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quinta-feira, julho 15, 2010

A galinha que atravessou a Estrada

Lembro o Fozzie, um sábio urso de peluche que aparecia no programa dos marretas e que, na infância, alegrava as minhas tardes com as suas anedotas sem piada e a sua forma de “ser” (se é que um marreta de peluche tem disto) ternurenta e emocional.

O curioso do Fozzie é que, inevitavelmente, procurava encetar conversa com os seus interlocutores utilizando a mesma pergunta: “Porque é que a galinha atravessou a estrada?”. Inevitavelmente obtinha a mesma resposta – um certo desprezo… ai ai, se os sábios fossem apreciados pelo que são e não pelo que deveriam ser, que mundo mágico e de cores garridas seria este!

Hoje, ao circular de forma acelerada pela via rápida - em direcção a um objectivo impossível - esta personagem cruzou a minha mente enquanto um amigo conduzia apressado e chateado para me levar a bom porto.

“Vou fazer-te a pergunta mais importante da tua vida, concentra-te para dares A resposta certa”.



Para quem corria o risco de chegar atrasado a um compromisso altamente importante e inadiável (tretas que cada vez ganham mais valor nas nossas vidas e que nos retiram cada vez mais tempo e prioridade para o que realmente importa) a pergunta pareceu completamente fora de contexto… mas ele lá se aprontou para aparentar que se concentrava e se esforçava ao máximo por dar uma resposta coerente.

“Porque atravessou a galinha a Estrada?”

A resposta que dei não facilitou muito a coisa… apenas a informação contextual começou a abrir alguma brecha na sua carapaça de preocupação. Logo, nova pergunta de orientação dos seres lógicos e racionais:



“Porque atravessamos a existência?”…

Bem, de certo que, “Para chegar ao outro lado” pode resultar uma resposta coerente e – por isso - o meu tom de conversa deve ter penetrado no universo das coisas coerentes, lógicas, com sentido e – talvez – com alguma dose de inovação e genialidade (a modéstia pode ficar para depois, já que há a consciência de que “sintonizo” pensamentos sem que seja eu necessariamente a emissora que os colocou no ar).

Havia algumas galinhas que – como reza a história – procuravam cruzar para o outro lado. Uma delas, por força de vontade, definiu a parede divisória entre as faixas de rodagem como primeira meta para a sua aventura. Olhou, definiu e avançou a ferro e fogo - ignorando todos os sinais de alerta que o seu ser poderia inventar.



Houve um clarão, houve um momento no que tudo muda e, simplesmente, muitas penas a voar no ar no local onde o camião arrastou o galináceo para a sua existência no infinito…

A galinha nº 2 era bem diferente. Estudara no aviário mor, sabia de gingeira o código de linguagem canino, caprino, ovino e até alguma nomenclatura dos teimosos gigantes de duas pernas.
Analisou a situação, observou as duas faixas de rodagem, a linha separadora com o seu muro. Calculou a velocidade média das viaturas, diagnosticou as probabilidades de passar incólume por entre o asfalto…

Logo ali ao lado descobriu uma passagem aérea destinada a peões, encaminhou-se célere para tal lugar, subiu os degraus da glória, atravessou a via rápida e… prontos… atravessou!



Uma sensação de vazio invadiu a viatura. No entanto, como sempre, há uma terceira galinha, uma terceira via, um terceiro caminho, uma forma diferente de fazer as coisas…


A galinha nº3 era curiosa… bizarra até.
Determinada como a primeira, inteligente como a segunda e – mesmo assim – bastante igual a si mesma. Entra pela faixa lateral, sobe até à linha média – a dos tracinhos descontínuos – coloca as patas coriáceas bem afiançadas no asfalto quente; saca um lencinho vermelho de entre as penas e, de repente, começa a ondular.



Vem o primeiro carro, 110 km/h. Olha-o de frente, fixa a grelha frontal e… “Olé!” -passe mortal virando costas - enquanto a viatura desliza no espaço que se perde para além do horizonte; nova viatura, passe lateral, pata cruzada com deslizar suave e lenço sobre a crista da mesma cor encarnada ou vermelho paixão… “Olé!”.

