, o que vai dentro, sem deixar de falar
de conceder o direito de ser assim, sem mais - expressão dessa liberdade
que nos transforma sem vaidade, em seres livres: quais ideais...
nestes tempos de contenções, os corações e as verdades, falam por serem procuradas
quando nos precatamos, do que somos, e do que deixamos - damos valor ao sentido desse amor
desse calor em humanidades cheias, dessas horas preenchidas e não vividas a meias
desses lugares de encontro, onde vez após vez nos juntamos para ser de novo humanos
aonde nos abeiramos quais os nossos mais antigos ancestrais encontrando soluções originais
seria estranho que tantos milhões de gentes juntas não se precatassem
do que umas dezenas já bem sabiam
quando à volta do fogo se abeiravam, quando se abraçavam e reuniam
sexta-feira, novembro 27, 2020
poesia da rosa em prosa... criança à janela sempre a mais bela
gostava de escrever uma prosa, que fosse qual uma rosa, que se desdobra perante o teu olhar;
gostava de te enviar um recado, estar lado a lado, para te bem poder voltar a abraçar
gostava de dar vida a estas linhas, para que a tua palavra na minha, fosse uma voz só entre nós
gostava de dedicar-te poemas, trovas melodias e temas, para assim mostrar que poderemos voltar:
a ler letras de gente, entrelaçadas por entre tinta pingente, qual as notas coloridas das melodias mais vivas
e dos hinos de louvor - à esperança, ao sonho, ao amor - dizer em verdade que tanta felicidade se fizesse por humanidade ao se reencontrar nesta cidade o agasalho de se estar sem mais...
perdido entre as ruas e avenidas, sempre vazias, cheias desse bem querer;
não importaria nem quando nem onde, tu estarias ali - e eu correria, qual voz de alegria - ao teu encontro outra vez...
e ir sem mais hesitar... olhar iluminado... e ver o teu olhar com o rosto bem mostrado... e nesse corar de esperança, menina mulher ou criança, ser de novo a acreditar,
que vou para aonde bem quero e não tanto aonde desespero por voltar...
e voltar conhecer-te uma e outra vez
ser sempre novo, qual a flor que renasce, nessas pétalas singelas, transparecidas à luz do luar, nessas folhas quais janelas que se abrem de par em par;
nesse caule sempre agitado... pela brisa sem estar enjeitado... cabelo ao vento... momento desse sustento... que nos enleva aonde o tempo é sempre vogar...
e nessa barca silente.. passar por entre a gente e ver-te assim... a surgir... devagar
... qual da névoa vespertina... por entre a rotina, qual da simples neblina - dos rios e vales que se abriam quando olhávamos pela primeira vez...
abrir de par em par... braços que servem para abraçar... linhas que caminhamos... e letras... tantas letras secretas de músicas que sempre inventamos...
agora quais ecos sonoros nestes lugares virtuais... antes risos bem prezados... de mão dada traçados... pelos caminhos que trilhamos entre os verdes mais simples e iguais...
florestas de árvores humildes... e ecos de passos simples, que jamais nos vão assustar...
e no coração o tempo fazendo sentido... e à volta descrita a palavra amigo... abeirando sempre sem se perguntar...
chegando sempre antes de se anunciar... esticando um pouco o ser a passar para ver mais no olhar:
universos dessa intimidade que se partilhava na cercania... cosmos viventes quando entre tantas gentes a tua voz assim ouvia e nos unia... e sabia distinguir a alegria entre tanta melodia afim...
agora qual uma estrela pequenina, quanto mais sozinha na noite mais brilha, por não se ver estrelas como a tua assim... ainda em mim...
...ora a pairar sobre os seres humanos, a serem reflexo por entre os rios e lagos... a se deixar estar num qualquer lugar...
na névoa de uma manhãzinha sempre fina... qual cortina feita à mão... pintada com cores garridas que refletem ecos de todos os dias e celebradas sempre perto do coração...
...quem as via nos ecos da tardinha, quando voltava a ver o que não se tinha... apenas cuidar o tempo e lugar para se voltar...
...a sonhar qualquer ser simples sonharia... poder estar assim um dia... e repetir sem mais o bem querer... e assim anunciar espelhados... os olhares por todos os lados... já não mais fugidios - fixados - sem terem tempo a perder...
