O sprint começou… é tempo para pensar o mínimo; para sentir o estrondoso explodir da hormona ou a eterna liberdade do ideal vago e utópico – aparentemente perto e nunca alcançável – mas sempre optimizável: (compre complementos e a sua vida melhora!), acessível a qualquer pessoa – “Você tem o direito de ser feliz – se não o é – é SUA total responsabilidade!” ("INCoverTo" não assume responsabilidade pela penosa existência a que TODOS estamos sujeitos: Qualquer parecença entre “isto” e algum período feudal medieval é pura coincidência e se - por acaso - pensar que paga mais impostos do que outrora é apenas porque o argumentista da tragicomédia onde navega todos os dias se esqueceu de colocar o asterisco no local correcto para corrigir a afirmação de que nada mudou e apenas o aspecto parece diferente).
Faça o curso "I", aumente com o anexo I’, faça o seguimento do curso com o complemento “m”, seja melhor do que o vizinho com o suplemento especial “f”; consiga duas vezes mais pelo investimento inicial com o complemento “you”; poupe tempo e dê mais tempo aos seus com a actividade “ck”; desenvolva o seu poder de opção e dê sentido aos complexos da sua vida com o título “ed”; no fim: porque você e os seus precisam de se divertir, vá desfrutar do filme estrondosamente 3ds “up” – “Altamente”! e ria e chore com a avozinha, o avozinho e a criança virtual - enquanto os seus estão algures numa instituição particular qualquer a apodrecer – ehem – a crescer: como cidadãos (porque somos modernos, responsáveis, civilizados e conscientes, claro!).
Cena 1 – objectiva sobre a cenoura…
A cenoura abana, ondulando – plano detalhado da cenoura em varrimento – cores douradas e amarelo entre um laranja “kiche”…
Um fio – pendendo frente a atrás – tenso como uma linha de pesca… a câmara sobe, acompanhando um vermezinho que se arrasta fio acima: ondulação atrás de ondulação.
Cena 2 – objectiva ao longe – as ondulantes extensões de erva ao vento, o canto de uma águia ao fundo – ecos de liberdade. Riscos montanhosos em fundo avermelhado, enquanto o Sol se faz ocaso.
Eco da águia sobre o fundo do vale câmara que varre o céu outrora azul, tingindo-se de cores escuras enquanto as primeiras estrelas acendem no firmamento…
Cena 3 – Um som irritante vai ecoando sobre o grito da águia que se esvai. O terreno acidentado vai-se observando em detalhe – os cristais perfeitos dos pedacinhos de quartzo - vão cedendo lugar aos pedregulhos escancarados de um caminho de cabras entre um monte íngreme, tão íngreme que o “me” escorrega e cai.
A parte de trás de uma carreta de madeira - toscamente trabalhada - balouça nas tais ondulações harmoniosas, enquanto a câmara vai subindo lentamente para identificar o condutor do veículo móvel. Tralhas sem jeito – televisões usadas, pedaços de porta de carros velhos, cobertores com tomadas pendentes… um sem-fim de "ferralha" compõe o cenário, enquanto o zoom máximo da câmara virtual leva o espectador até à ponta da barcaça móvel onde estará o condutor…
Cena 4 – O eixo da roda - a roda que roda… o vento que sopra e uiva e o pó que se levanta. Verde de fundo na erva que ladeia o caminho estreito, vermelho fogo enquanto o sol se despede por debaixo do carro que roda em velocidade estonteantemente… lenta; mórbido: o som de roda sem lubrificar vai enchendo o espaço da sala virtual, onde o espectador assiste impávido ao filme última geração da experiência IMAXina.
Cena 5 – a câmara mergulha – ouve-se o batimento cardíaco pausado e profundo, sente-se um respirar cansado, a humidade da sala aumentar e a temperatura ambiente a ficar quente. A cadeira vibra como se os músculos tensos não pudessem suportar mais tensão, os óculos virtuais fecham-se sem mais foco do que um ponto de luz brilhante que se vai perdendo na imensidão – de repente a imagem passa para o exterior – o espectador última geração vê a imagem do burro, olhando extasiado para um espaço infinito onde dança - de forma cada vez mais lenta e pausada - uma cenoura pendurada de um fio, em um pau esticado...