Aumentam os carros, hora ponta para ir ao trabalho e a galinha cada vez mais entusiasta a fazer “Olés!” deslizando por entre o asfalto numa dança na que apenas ela ouve a música.

Não sei se esta galinha atravessou a estrada ou de que forma terminou o seu percurso. De certo que os “Olé!” que arrancou ao espaço silencioso, ao eterno vibrar, mereceram ovações de júbilo dentro da estrutura da realidade.

Certas questões abrem brechas na parede de certezas com a que se vive o dia a dia. De certo que uma galinha dançarina e toureira faria o Universo duvidar… e sorrir.

"OLÉ"!


Um abraço almas peregrinas, até logo!

terça-feira, julho 13, 2010

Saúde

Relação, amor – a si e ao outro, sorriso, abertura, bem estar…


Patch Adams, um ser humano diferente, um médico único.





terça-feira, julho 06, 2010

The Burning Heart

...poderão apagar as palavras,
e o eco da minha voz desfalecer,
poderão reescrever a história
fazer a vida perecer


não podem, nem nunca hão de poder
mudar a verdade que habita na alma
ou inverter a força que faz o coração bater:
mudar o amor e fazê-lo morrer

You RISE me UP





When I go down, there's a power higher than the Sun, which rises me up back to my feet...

That power believes in me beyond any reasoning, beyond any questioning, beyond any force of this world...



Believe!

sexta-feira, julho 02, 2010

Sister Soul



Reconhecer na voz do outro um eco claro,
Ouvir na sua história a história do meu próprio caminhar…
Acolher a crónica dos dias e horas se desenrolando,
Proteger, estendendo as asas, para esse mundo abraçar…

Sorrir para o sorriso que se vê no espelho,
Aprender a abraçar por inteiro aquilo que o outro tem para dar…
Abrir as asas para a aninhar no peito
Descobrir assim que, com asas, se pode voar…

Elevar… o ser,
A Alma aberta ao se sorver
Os actos, tempo, presença, intenção…
Descobrir o conteúdo da palavra “amar”…


Sentir… devoção:
Pelo mais simples gesto,
Pelo receptáculo vivo que alberga tua luz,
Pela luz do teu olhar




Aprender a dançar… a dois entrelaçar,
o mundo que somos dentro, na música que vibra ecoando…
vida em movimento se transformando…
gestos deslizando…
tocar sem agarrar…




Para além do controlo ou controlado… apenas e simplesmente pairar


Falar com as mãos, com o abraço e com o olhar e – mesmo assim – não querer parar de falar

Fazer de cada minuto um Presente, querer vive-lo plenamente e o substrato da vida aproveitar

Partilhar… toda a vida que se encontra, o mundo as coisas e as pessoas, simplesmente para te ver brilhar


No fundo, um sorriso teu ilumina o mundo,
um dia é como um segundo e quero apenas voar

E quando um desce o outro se eleva,
quando um está na luz o outro mergulha na treva, num perene abraçar…





Olá alma irmã!

(Eclipse Total 2001)


Bom dia!

quinta-feira, julho 01, 2010

Airbender




Fluir entre as Chamas

Deslizar por entre as Paredes do Real

Contornar as Sombras Iluminando o Caos

Modelar as Forças para além do bem e do mal

domingo, junho 27, 2010

Somewhere Over The Rainbow


Somewhere over the rainbow… there’s a realm of quietness and beauty, a realm of ever vibrating colors and forms waiting to be born under our dance, inside our song…

What we can see, smell and touch is the echo of what we are… and there’s more of us echoing on the unseen and waiting to unravel under the delicate fingertips of our honest search for truth…

Love has become the bridge between the ever smiling awareness and the being which wanders recreating this realm until it may find “home”.