...ora algo a temer...
nesses lugares aonde o som dos altares de cinza e betão, refletiam as gargalhadas das crianças aninhadas por aqui e além... sempre emoção... que era singela, que não corroía, poisava à janela...
a ver o tempo germinar... e quando ria... a idade sem tempo reconhecia, a mesma humanidade por aqui e além a acontecer...
espírito da cidade, coração e humanidade II - virtuais
o coração da cidade lateja
o ser humano almeja
e a comunidade sonha
qual ir e voltar
a paraísos etéreos
aonde já não tão sérios
deixamos as máscaras voar
encontramos fundamento e voltamos a renascer
e nas asas do vento, recuperamos alento para acreditar
e nesse exercício
jamais programado,
por tudo e em todo o lado
ouvimos e vemos o ser humano
de novo a voltar a crer...
nessa tua humanidade jaz a minha
nessa tua verdade assim cresce
esta melodia que ressoa triste
entre a voz que anoitece sem querer
e na vontade ainda aninha
essa nossa sorridente criança
sendo sempre a que definha
volta sempre para nos perder
do que pensamos ser
do que nos prende ao se prender
do que nos faz voltar a errar
nem a linha nem a aresta nem o livro nem tudo o que se apresta
a se deixar tomar, com algo de realidade, sentido comum e verdade
sonhar que estas aqui, que estes milhões de humanidades também sorriem por ti
que nestas melodias sem pares, também estás ali,
aonde se juntam dois ou três em teu nome
sem o saber de cor qual ser que some, voltas uma e outra vez
é a tua simplicidade, o que é mais vivo sem ter rosto ou idade
é o teu jeito de estar sempre ai, quando lês palavras sem rosto
quando dás cor e luz ao meu sentido tosco
quando iluminas poesias,
e abres veredas aonde se não viam
e ficas mais perto na lonjania...
és tu que me fazes voltar
a crer, a erguer, a creditar e sonhar
e se não estivéssemos ébrios desta solidão
se não estivéssemos a cantar e dançar ao mesmo som
tantas rimas perdidas, tantas palavras vazias, tantas linhas expeditas
e gestos técnicos que não ditas, ficariam aqui por demais...
este espaço, por entre todos os virtuais
é para ti que sonhas e não sentes seres a mais
espírito da cidade... coração e humanidade I
se cuidar é dar de nós
humanidade de não estar sós
se ensinar
fosse seguir a voz da verdade
nesse padrão de felicidade
e o coração assim a preservar
e se o tempo que dedicamos
uns aos outros sem ser escravos
das agulhas do tempo já marcado
velho e esfarrapado
e assim voltar a sonhar
vivificar todo o momento
dar de nós o que levamos por dentro
e já mais não ter medo de errar...
coragens de outros instantes
heróis amigos e amantes
ou simples seres humanos
a caminhar em seu vagar
seres de Domingo, apenas
quando a bem ou mal ou duras cenas
há sempre algum pássaro a voar:
uma folha garrida a pairar
uma brisa na areia a desenhar
um olhar iluminado em todo o lado
um ser humano espelhado
um recanto sonhado
uma melodia que jamais se tenha cantado
um poema sem ter tema... a jorrar
do peito... bem aberto
desse nosso terno sentimento
esse que se faz querer entre os beirais
e linhas de cores garridas
e esplanadas nem cheias nem vazias
e avenidas deste correr...
poesia dos simples
chegando mais perto
passo a passo
por dentro
palavra a palavra
sempre atento
a esse peito que por dentro se abra:
para a humanidade voltar a mostrar
e nessa estrela luzidia
nessa linha que prenuncia o dia
ver alvoradas a voltar
e no caminho, jamais sozinho
esperar que a tua vontade
seja qual a minha verdade
e se possam voltar a encontrar
chegando a casa - promessa desse ser que não passa
a quem interessa
se pensar depressa
e num poema qualquer
disser algo semelhante
uma frase inquietante
que nos ponha a reconhecer
um segundo perdido, uma palavra de um velho amigo
assim deixada para atrás, um momento sem idade
sem estar sedento na cidade, desse licor de humanidade
que se bebia campos afora, que se perdia ao se ir embora
e que ainda flui qual coisa sem se ver,
qual um algo a adquirir sem se deter:
a pensar, que tempo é qualidade
que a vida tem vontade
e que humanidade traz verdade
se não se mentir pelo que se faz
encontrar recantos sem estarem vedados
olhar nos olhos sem estarmos fardados
a representar, palavras desta oficialidade
em nome da profissionalidade
nos levando longe demais...