Ao longo do tempo, miríades de deidades pessoais se têm interposto entre o óbvio e o escapismo, de forma a levantar ídolos de bronze onde apenas há o mais evidente – o que UNE E LIBERTA.
É fácil de AMAR um ideal abstracto, um qualquer guru iluminado que nos prometa mundos e fundos (sobretudo em época de pressão psicológica intensa);
Fácil de embarcar em viagens a lugares exóticos para a satisfação imediata da curiosidade e vontade do novo… mas – será que sou eu que decido ou algum sistema de marketing e consumo está a decidir por mim?
É fácil invocar a guerra do masculino contra o feminino, do feminino contra o masculino, dos árabes contra o mundo judaico cristão, das crianças maltratadas ou de qualquer outra “novidade” que “nunca existiu antes com tal intensidade e necessita da nossa atenção consciente imediata” e nos impeça de ver que os pilares que movem o mundo se mantêm os mesmos.
Lembrem: temos de salvar o planeta, os animais, as plantas, as florestas, a economia, a política – “hobbies” extraordinariamente importantes - sem dúvida…
E – para que estas cabecinhas pensadoras estivessem aqui, em primeiro lugar - e para aprender a amar conscientemente: deu-se o passo de fazer dois seres transformar-se num novo ser; deu-se a oportunidade para que esse novo ser cultivasse a opção consciente de amar um outro ser para além de si mesmo; de forma a que o ciclo de AMOR se perpetuasse.
O que vejo na fauna e flora diária e na ecologia moderna é uma ameaça ao "balance" do planeta: o pilar fundamental – o abraço humano – está em riscos de extinção.
O que vejo é o AMOR humano em riscos de entrar para uma nova dimensão paralela, de harry potters e varinhas de condão, “alienada” no abraço ao vazio e ao abstracto quântico como desculpa (desculpem – opção alternativa) para iludir o óbvio.
O que sinto é que dói cada vez mais a separação daquilo que é mais íntimo e puro na essência de estar vivo – o sentido de pertença, o carinho e ternura: paixão ancestral refinada à base de tempo, dedicação e entrega. Tudo parece extraordinariamente importante para o MEU desenvolvimento como cidadão, como profissional, como homem, como entidade cósmica, como adjectivo qualificativo ou substantivo para além do genérico e – o óbvio – aquilo que se cultivou desde tempos imemoriais – parece ter-se deslocado do centro do campo de visão…
Pois o mais importante – para este ser humano – são as pessoas e, dentro disto – amar é prioridade.
Agora – cada qual com cada quem - arranje a sua forma colorida de preencher o mundo de cor, luz e alegria (ah! Às vezes dói que se farta mas – já alguma vez teve algum ciclo de vida no que a dor não estivesse associada à alegria, ou na que as dificuldades não antecedessem o bem estar?).
Talvez algum dia cheguemos a uma terra idílica onde apenas exista o verão – lá veremos que fazer com a fruta murcha no chão ou até ficaremos com saudades das flores de Primavera sem o Outono e o Inverno que as antecedem.
Quantas vezes que se escolhe e se encolhe a escolha, se vai em frente e vira de lado?
Quantas vezes o carácter partido por esperar encontrar uma resposta que apenas surge após se ter escolhido dar um passo?
Quanto se deve ir atrás da ilusão do efémero, de cultivar o fútil em vez de dar azo ao sereno, sólido e firme?
Procurando o sagrado nas fábulas fáceis e cultivando o profano no sagrado da intimidade… esses não somos nós.
No coração ainda cremos no amor – por muitas voltas que a vida nos tenha convidado a dar… ainda cremos que podemos lá voltar.
Sou ar de signo, água de sentimento, fogo de carácter e terra de berço… sou tudo isso e sou mais – sou as escolhas do meu caminhar – e renasço em cada momento com um “sim” claro ou um “não" cristalino.