Two spheres of light becoming concentrical tune together under the same heart-beat and a third new entity happens in to existence…

segunda-feira, junho 21, 2010

Saltos



Entregar-se… vai além da mente…

Confiar… desafia as regras instituídas… um passo no vazio em direcção ao coração do outro espelhando o coração próprio… revela-se a serena confiança do centro palpitante da existência…

Caminhar de olhos vendados por que se confia vai além da capacidade que a mente recebeu para controlar o mundo e as coisas…

Free your mind… find your heart

quinta-feira, junho 17, 2010

Beyond the Invisible



Sereno, intenso, fluído,
vivo, mágico, subtil,
verdadeiro,
simples...

...é o coração do mundo, o que palpita em todas as coisas, que se reencontra através da imagem reflectida entre dois espelhos...

...é a dança, sintonia viva, que entrelaça os complementares numa melodia de reencontro na pauta original...

...é a filigrana que gera a realidade concreta tornando-se óbvia e palpitantemente presente...

bom dançar...

tão bom dançar... entrelaçar... viver e sonhar...





Enigma - "Beyond The Invisible"

I look into the mirror
See myself, I'm over me
I need space for my desires
Have to dive into my fantasies
I know as soon as I'll arrive
Everything is possible
Cause no one has to hide
Beyond the invisible
“Sajaja bramani totari ta, raitata raitata, radu ridu raitata, rota”
(The brave and wise men came together on horse)

Close your eyes
Just feel and realize
It is real and not a dream
I'm in you and you're in me
It is time
To break the chains of life
If you follow you will see
What's beyond reality

Ne irascaris Domine,
ne ultra memineris iniquitatis:
ecce civitas Sancti facta est deserta:
Sion deserta facta est:
Ierusalem desolata est:
domus sanctificationis tuae et gloriae tuae

(Do not be angry Lord,
or remember iniquity forever:
behold the Holy City is a desert:
Sion is mad a desert:
Jerusalem is desolate:
the house of your holiness and glory
)

sexta-feira, junho 04, 2010

... TU Verdad ...



Há uma causa para além dos efeitos deste mundo, que conhece o nosso coração … que o talhou em diamante vivo no princípio dos tempos…

Há uma casa na que mora o reflexo do que sou… nela me reconheço, nela o espelho que revela aquilo que se oculta no centro do meu peito…

Para além da intuição está a verdade… essa verdade que nasce do mais profundo, que deve ser berrada aos quatro ventos - doa a quem doer…



És mais do que alguém poderá alguma vez definir com palavras… o definir-te é reduzir-te, como dizia um ser sábio que encontrei alguns anos atrás…

Para além do romantismo das “músicas da vida diária” está o “grande oceano”, o Ágape onde a minha verdade se dilui na tua, onde a gota se faz mar…

Somos um, isto muitos o intuem… raro é que se navegue por entre as marés da incerteza até se topar a imagem viva desta verdade, caminhando e sorrindo com o olhar…

quinta-feira, maio 27, 2010

Caminante no hay camino... se hace camino al andar



CAMINANTE NO HAY CAMINO...

...sabes, hoje falei sobre paixão com uma funcionária da escola - muito simpática ela...

falava sobre sentir-se apaixonado;

ela dizia – “não é fácil, nos tempos que correm, com o passar dos anos...”

essas coisas “giras” que os "adultos" costumam segredar pelos cantos da casa de quando em vez e que as crianças apanham de vez em quando
(depois ninguém entende porque é que as crianças, quando chegam a jovens, não querem ser adultos, enfim…)

eu lá lhe perguntava - então, à quanto tempo está apaixonada?

ela lá vai dizendo - estou casada faz...

“Sim, compreendo isso, mas – lembra há quanto tempo se apaixonou?

Ela olha para mim, aparentemente sem compreender (ainda que o meu “dedo mindinho” diz-me que uma luz se vai acendendo no fundo do túnel, uma luz que – habitualmente – incomoda muita gente)

“não, não falo do contrato social - isso foi você que escolheu!”

ela agora olha para mim, entre curiosa e perplexa,

“eu falo daquilo que A ESCOLHEU A VOCÊ!”