uns dos outros, sempre outros sempre a desconhecer
e ver o rosto ferido, desse ser que também digo
esse que vai aonde nada maia há
quando o ser querido era simples
viemos para voltar a encontrar
o tempo para se ter tempo
para se saudar e ser saudado
olhar nos olhos sem mais cuidado,
e erguer a mão... para acariciar:
veredas sonhadas faces mostradas e sempre algo novo a se comentar
que nós sendo pequenos, contávamos tantos segredos que até os devanceiros
que eram dos últimos os primeiros, ficavam com sede no olhar a arder
desse reconhecimento, que se ganhava sem querer
desse ser simples por dentro, criança a renascer;
e não mais ser fábricas ambulantes, produzindo por instantes
produtos sem mais, que ser humanidade era ser em verdade
para todo o ser que, em comunidade, encontrava a felicidade
no simples, ainda plantada, estava a semente da virtude sem jamais ser semeada
apenas seres simples, sem mais tantas penas deixadas, asas de sonho espelhadas
ao ver nascer o sol, ao sentir o rouxinol a voltar a cantar, ao ver a luz de uma candeia
a cintilar, mil e uma estrelas acesas nesse lugar a nos inspirar, e nessas risadas singelas
que transpareciam cortinas e janelas e chegavam às ruas sempre cheias, desse algo a passar
umas vezes um rosto de amizade, umas outras um ser sem idade,
outras tantas, tantas e tantas vontades!...
à volta da fogueira sem sequer imaginar
que o calor dessa verdade
fosse tão simples de se acender
e no peito amigo voltar a pegar
espera! dança comigo
nessa melodia que já não sigo
por estar sempre a correr!...
para alguém que ainda queira entender, rostos da vida e do bem querer
quando tudo parece falhar
e não há alguém com quem falar
e parece que nada vale a pena
que a coragem se torna pequena
que tal descrever para quem seja
esse poema que por dentro almeja
essa nostalgia pelo renascer do dia
nessa noite qualquer
tempo no que a sombra
parece se estender...
e esperar, que a esperança seja verdade
que apareça num qualquer rosto sem idade
entre tantos seres humanos ao teu lado
não pode o calor humano ficar velado
por labirintos desse outro ser e fazer
realidades que se deixa por dentro
qual a melodia feita num lamento
como algo que se desdobra...
aí aonde o tempo não sobra...
até voltar a inspirar, sonhos de felicidade
por entre as ruas molhadas desta cidade...
rostos sempre velados;
pelas máscaras tapados
rostos desse saber sorrir
para todos os passos dados,
em tantas direções espalhados
e voltar a encontrar ecos passados
desses corações cheios quando abraçados
que desdobravam o tempo
nos aqueciam por dentro...
davam sentido ao sentimento
e anunciavam futuros originais
quando nos abeirávamos
instantes sempre perto
quando nos olhávamos
e falávamos de tudo o incerto
e juntos espelhávamos vontades
rostos sem terem tempo medido
sempre na vontade do encontrar
o que nos era sempre querido...
um recanto sereno,
um instante ameno
um fruto do futuro a se plantar...
juntos! ...livres... serenos
como quando pequenos...
sós; nós, no sono profundo
desse tempo de vazio
nesse mundo perdido
não ai há já mais lugar:
voltaremos, se assim queremos
aonde o tempo jorra de novo
para nos vivificar; e o sentido
é contigo e comigo,
de novo a nos mostrar
em tudo o que ouço e que digo,
assim a escorrer por ti e por mim afora
para se voltar a acreditar...
sem ter de ir embora
para mais nenhum lugar...
quarta-feira, novembro 25, 2020
Melodia II
letras sempre vivas se fores tu a olhar
pois entendes o peregrino ser migrante
que tem qual o sino o dom de dar e voltar a dar
voltas da vida pendente no gesto da vida corrente
que nos assegura e sempre dura, nos leva a querer voar
outras vezes nos afaga, além do frio que esmaga,
carícias de abraços sustenidos
entre melodias de bemóis...
gestos por entre suspiros... sempre vivos...
ecos de palavras de afeição a se partilhar...
coração que se quebra e despedaça, por cada olhar no que passa, sem encontrar o olhar de irmão
coração que sendo vivente, pertence a tanta gente, que não cabe bem em nós
coração que de ter coragem, navegaria na boa aragem e estaria ali onde fosse
feliz por vontade, num rosto sem idade, num lugar sempre ao sol...
chuvarada bizarra, lugar este que nos amarra e barcas sempre à espera de voltar a vogar
para outras paragens nestas miragens que nos cegam e toldam o olhar...
o sonho é verdade, olhar sem tempo a claridade, ver os olhos a de novo a brilhar
sinal secreto, sempre discreto, de que se está a voltar a acreditar... em ti... em mim...
em regressar
melodias I
ainda não, ainda não me esqueci...
de nós e do sonho ainda não desisti
olho quem passa despreocupado,
encontrar-me sempre perto de ti:
tu e eu lado a lado, abraçados pelo sonho ainda velado
no calor dos recreios, por entre os túneis vedados
olho os passeios sempre cheios do teu rosto amado...
voltar nessa melodia bizarra, vagar de ser a voar...
no olhar as flores que sempre agarro para as levar;
na luz da presença, por essa cidade que pensa:
em casa, nesse lar,
lugar que não passa...