A vida é o que faço dela – como o tempo: dá como resultado o projecto que defini – e cada vez custa mais apagar a folha e reescrever nela o teu NOME:
Vamos caminhar – traçamos o rumo, escolhemos o trajecto e desfrutamos de tudo aquilo que o caminho der a partilhar…
CADA LUGAR TEU É SAGRADO - cada passo do teu caminho te trouxe até nós – no profundo, sabes isto... agora: cada momento nosso é a verdade, amanhã – se os não alimentamos – serão apenas lembranças e restolhos entre os muitos outros fragmentos humanos que ainda vagam errando por ai e além…
Mais logo – deixando o nosso espaço vazio – não guardado – perdido e enterrado entre milhentos espaços iguais – cada lugar teu será igual a outro lugar qualquer, cada gesto teu será um gesto igual a todos os demais… e a rosa deixa de ser especial e transforma-se numa outra rosa banal – e eu quero-te livre de tudo isto… por isso MORRE E RENASCE - comigo...
O que fazer quando sinto que não sou o centro da minha existência?
O que fazer quando o Universo gira rápido demais e o centro deixa de estar no coração para estar na mente?
Parar…
Há quem teime em acelerar – porque assim se resolvem as coisas…
Há quem deseje ir mais longe, arriscar mais, dar mais o litro, esticar mais a manteiga sobre o pão…
E depois há quem precise parar…
No fundo – as prioridades – são sempre as mesmas… a mesma que estava lá no início…
Antes de que houvessem horários assassinos, tarefas idiotas, prostituição das horas e dos tempos em prol de um melhor leitor de C.D, de uma educação musical mais elaborada para o filhote ou um verniz mais elaborado para a unha postiça…
Antes de tudo isto haviam dois seres humanos que se abraçaram, e tudo o resto foi concebido para que esse abraço permaneça eterno…
As prioridades, para ESTE olhar sobre o mundo, são os seres humanos e o seu coração…
Quando as prioridades não existem, vivo para um mundo de arbitrariedades…
No fundo – quando não se sabe para onde se vai – todos os caminhos são bons…
Roçamos o nihilismo e - da fase da revolta - passamos para o cordeirismo servil, para a alienação de ideias novas que modifiquem a estrutura ou para uma estrutura que dê mais e peça menos…
À falta de um abraço (sim, um abraço de uma hora por dia, terminava com todas as asneiras das linhas acima, além de encerrar metade das instituições psiquiátricas do país, dois terços das prisões, três quartos das unidades de internamento oncológico e a totalidade dos cargos de chefia que actualmente gravitam no país das gestões dos tempos, dinheiros e vidas humanas quantificáveis)…
À falta de um abraço - temos a ilusão mental do mesmo – através de filmes, livros, novelas e imaginações fugazes de encontros de ponta que descarregam hormonas em catadupa – para depois manter as mesmas asneiras suicidas em cada passo que damos na vida… ao agarrar o telemóvel em vez da pessoa, ao conduzir-se carros como animais perigosos entre a selva citadina, na reactividade hostil quando não nos satisfazem as prioridades…
No fundo – civilizar implica desumanizar e – neste processo – a tortura pode ser mais ou menos evidente – ainda que termine - na esmagadora maioria dos casos - na construção de um casulo sólido e cinzento – no que outrora habitou um ser vivo palpitante de luz, cor e energia.
Bem-vindos ao momento, à aparência, ao compre agora pague depois, ao use e abuse sem pensar na consequência, ao consuma agora pois todos são famosos, estrelas e heróis do seu próprio filme…
De um coro universal ao som de uma ave delicada cantando entre o vento… seu canto voa longe… invade a alma peregrina que vaga perdida em pensamentos e sombras…
De um dom abafado até a um canto livre, de uma promessa quebrada até a uma esperança reacendida… quantos vagamos por entre a sombra até ouvir o som do pássaro que anuncia o nascer do sol?...
Ouvia a taça tibetana, sentia a sua vibração, entrava em sintonia com o ar que vibrava, com o som que se dividia em agudo, base e som habitual. Modulava o fluir da haste que lhe dá sentido, sentia o centro na respiração, eu era o som, era a taça, era o ar que entrava e saia dos pulmões e que ecoava em redor… e, subitamente, os sinos da igreja começaram a tocar. A minha taça respondeu e vibrou – um som subtil – como um canto claro, que se fez cristalino.