Ela permanece com a cara de quem não compreende e com o olhar de quem sabe bem do que se fala…

“veja - o contrato social é quando combina sair ao mesmo tempo de casa, chegar a horas, pagar as contas juntos, programar crianças para vir ao mundo em x época…”

O seu olhar “vê para dentro”, revivendo todos esses “detalhes” re-conhecidos da vida da maioria da “gente graúda”…

“o estar apaixonado escolheu-a a você!”. Talvez seja a única força no mundo que não controla, talvez exista uma razão maior do que a razão para que isso aconteça ;)

é claro que, quando lhe perguntei à quanto tempo estava apaixonada não se lembrava…

Lembrava a data do casamento, os compromissos sociais.
Tinha presentes as pedras do caminho e a linha traçada no mapa ao caminhar, ainda que não lembrava as florestas e os rios nem a causa pela que iniciara a caminhada…

assim, é complicado explicar o que é o amor...

...SE HACE CAMINO AL ANDAR!

Como diria um sábio Gaulês:

estes humanos são doidos!

segunda-feira, maio 10, 2010

Artes Marciais

ARTESNo Sábado, estávamos na aula… os meus “campeões” de meio metro tinham vindo… como já se começa a tornar costume, entregam-se de corpo e alma (e eu bem que o sei, pois passam a vida a requerer a nossa atenção) durante duas horas, para aprender mais e dar mais.


Nesta dinâmica das artes marciais, é importante facilitar ferramentas de trabalho válidas para a vida do aluno… atitude, capacidades de raciocínio, cálculo de distâncias, orientação espacial, ambidestrismo, consciência do corpo, capacidade relacional, auto-confiança entre outras… bases de qualquer arte marcial que se preze.


Neste âmbito, vai-se criando um ambiente familiar, que se pretende intenso e agradável – o ser humano apenas desabrocha por inteiro no solo fértil.


As adversidades (os desafios) que lhes apresentamos são criados para reforçar a consciência das suas capacidades e da capacidade de transcender-se, não como formas de estabelecer limites estanque que os prendam desde dentro numa tenra idade.


Neste contexto, foram criadas equipas para torneio e demonstração. O estímulo para o desenvolvimento é enorme e, como contagiamos as crianças com a sede de aprender e de amar o que fazem na arte, torna-se complexo explicitar a criação de equipas diferentes dentro do seio da família mãe.


Como vão ter de competir uns com os outros, mesmo que entendam que são todos companheiros de trabalho, no fundo é complexo dissolver a sensação de vencedores e vencidos, de melhores ou piores…


A essência da arte marcial implica unificar a humanidade (como a dança, nascida ao mesmo tempo).


Como é complicado dar esta ideia a entender, dialogava com o grupo explicando perante as suas caras “virgens” neste assunto, que agora - ainda que fossem a mesma família e que continuassem a ser como irmãos, teriam que competir como equipas separadas, pois as normativas assim o exigiam.


O Gonçalo, de 7 anos, que tem sempre umas saídas engraçadas, chamou-me - dedo no ar:


“Professor, professor, tenho uma dúvida!”


Lá olhei para ele, com aquela cara castiça que o miúdo tem, procurando discernir qual a novidade que sairia daquela cabeça nesta ocasião.


“Diz Gonçalo”


“Quando disse que éramos como irmãos, queria dizer irmãos como filhos do mesmo pai e da mesma mãe?”…


Bem, o sorriso aflorou, e os de 10 anos lá se riram da pergunta do moço.


“Não Gonçalo, é porque suamos juntos, damos o máximo juntos e crescemos juntos debaixo do mesmo código de valores” – esta seria a resposta que lhe poderia dar logo que a pergunta aflorou.


O interessante é que as crianças conseguem trazer à superfície o fina que é a camada de verniz que os adultos aplicaram sobre a sua estrutura social para que esta aparentasse coerência e sentido…


Bem-haja as crianças que nos desafiam a mantermo-nos fieis à honestidade original.