nesse calor a se partilhar
estás sempre presente,
és aqui realmente
dás luz ao ser a voltar:
mesmo lugar nesta vidraça bafejada,
num dia qualquer entre tudo e nada,
nesse meio termo que berra por ser mais
nessas linhas desenhadas...
pelas palavras bem amadas
das poesias escondidas
melodias sempre vivas
que guardei para te contar...
frutos futuros neste presente serão
ecos pressentidos das ruas e lugares vazios, esquecidos do querer
ao sair no pavimento molhado, olhar por todo o lado, o reflexo desse saber
que renova a idade, que nos faz rir sem vontade, que nos põe de novo a olhar
tudo e todos num outro ser a passar, numa nova face a corar, numa praça a pintar
cores garridas, melodia de todos os dias, risada que levamos por dentro ainda por revelar;
antes pintura deserta, tela cheia de nada, olhar que se aperta para ver bem a estrada
o caminhar entre curvas discretas, deixar atrás todas as rectas para ver o horizonte a se elevar
cheio de florestas ainda por se caminhar, pleno de mistérios por desvendar, poesias e histórias a partilhar
querer que nos abre de par em par, dar de nós tudo sem deixar nada para se guardar
ir de porta em porta e tocar sem querer, esperar a resposta que nos abra janelas para o ser
e humanidades, tantas! nos ecos da luz da cidade exata, música e eternidade sempre incauta
que se desprende de um olhar qualquer, que se depreende no rosto cansado de um ser mascarado de homem ou mulher...
poesia por querer, ainda por editar
livre entre o tempo, fiel ao fundamento, de correr sem sair do lugar e ver, horas pendentes, montes de gente e o segredo desse livre ser a cantar... recanto qualquer, história de mais querer, viver e sorrir sem ter uma razão parar e rir mais... entre tantos encantos, sentimentos e regatos a pairar nas avenidas cheias, floridas de laços e tiaras enfeitadas pelas luzes mais simples e raras, pelos recantos encontrar surpreendidas as secretas curvas das rectas avenidas nesse algo que nos faz exultar... desprender olhares garridos, por entre os seres queridos que se viam antes de o ser, agora reconhecidos pela luz terna desse desviver, que nos abraça entre a praça, que nos eleva na brisa serena que passa, que nos manda porta afora e que leva o lar para já mais não voltar... a ir embora;
poesia ordenada
e de novo o descrever,
o que te diga a vontade
voz interior sem idade
cada vez mais a sonhar
poemas nesse dia... diferente...
caminhos entre tilhos de gente
começar o dia bem devagar
passo a passo levantar o olhar
e levar as asas do sonho
ali onde tudo é medonho
plantando veredas de encantar:
encontro entre o que se procura
no tempo ali onde tudo perdura
ventura de ser livre para inventar
a melodia de não mais terminar;
um dia crer e dizer sem temer que se quer encontrar
outro dia ir embora, sair pela porta fora e regressar:
rever horizontes jamais desenhados,
locais de sonho assim... sempre amados...
nesse ser dentro da cidade
tanto passar sem notar,
vida cheia de encantos
jardins ternos a germinar;
até caminhar de novo, com passos de gigante;
ser criança de existência eterna bem renovada
indo pela avenida fora qual vereda mais amada
eternidades escondidas na luz de cada instante
ver a via aberta à tua frente, semente a germinar:
águas vivas, gentes viventes, veredas iluminadas
passos por entre locais que não eram mais nada:
pessoas na rua,
a passarem a estrada,
aventuras da vida renovada
nesse dia - sem mais:
palete de cores garridas
entre cinzas de vidas
agora quais andorinhas
por entre os beirais
rodopiar entre a brisa
encontrar a premissa
de assentir sem querer
a uma pessoa qualquer
caminhando despertos
de rostos abertos
uma outra vez...
ecos de carnavais de cores garridas;
entre as máscaras pela vida vencidas
terça-feira, novembro 24, 2020
poesias que sempre dizias... sem as saber ler
poemas no deserto
aonde crescem
por ti adentro...
flores de Inverno
esperando nascer
na forma humana
que nos irmana...