Uma voz de criança ecoando entre as sombras, que se elevava em ondas de bruma numa manhã cinzenta…
Parecia que aquela magia terminava ,quando outro sino tocou ao longe e – estranho – a minha taça ecoou nesse canto fino, nessa voz apenas perceptível, nesse raio de sol por entre um dia de inverno; depois um terceiro sino ao longe iluminou o éter… a minha taça, o meu ar nos pulmões, os sinos ao longe e todo o ar que vibrava entremeio - todo o tempo que passava entre os três, e a distância que parecia separar o que está sempre junto – nesse instante, nesse lugar – tudo se fazia um e a luz cantava…
Se tudo o que amo e amei, ao longo de todo o tempo e espaço, entrasse em sintonia – como um coro de vozes intemporais, como crianças que cantam em uníssono, e se unisse ao mesmo acorde de luz dos que amam, então o mundo seria iluminado.
Se – no caminhar - sentisse ecos dos passos daqueles que amo e amei, caminhando em silêncio, em frente e atrás, lado a lado, então a marcha seria um rio e os entraves da vida seriam desbordados por esta força que move montanhas e limpa as imundícies da vida.
Se cada ser que ama a vida e aspira a ser parte de um mundo melhor, respirasse em uníssono, criaríamos uma brisa que seria vento, levando as nuvens negras para lá do horizonte.
Como vasos tocantes, sintonizando aquilo e aqueles que me fazem sorrir, sou mais do que eu. Estou em contacto com aqueles que amaram no passado, como aqueles que amam agora e impulso aqueles que amarão no futuro.
Adquiri uma taça Tibetana, com ela aprendo todos os dias…
A taça Tibetana é composta por ligas de metais – de 5 ou 7 metais e traz um “pau” que pode ser de madeira variável.
Se lhe retiro “o pau”, e mostro a minha taça, há quem diga “que lindo vaso!” ou “que malga de sopa tão querida!”… em parte têm razão – pode-se fazer tudo isto com a taça, sim. Se os condicionasse colocando conscientemente uma flor e terra ao lado ou até uma colher, talvez tivesse o efeito ainda mais reforçado.
O sentido da taça é mais profundo, e é perigoso utilizá-la para outro fim. Certos metais são tóxicos se absorvidos em grande quantidade para a corrente sanguínea – talvez a ideia da malga de sopa não fosse muito útil. Certos metais não são tão benéficos como o azoto para servir de “adubo” para plantas e poderiam ser um mau caminho para as flores…
A taça tem um som maravilhoso. Cada taça tem uma constituição, uma medida e gramagem (peso). Cada taça tem uma pega feita de uma madeira diferente.
Os amigos budistas eram conhecidos por caminhar com uma taça onde lhes entregavam arroz quando “pregavam” por aqui e além – era a sua única pertença…
Na taça estão gravados símbolos – como o nó infinito.
Se cultivar a atenção, posso ouvir (e quem sabe – prolongar?) o som da vibração da taça até que se expanda e se desdobre…
Se cultivar a atenção, posso utilizar o “pau” da taça como forma de gerar “vibração” ou como forma de modular vibração – som… e talvez algo mais.
Quando rodo o “pau” a taça emite som… vibra… a minha atenção modula o som e o “pau” modula a taça…
A taça e o som vibram de forma diferente na minha barriga cheia e na minha barriga vazia, vibram diferente no caixa peitoral sobe o esterno e pulmões cheios e vibram diferente com pulmões vazios. Vibram diferente com uma t-shirt ou com a pele nua…
A taça, o “pau”, a mão que o agita, os pensamentos que cruzam a mente que o comanda ou o vazio que a preenche, a atenção focalizada no som dão origem a triangulações extraordinárias na vibração “consciência”… um mágico jogo de cores transformado em som gerando uma melodia que paira no ar… várias consciências em círculo com um intérprete, uma taça, um pau e uma sala silenciosa que vibrou ecos de verdade.