MARCIAIS











terça-feira, maio 04, 2010

Forever


Sabes o que te mata?
O Oxigénio que respiras... oxida as tuas células.
Experimenta não respirar e viverás para sempre...
"Carpe diem quam minimum credula postero"

segunda-feira, abril 26, 2010

Rise and Rise again

Quando se olha no espelho e se crê no que se vê, para além do julgamento; quando o amor ultrapassa a moral e o abraço pleno é abrangente para nos acolher por completo: então despertamos…

Que o Universo te dê a força para lutar por aquilo no que crês e o saber para o fazer com precisão e confiança.

“Rise, and Rise again, untill Lambs become Lions”

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Dos Tempos

Contra o herói solitário, que combate tudo e todos com a sua vontade indómita, ergue-se o vazio do final do caminho uma vez as trombetas em crescendo deixam de ecoar na sala de cinema da vida.

Sem maior satisfação do que os limites quebrados e um tirano destruído para que outro se erga em seu lugar.

Esquece-se a força de uma mão estendida, o sorriso cúmplice de quem sabe que pode confiar.

Nesta época apela-se ao individualismo; à persecução de quimeras através da força de vontade de um homem ou mulher de coragem – que arrasta as multidões e as inspira.

É esta a mensagem que a minoria silenciosa pretende impor à maioria – para que comprem a ideia de que sós conseguem os seus fins e abandonem a protecção da sua força enquanto grupo; que as ligações que os fazem fortes se transformem em cadeias para que sós possam mais fácilmente ser predados pela máquina.

Neste época é fácil fazer esquecer que a força humana é a força das mãos unidas.

Nesta época é conveniente que as pessoas creiam que – competindo – se fazem mais fortes… e se esqueçam que a força do que se encontra no topo da pirâmide radica nos ombros de todos aqueles abaixo; que o sofrimento que causo ou vivencio – como o calor que emano – transpira para todos aqueles que se encontram em redor… somos um, só a ilusão não nos deixa compreender.

Se piso ou me deixo pisar a dor emanada alimenta a loucura colectiva e o círculo vicioso torna-se mais forte.

O ar que respiro é o ar que respiras, as emoções que emanas são as que recebo, os padrões alfa do teu cérebro pensante atravessam o meu córtex da mesma forma que as emanações electromagnéticas dos telemóveis reescrevem a harmonia das minhas células, com impulsos e pulsões…

Nesta teia de barulho não nos precatamos já da ausência de silêncio… para pensar claramente, para sentir amenamente, para agir com serenidade…

Com o acelerador a fundo e todos com medo, já quase não se age coerentemente. A compulsão leva-nos a esquecer o essencial e o tempo de que dispomos esvai-se entre milhares de actividades alinhadas atrás umas das outras.

Perde-se o sentido de profundidade - do tempo e da vida - uma vez que as actividades, os programas, as sequências do filme orbitam de forma acelerada sem que haja um plano único que seja coerente com a visão da realidade tal como a vivemos.

Dissociar a realidade gera o estilhaçar da lente que observa o mundo…

Não sabemos quem lucra com tudo isto, quem acelera os ponteiros, mas todos somos responsáveis uma vez aceleramos o nosso passo para nos aproximar da imagem proposta à maioria.

Como se uma nuvem avermelhada, uma fuligem de vida gasta (e perniciosa), fosse envolvendo a nossa radiante e cristalina pureza até que umas comichões estranhas, umas reacções impulsivas, umas atitudes de sobrevivência animal fossem se insinuando entre as actividades outrora gentis.
Perde-se a inocência, ganha-se em poder.

Alucinados pela enebriante sensação de omnipotência, ébrios desta lama que se vai espalhando pegajosa, lançamo-nos a desafiar os nossos limites sem compreender que as linhas que vamos reconstruindo eram a final a filigrana que compunha a melodia harmoniosa da nossa existência.

Agora soprem os acordes triunfais dos tambores anunciando os novos tempos.

sábado, fevereiro 06, 2010

Causa

Porque é que milhares de pessoas lutam contra a maré, dão o seu corpo, mente e vontade para conseguir um objectivo?