Homem e Mulher
poemas entretecidos... vivos
estradas trilhadas por outros sons a passar...
ecos de passos que estão a partir e chegar...
e nesse vidro rasgado, nesse gelo riscado...
escrever letras latentes de amor,
odes sonoras ao se compôr...
em poesias
palavras vivas!...
temas de sempre
gestos de todos os dias
na mente ainda sendo:
qual a alegria e o amor...
vivos e enamorados
espelhados e espalhados
por todos os lados...
desse teu ser
ao meu querer;
anunciados...
elevados por essa nossa nossa voz a nascer...
em bel canto entretanto encanto a condizer:
inspirados assim...
alucinados
levar a mensagem
sempre
a mais e mais gentes...
as que poisam coerentes
nos seus nichos vazios
nos seus frios despidos
de nós e do nosso querer
nessa terna idade...
eterna... sem mais
- sempre incerta...
que aparece sem querer e voga ali aonde há luz a nascer
e dia sempre dia, qual no mais escondido ser a encontrar...
nessa nossa melodia que ainda nos faz rir e acreditar,
e no adormecer do segredo... desse viver... devagar
estrela perdida,
melodia escondida,
letra viva clamando
nesse sorriso velando
por encontrar sempre a teu lado
esse conforto desse nosso lugar:
no que lês sem contar as palavras,
no que sorris sem encontrar entraves
no que partilhas alegrias serenas...
portas abertas, lugares sem chaves -
gargalhadas antigas nesses teus dias
saudade feliz que sempre nos liga...
ali aonde ainda se eleva
essa chama que a tudo chega
a que nos entretece...
e aquece...
e não queima...
diria o poeta que é qual fogo que arde sem se ver:
na luz do teu olhar iluminado, num canto enlevado
num bulir entre a gente sem sentir o peso coerente
ser alado lado a lado
quando a preocupação bater à porta
quando o desassossego
aparecer qual tudo o que importa...
ouvir ecos de asas a voar...
vogar cidade afora e sonhar!
encher pulmões e cantar
desenhar novos poemas no ar
esperar que a resposta mais simples
apareça, no conselho amigo do qual aconteça
ouvir o coração a falar,
qual voz no silêncio
a descender... devagar
e dar tempo, pausar,
para que o ser alado
que te tem inspirado
esteja lado a lado:
contigo a caminhar...
procurares
quando o coração doer...
vai ao teu lugar escolhido
aonde ainda esteja um amigo
procura conselho de verdade
encontra o que esconde a cidade
o trilho que leva aonde sonhavas
lugares antigos onde antes andavas...
encontros escondidos, gentes novas
as coisas singelas das antigas trovas...
procurando te elevar, cada vez mais alto
até encontrar, o teu lugar sem sobressalto
e nessa rima sempre viva,
nesse ser a chegar;
vais estando cada vez mais perto
do teu verdadeiro lugar;
segunda-feira, novembro 23, 2020
abraços...
e neste cansaço...
desabar nesse abraço...
e voltar a sonhar...
nessa terra prometida,
nessa tela ainda vazia:
despertar em ti um dia
aves sobre nós a voar,
asas dessa fantasia
...do querer...
se...
r...
e... encontrar...
sonhos: bem(s) reais
pairar... mais um sonho, mais uma vontade, mais humanidade para se poder voltar;
a casa, quem diria? que o renascer fosse esperado, encortinado no fim de um dia...
o abeirar, desse saber fazer, entre tantos que se desfazem e outros tantos a se erguer
devagar... no fim da azáfama... voltar por entre ruas, avenidas e praças... e chegar...
ali aonde nada mais espera... o sentir sentido de quem encontrou e já não desespera;
quando as melodias se entrelaçam - olhares que abraçam
olhar olhos nos olhos...
encontrar de sonhos...
ainda sendo dispersos...
procurando despontar...
alguma verdade,
amizades...
mão em mão:
qual abraço -
que se entrega
em cada opção...
estando presentes
nesse viver realmente
que envolve e humaniza
nos faz gente e suaviza:
a dureza desse outro ser
quem corre e discorre
no ritmo vazio de querer
ao som das folhas a pairar na brisa
num local... pequeno...
entre cidade de imensidões
onde convergem crianças e estátuas gigantes
entre as ramagens dos arvoredos das multidões
folhas... sedentes...
balançando ao vento...
vogando e pairando quais aviões...
desse papel ainda por preencher:
páginas em branco do meu querer;
vogando na brisa,
indigente até poisar
nesse rosto qual carícia
sopro desse saber amar
nessas mãos, a repousar
nesse sol pôr
entre o doirado
folhas desse saber estar
presente acompassado;
outonos discretos que os vêm a passar,
risos novos que nos despertam o olhar...
domingo, novembro 22, 2020
...cuidares...
luzes sempre acesas
qual vê-las sempre à mesa
cidades que não dormem
turnos sempre a cuidar...
desses recantos - enormes
onde vivem tant@s
sem serem demais...
e nos destinos entrelaçados...
tênues laços unem seus fados;
somos qual bem se quiser...
umas vezes empoderados
outras qual coisa qualquer...
e no sonho, um abraço ilumina
a mão em mão reanima...