Será por arrogância, ganância, competição, falta de algo melhor que fazer… ou porque amam o que fazem, se sentem tão apaixonados por aquilo que os move que se dão por inteiro e o fazem de forma plena?


É assim que tem de ser. Sem paixão, o mundo termina. Sem vontade as pessoas zumbificam.


Sem uma linha que marque o norte anda tudo à deriva… e essa linha está no coração.


Quando se ama não se compreende – simplesmente sabe-se.


Quando se ama não se pensa, actua-se.


Quando se ama parece que é restrita a estrutura que nos contém, logo expandimo-nos.


Ao contrário, o medo reprime, arrefece a vontade e retira a força para caminhar. O medo constrange e arreda do caminho certo, desvia a vontade e congela o olhar.


Em que caminho estamos?

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Sulcos

Porquê é importante fazer e ser o que se ama?
Porque, se não, ficamos iguais a um ser oco que caminha, pensa e fala mas que não sente.
Às vezes questiono-me sobre as razões que motivam as pessoas a avançar, a perseverar, a concretizar sonhos…

Podemos fazê-lo pelo mero instinto de sobreviver – e ai somos predadores ou vítimas, ultrapassamos as regras sociais - idealizadas para facilitar o convívio entre diferenças que não se medem nos seus contrastes.
Podemos fazê-lo pelo prazer de caminhar – e ai necessitamos novamente dos limites para que o nosso bem-estar não afunde o mal estar alheio na completa falta de sentido. De novo voltamos às regras e limites.

Podemos testar os nossos limites até encontrar as fronteiras do que somos e embater numa parede que é mais forte do que a vontade – é a parede que marca as fronteiras da promessa que nos é dada e das terras áridas que são o mundo obscuro que se estende para além do que nos foi dado a viver.

O truque será que, para além do mundo tal como o vemos, poderá haver um mundo novo, que nos espera. A ilusão é a fronteira que tecemos com as nossas mentes – guardada pelos medos, pela frustração, pela falta crença nas nossas capacidades.

Mas há uma força, bem à mão, que se acende quando confiamos. Que aparece quando damos passos sem pensar uma vez marcamos uma linha orientadora para a força que levamos dentro.
Essa força é o substrato dos sonhos. Essa força é a água que nos alimenta, essa força é a criança dentro de nós entusiasta com a vida e o mundo e as maravilhas que se escondem numa rua que nunca visitamos muito ou na pessoa que sempre julgámos conhecer.

Assim, para além da formatação dos dias e das horas, para além das rotinas que são sulcos na lama, temos o novo e o criativo. Temos a arte de fazer uma vida nova de entre a multiplicidade das vidas em redor.
Também há harmonia no encontro de novas formas de se entrelaçar na dança da vida de uma forma livre. A questão é gerir a abertura desde a tirania das actividades programadas para a imensidão de um tempo não pautado.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Sintonia

Quando as sintonias que se ouvem no exterior conseguem penetrar a nossa fronteira, então somos presa da totalidade que nos envolve.

No fundo, somos um e ainda não o sabemos.

Sendo uma parte ficamos com a voz cortada, até aparecer o “eu”que fala e se responsabiliza pelo seu destino e opções.

As opções do indivíduo afectam o tecido do todo no qual se insere e do que é parte. A voz do grupo soa a acorde mal tocado quando a voz do um é mais forte ou fraca do que a voz do grupo. No fundo, somos um eco de voz alheia que se expande, um pedaço de lógica na intuição do universo, um homem que se desenvolve à rebelia no útero materno e que do seu pranto faz nascer um mundo novo.

Dois gritos – um que se entrega outro que reclama o ser. Qual dos dois berre mais alto dará origem ao novo saber.

Se ambos são sintonia, esse o mundo à de viver

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Síntese


O mundo Ocidental caminhava a passos decididos para a perfeição da forma, longe dos seus conteúdos: como aquilo que se faz com-paixão…


O mundo Oriental caminhou para a perfeição da não forma, o abstracto caminho da essência para além das formas, longe das benesses materiais, como o poder…


Como hoje sabemos que vivemos num mundo arredondado, não faz sentido falar de Oriente ou Ocidente, a não ser que se pense estar no centro do próprio mundo…


Procurar a cura é recapitular as opções realizadas, comprometendo-se seriamente a realizar novas opções que levem a um caminho diverso, dentro do plano das possibilidades que o mundo próprio oferece.


Assim, a cura do mundo é o compromisso com opções que promovam o desacelerar da competição desenfreada, sem que se perca a consciência de que a competição foi gerada para se obter a perfeição.


A busca da harmonia parece um bom tema de começo. Para isso aconselha-se o ouvir novamente música clássica (como Johann Sebastian Bach), dançar como um sufi e rodopiar com a vida.


Dedicar-se mais ao que se ama, lembrando que o tempo é uma medida de qualidade, não de quantidade.


Lembrar também que os modelos são importantes até se descobrir qual aquele que pretendemos concretizar.


Um abraço!

sábado, janeiro 02, 2010

Fluxo


Estive no Jardim ontem…

Havia beleza, simples e finamente traçada. As cores, as texturas, os sons, o refinamento das linhas…

De repente um aroma fétido encheu o ambiente à medida que me aproximava das Rosas…

Entre as rosas havia excrementos que o jardineiro colocara para adubar a terra.

Uns e outros beleza, pois não são desligados.

A beleza da rosa eleva-se sobre a massa indistinta de excrescências que a nutrem e alimentam e na qual ela se transformará com o tempo…
Tudo flui...

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Amigos


Entre o compromisso e o real existe uma linha

Um caminho mais recôndito e – no entanto - mais real, para aquele que paira no desterro dos dias e noites, sem encontrar casa e moradia certa

É o caminho dos que nos foram confiados e dos que em nós confiam

Frente a aquele caminho que indica o caminho das casas onde pairamos uma vez entregamos nossa vontade indómita

No fundo somos seres livres – e a liberdade é gratuita – somente os carcereiros inventaram um sistema no que se tivesse de comprometer a alma para obter aquilo que é nosso por natureza

Amigos são verdadeiros e acima de tudo

O resto são detalhes

quinta-feira, dezembro 31, 2009

Castelos de Areia


De novo no msn, com o ano que se aproxima de fundo:


muitos gajos bons
muitas coisas caras
muitas viagens
e festas
e promoções no trabalho sem fazeres pívia
muita treta sem mais nada de por meio
e tudo o que puderes ver na tv
enfim

para além dessas coisas importantes
que um passeio te traga um sorriso por veres o mundo belo
que alguém te diga algo que entendas para além das palavras
que o teu coração palpite por sentir a presença de quem desejas
e que tu não tenhas que mudar nada no que és para estares bem
tu és o que tens de ser
é o mundo o que está com problemas

terça-feira, dezembro 29, 2009

Rainbow Stone


Dizia à pouco a uma amiga no msn:

"às vezes pondero
porque gastamos tempo a dar atenção a linhas virtuais que ondulam no ecrã azul
se não nos vamos encontrar no dia de amanhã?
porque as pessoas precisam de comunicar talvez?
porque - no fundo do fundo - sabemos que somos um
e não aguentamos a consciência de estar separados...

só encontramos no nosso caminho aqueles que se encontram na nossa sintonia
os outros são invisíveis ao nosso olhar
como uma pedra atirada contra o arco íris…
para o arco íris - a pedra não é real
por isso passa pelo meio
sem o tocar"

Talvez...

sábado, dezembro 19, 2009

Os Princípios Irmãos


Nas páginas do real somos histórias por contar
No livro em branco do amanhã, promessas a cortejar

Se alçarmos a vista para além do horizonte
Não tropeçaremos nos próprios pés

És vida que se faz noite e és dia que se transmuta em manhã!