o olhar sereno prenuncia confiar
o estar perto
ainda longe
faz o Ser
regressar
pequenas gotas de humanidade
nesta chuva sem se esperar...
pequenos gestos de verdade
aonde a cidade diz que é mais...
ai aonde me lês, descansa
o ser que eras, o ser criança...
ali aonde ainda te espero:
lume do lugar mais belo,
ainda há tempo sem contar
damos contas à vida...
que nos foi dada a cuidar;
das aldeias virtuais... às cidades bem reais
pelas estradas jamais traçadas
pelos caminhos desse ser a andar
pelos vales e montes amadas
pela luz serena no teu olhar...
por ti que nunca soubeste
ver e viver devagar...
chegar no sol pôr...
por ser forma de se chegar
pelos lugares aonde ainda se reuniam...
para celebrar de tudo ou nada o que bem sentiam...
pelos tantos
que eram poucos
para a grande mansarda...
imensos sem serem demais...
que seres de humanidades estreitas
quais os lugares nos que espreitas
vendo aonde ainda eram a ser...
estórias de fantasia ou imaginação...
agora terrenos vazios por falta de vós...
melodias de encontro
fosse ao sol ou luar...
gentes que se perdiam,
sem jamais perder seu lugar...
aonde o amor de humanidade
esse eco sem ter medida...
nem tempo marcado
nem do lar nostalgia...
se bem se conheciam
aldeias pequenas
cheias de gente
se bem se sabia,
qual o destino
de não se temer
igualmente...
agora o teu nome
já mais não tenha sentido
quando a voz de outrora
dava o nome de um já nascido...
futuro abençoado
grito de humanidade por todo o lado
ave das cinzas a renascer
procurar pelos caminhos perdidos
à procura desse ser Homem ou Mulher
quem se sabia assim - sem mais -
entre as inquietações mais bizarras
que nos prendem às coisas banais...
era uma vez na ponta da Europa
aonde os montes e vales
aonde os pequenos regatos
aonde os lugares discretos
aonde tua mão na minha poisava
aonde foi a simplicidade de se ser...
...humanidade...
aonde as aldeias bem cheias,
de tudo o que valha a pena esperar
sem mais imagens de virtualidade,
virtude de quem se manteve original...
aonde assentir e viver sem idade,
no olhar a faísca que revela a verdade
tu davas-me a mão - era por sempre,
eu dava a mão e era a fraternidade...
aonde a comunidade,
ser comum perspicaz
ser honesto em sinceridade...
garantia que de tudo eras bem... capaz...
sem provas e auditorias que velassem mãos vazias
desse dar a mão, dessa força na fragilidade...
desse amor perdido... para sempre... sem idade...
o teu lugar...
se dos teus braços abertos soubesse
se o teu olhar o meu visse e entendesse
se dos ecos de maravilha ouvisse
a melodia do teu sentir o meu sentisse
e se de tantos fossemos poucos - unidos
entre-tantos nos tempos jamais vazios...
lugares de sempre aonde sempre encontrar
uma voz eloquente que fale simples qual andar
lado a lado, aonde quer que fosse o teu ser...
estaríamos encontrados pelo facto de viver...
e do olhar, um sol pôr, poisados...
quais seres alados depois de voar
num lugar sempre novo,
sempre nosso;
sempre lar...
asas de sonho, coração de mar...
de um a outro lado, vago
em um ou outro emprego, cedo
e a alegria do fim do dia, dispenso
e o chegar ao lar sem abraço a reencontrar...
os momentos ocupados, por assuntos de distancia social...
lugares bem amados, transformados em outros para aprender a amar...
nostalgia do ser de fado, eco de comunidades separadas, migrar para todo o lado
destino que nos une e embala, vagas do mar escuro por sempre trespassadas...
ecos de outras vidas nas minhas melodias, ecos de povo que nunca deixamos de ser,
ecos das festas de outrora - fantasia dos lugares quentes onde jamais se perder...
lugar ao sol
se gostava, que neste nosso caminho
betão mascarado, estrada para outro lado
tu estivesses aqui, em tudo o que vejo...
...em mim;
essa alegria do regressar,
essa melancolia ao partir devagar;
esse ser sem sentido que vivo a procurar...
esse testemunho esquecido a reencontrar;
tantas possibilidades, tantos seres que se encontram nestas cidades!
e nós, gentes simples, lançados à procura dessas realidades...