Almas que se entrecruzam, ecos da nossa voz:

Somos vida que se fez gente e gente que ruma contra a maré
Amanhã seremos mais fortes, hoje somos apenas três
E quando o dia suceda à noite e a manhã vença de vez
Entre tudo o que existe e entre aquilo que não és
Ainda verás um mundo diferente do tempo
E terás o tempo a teus pés
Se fores sujeito e fiel
Serás o que queres
Serás quem és

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Entre as Ondas



Se entre o dia e a noite existe uma linha

É crepúsculo dos tempos e aurora a dealbar

Caminhar ao de leve, sentindo pedras no caminho

E cantar sempre mais alto para recomeçar

Querer é apaixonar-se pelo que se sente e pensa

É dar voltas no espaço e dele fazer mansão

É querer sem querer e sentir querendo

É dar-se ao mundo sem razão

The deep


All that is gold does not glitter,
Not all those who wander are lost;
The old that is strong does not wither,
Deep roots are not reached by the frost.

From the ashes a fire shall be woken,
A light from the shadows shall spring;
Renewed shall be blade that was broken:
The crownless again shall be king.

Para treinares o Inglês ;)

domingo, dezembro 13, 2009

o Toque

Era mais do que evidente… à medida que os seres se separam, a consciência profunda da sua identidade grupal diluía-se no jogo de luz e sombra do Ego.

À medida que a ciência da mente pautava regras mentais, a capacidade de ir além das aparências e de abrir portas à esperança ia-se confinando cada vez mais a um orifício minúsculo na parede prateada dos sonhos.

Então, Annael mensageiro, ergueu-se contra as linhas que pautavam o visível e abriu as portas ao mundo que podia ser e que ainda não existia.

Neste mundo, veio a sombra e a luz sem par.

Veio o medo e a esperança.

O sonho de Annael era que as pontes que uniam mundos se fizessem mais fortes do que as paredes que os separam.

A sua voz ecoa desde as profundezas, e continua a entoar a sua melodia mansa e clara, por entre o turbilhão de vozes enraivecidas que compõem o inframundo.

Talvez algum dia se ouça o seu canto e se abrace a sua queda…

sábado, dezembro 12, 2009

Ecoando


Havia uma ponte que ligava dois mundos. Num deles o Sol brilhava e o dia era pleno. No outro havia uma Lua velada e as sombras dançavam, etéreas…

Em cada momento que uma sombra se elevava, um pássaro no mundo vivo cantava. Em cada sorriso que uma criança esboçava no mundo de luz uma flor de esperança desabrochava no mundo da sombra.

Os dois mundos tinham uma ponte, e esta estava escondida entre as sombras dos arbustos que limitavam as paredes de um céu azul turquesa pintado para ser assim.

E havia lugares onde as sombras dançavam para que os mundos se mantivessem fechados e não pudessem haver confusões sem que houvesse vontade verdadeira para os unir.

No meio deste eco, espero que ouças as sombras dançar para que saibas que o teu sol é pleno.
No mundo das almas, quando um dá, o outro recebe. E se um se entrega, o outro renasce.

Um abraço para ti que lês :)

Templos


Se pensarmos acerca do mundo, das coisas, da vida – vamos encontrar sempre as mesmas barreiras e limites colocados no entramado mental, para que este seja circunscrito – que a lógica é circular, que a mente não tem respostas e que o ser humano é muito mais abrangente e complexo do que o topo aparente da sua pirâmide.

Se sentimos o que somos, então ligamo-nos aos outros, às coisas, à natureza, ao pôr de sol, à música, ao ser amado e à vida de uma forma irreversível mas plena – é compreender “desde dentro” aquilo que se observa desde fora.

Adorar é prestar culto ao invisível e torná-lo manifesto no dia a dia. É cultivar um templo vazio de imagens e sons para que este esteja sempre cheio do que é importante.

No fundo, pode definir-se a plenitude pelo seu oposto, e pode encontrar-se o sentido pelo que se desconhece.

Mas, o importante, sente-se em falta e costuma ser invisível ao olhar – como diria uma certa raposa.

O importante é amar. E isto é uma ciência que a ciência ainda não descobriu.