...saudades:
do tempo em que tudo era bem mais simples: uma ocupação que nos preencha...
um tempo para ser preenchido por nós e tudo o que já se pensa, antes ser querido entre vós...
migrar e sentir que levamos tudo cá dentro
procurar, o lugar e o tempo... para se voltar...
a ser qual felicidade,
a sentir esperança
sem tempo ou idade;
e acreditar, que cada alegria,
leva mais perto do despertar:
um dia, uma nova alvorada,
um olhar fixo em mim -
mais nenhuma outra morada;
sábado, novembro 21, 2020
um poema qualquer... basta olhar e escolher...
para quem estarei a escrever?
teus olhos jardins da cidade maior - eco desse Ser interior
entre portas abertas e mesas vazias...
reencontros a horas certas...
se os olhares se cruzam nas despedidas;
e esse saber de cumplicidade
que irmana neste labirinto no coração da cidade
algo mais vivo e ardente;
algo que caminha no ser de ser gente...
simples ao se ver no olhar...
humanidade se nos deixar:
eco das horas por ser preenchidas
ruas e as avenidas por percorrer...
Ser que ignora ainda ser criança...
humanidade vestida de homem ou mulher
o teu poema... sempre no nosso tema
poesias de horas cheias
imagens de melodias
com letras qual colcheias
e ao chegar o ocaso...
sem ser por acaso
preencher esta carta
descrita para ti...
expedita de ser e encanto
fechada em envelope de ser tanto
e entregue mão em mão... assim;
lançar palavras no vento
plantar num lugar - sentimento
esse tal balcão aonde te abeiras
esse tal coração do que jorram... a meias:
por este ser espelhadas
pelo teu querer reveladas
e em cada nova leitura
uma nova conclusão...
reticências reclusas
deste ser qual irmão
e se a fraterna palavra
fosse de venda em venda pregada
ali aonde se anunciam pregões e mais nada...
assim estaríamos cegos para a reviver
pois jorra de aonde também nasce o ser
seguir assim... entretanto...
dando um pedaço de mim em cada canto;
e nos ecos que fazemos... ao se ler
os versos têm em si o dom de condizer
a luz do nosso olhar
percorrer as avenidas
cheias de gente... vazias
desse sentido que há em ti
desse ser que - perdido
- procura o lugar em mim
encontrar, um jardim de gente
aonde se poder abeirar
água viva, fruto ardente
aonde se comungar...
de ser e estar
entre emoções ou águas
a fluírem assim devagar
para que as vejas,
espelhadas...
no teu rosto
nas tuas pupilas
...iluminadas...
um riso, um gesto de calor
uma aproximar de humanidade
neste clima que conta a cidade
Inverno parecendo...
mas quente
por dentro;
calor de humanidade
um algo que se leva
ai aonde esteja a vontade;
estrela polar
uma réstia de esperança
numa noite escura...
uma estrela fixa
aonde tudo muda...
ver o teu olhar iluminado
por estar lado a lado...
saber que no caminho
não se caminha sozinho
olhar esta imensidão cadente
metrópole que nunca dorme...
ouvir cantar sereno entre a gente
essa verdade, sempre forte...
sentindo que há um sentido...
dando tudo por vê-lo cumprido...
ouvir amigos por perto...
um passo que se faça certo
frases pequenas para gente grande
palavras apenas para ser gigante...
possa ser assim - esperanças
soletradas... as palavras perdem graça
a poesia rima, chega e entrelaça...
desde esse coração que a lê e entende...
saltita ao som de uma melodia cadente
está entre tudo e por entre toda a gente...
quando damos um simples abraço
de humanidade sempre quente!
quando sonhamos realmente...
cremos, nos unimos e vamos em frente!
sexta-feira, novembro 20, 2020
p rosa a rim@ r
sei que hoje é difícil seguir linhas a mais... que nos temas que ateamos nestes ecrãs virtuais teríamos de respeitar o marketing das empresas que nos vendem os mesmos temas que partilhamos... humanidades que se desprendem, sonhos que se perdem nestas avenidas, ninhos simples que se tornam guaridas e pequenas obras de mestria entre a tela sempre vazia...
se chegasse, se uma fotografia falasse, porquê escrever sempre mais? se os rios de tinta espessa brotassem a jorros no que se pensa para quê vos esforçais? poesias dos nossos dias que se penduram sempre mais, prosas serenas e discretas entre técnicas e poemas das tecnologias digitais... criamos gaiolas rosadas para pendurar risadas entre seres iguais...
e isolados, lado a lado, colocados por entre o entramado de ruas e beirais, destas cidades de letras capitais, entre tantas melodias, outrora esguias que se engrandecem sempre mais... e sonhamos e cremos que nos abeiramos quando nos vemos nem nos olhamos e quando estamos parecemos que já não há jamais... que ver e descobrir na humanidade, no estar perto sem tempo e sem idade, comportamentos sempre grupais...
crianças educadas em casas quadradas, adultos às voltas nas esplanadas e seres de idade vagando sem vontade... quadrados entre linhas planificadas aonde as letras entrelaçadas das humanidades já não parecem ter valores iguais...
e o tempo ser qualidade, marca mais a vontade que tudo o demais... preencher de mim este grito, exato pertinente expedito, lançado qual cápsula espacial ao espaço sideral esperando encontrar vida aonde nada mais havia a não ser estrelas e constelações siderais...
e nessa terra prometida, por ora ainda vazia, esperamos plantar - um laivo de esperança para todo ser criança que ouse se abeirar... desse ser recatado, que passa ao nosso lado, à procura de ser qual os demais... e nessa esperança velada - entre o tudo e o nada - berrar! e lançar num milionésimo do segundo o que está neste meu mundo, para os corações vivenciais...
e esperar... uma resposta - originais - que regressem de outras vozes que fujam dos seus algozes e nos elevem a par, que sejamos mais que um, que dos medos tenhamos nenhum e dos sonhos algo no que repousar... se desse abraço em cada espaço nos reconhecesse alguém - milhões! são milhões de corações palpitantes percorrendo cada instante e nenhum se encontra aonde já há mais?!? estranha sensibilidade de um tempo sem idade aonde a ida não tem volta e ao voltar da esquina se encontra o mesmo olhar...
ecrãs, que se levam, no bolso das calças e nos formatam ao seu tamanho singular, cortamos pedaços para entrar nesses abraços virtuais... marcamos tempos nas agendas sempre iguais, esperamos que a tela colorida nos ensine a colorir - enquanto a humanidade vazia se desfaz ao se esvair...
somos o cheiro a presença a humanidade desse gesto de eternidade que nos levou ao extremo da expansão, do nada voltamos ao tudo, sem camisa, sem mais sobretudo do que um abraço qualquer...
esquecemos depressa essa serenidade, deixamos de dar prioridade e escolhemos uma coisa sem querer, uma voz de sereia sempre na maré cheia, levando aos rochedos de praias esquecidas num mapa sem marcar... esperamos que essa longevidade nos devolva a salubridade que esta juventude deixou para atrás... e entre o sonho e a realidade a linha que nos pauta a vontade parece recuar cada vez mais...
assim fica expressa a vontade de quem meça esta humanidade a berrar, e entre canais e escolhas ficamos nas escolas do tempo virtual, realidades relativas que para uns são vidas e para outros apenas perspectivas deste novo querer... uma coisa qualquer melhor do que a anterior...
iron ias
agradeceria, cometários sobre a nostalgia...
neste esperar, fazer-se algo útil
entre a arte subtil do rimar...
como um nascer do dia:
lançar pontes sobre o desespero,
para ver a luz do teu olhar de segredo
pintada sobre a estrada pavimentada
a sorrir e assentir, sem mais nada...
alvorada...
a sorrir, quem sabe...
assentir sem tempo nem idade
quiçá a ver além do ser real:
o escrever sonhos indiferentes
por entre as melodias
e os dons de gentes
que aqui pairam pelos beirais;
palavras sempre veladas
letras sempre a mais...
e doces sentidos,
para sempre vivos,
por entre os temporais;
destas sombras nas avenidas
quando se recolhe a luz dos dias
e as horas se tornam invernais...
rimar quais obras primas...
frases às que aspiras
entre olhares sempre iguais...
desencadear de fantasias...
quando os temas que dizias
eram os meus breves finais...
por entre reticencias das belas ciências sociais,
estar perto na distância que nos gela os ideais;
de Vénus aM@rte
ao descobrir cada poema numa linha seguida dentro de uma cidade qualquer...
e entrar de investida, sem aviso prévio nem guarida, para seguir os teus ideais...
e ver que cada tema tinha uma sequela escondida esperando o teu ser de Mulher...
passear pelas guaridas das ruas e avenidas pare se ver, cuidar, assim mais os animais...
e nesse Homem perdido, entre tanto ser escondido, que espera uma esperança para renascer
voltar a crer no ninho, neste lugar - sempre sozinho - neste entramado aonde ainda as vemos iguais
a estrela cadente, nesse horizonte - a mais quente - a que anima poentes sem velar, a que te levanta na madrugada quando se apagam as demais...
solstícios - palavras ao vento sobre o sentimento
nesse teu olhar, a olhar o meu...
nesse teu sentir, a viver o céu...
nesse teu querer, avivar sem mais
luz do horizonte,
linha terna que nos une,
promessa de um novo amanhã...
aonde se elevam as trevas quando tudo o que temas seja realidade sem fim
quando o nascer do dia seria nova alegria para ti e para mim... se chegasses
aqui... a este recanto, a este poema sem encanto,
a esta letra sem melodia para se poder c@ntar...
palavras ao vento,
sobre o sentimento
nesse algo que chamamos amar













