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sexta-feira, dezembro 18, 2020

Teclados, poemas e pianos

Sentar frente ao teclado

Um tudo ou nada apagado


Se atrever a estender asas

Primeiro voo

Sempre novo

Saltar... e nessa confiança


Voltar a voar! 

E na magia da harmonia dessa tecla vazia

Poisar o olhar e com essa humana força

Quase divina, 

suavidade de corça que nos anima:


Adivinhar o ser que nos está a inspirar

Uma paisagem, uma qualquer imagem


Melodia desse dia 

ou doutra coisa qualquer...

Que passa por nós adentro

Ganha forma e sentimento

e se faz de novo repousar...


Até que um dia, por simples alegria

Olhes de novo as letras passar;


E no teu ser,

por querer – 

assim sem se programar


Aparece a imagem imaginada

Essa fotografia por nós entrelaçada


À espera da tua silente palavra

Para de novo a fazer voar...
e poisar suavemente
no coração doutra gente

Nas moradas

 

Trilhos de amenidade

por entre o coração da cidade

Lugares capitais,

interesses reais...


E nesse confluir devagar

Sangue vital 

passa entre ser igual

Para tomar seu lugar


Ali onde a vida permanece

Aonde o ser humano

jamais se esquece


Desse calor sempre sagrado

rutina do dia a dia profano


E a fagulha mais simples

se acende e ilumina


nossos mais simples passos

 

E nesse exultar de encontro

Nesse levantar de rosto risonho

E ver acima a passar

 

Avenidas preenchidas

Por estas e outras vidas


paredes de arte talhada

Qual a madeira mais simples decorada

Lá do nosso lugar, dessa outra morada

Ainda a se encontrar...

Humanidade indeterminada

 

Compor a caminhar

Pelos trilhos abertos pelo olhar

Nesse coração que se abre

De par em par

Abraço que sabe sempre a regressar

 

A essa morada

Sempre cálida, amena

Aonde se encontra o ser ausente

E a humanidade se achonchega

E jamais se acaba…

quinta-feira, dezembro 17, 2020

Ren as ceres



Sonhar, e voltar a acender essa luz devagar

Crer e perseverar

Nesse voltar a nascer em cada dia a passar

 

Dar passos,

novos em cada caminho a se andar

E nas veredas conhecidas

Olhar nascer alegrias

Onde se pensava conhecer o lugar

 

E nas esquinas plantadas

Surpresas amadas

Por se deixar levar

No estar atento…

No ser por dentro

Ser de novo a despertar;


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cuidar do querer

 

Se houvesse

Um tempo

no que se esquecesse

De se estar apressado

E assim lado alado

 

Ver horizontes

Voltar a brilhar

 

Frontes iluminadas

Por suaves e finas tiaras

Linhas desses sorrisos…

Que sempre aprendeste a doar

 

E nesse olhar atento

Nesse pungir de sentimento

Nessa amenidade suave

Nesse sentir em verdade

 

Acolher por bem querer

A prosa e poema

que faz cantar o ser

 

Qual corda de harpa consagrada

Que vibra e dança ao ser tocada

 

Por essa simples vida

em nós a renascer

 

Pelo canto mais alto

Sublime sem sobressalto

Que te foi dado

a cuidar e querer

 

E nessa hora

sem tempo ou demora

Alimentar sonhos poisados

Quais andorinhas nos

beiras dos telhados

 

E ai aninhar

E ver surgir em ti

As poesias mais vivas

que nos foi dado a guardar

sob ri edades

 

Quando me lês

De relance

 

Quando passa inerte cada instante

 

Quando o tempo a nos entregar

Definha sem cessar

 

E ainda crendo

Que é suave e lento

Sereno fundamento

A se acrescentar

E dar sem esperar

 

Retorno

Apenas uma escada

Dessa tua lavra

Dessa tua atenção prendada

 

Desse dar algo

plantar no nada

Até ver germinar

 

flor silvestre no olhar

 

A espera e a esperança, amena…

Desse algo que se bem sabe e leva

Por ai aonde nos é dado a andar

 

E nessa sensibilidade cristalina

Que deixa passar a luz do dia

Nesse estar despido,

nesse algo frio

Encontrar calor

e amenidade…

 

Sem mais tempo

Sobriedade…

 

Desse algo aveludado

Que cresce em mim

em ti e em todo o lado

pontes entre poentes de vida

Por entre as gotas deste viver

Encontrar pontes vivas para bem ser

E nessas novas sintonias

Ouvir antigas melodias

A fazer brilhar o crer

O se despojar para acreditar

 

E nesses arcos de luzes novas

Nestas estranhas novas trovas

Assim voltar a encontrar

 

O olhar de confiança futura

Uma fruta em estio madura

Prenhe de vida para se partilhar

poesia dessa magia a nos tocar - dia a dia nessa noite sem findar

 

Poemas em requadros

Poemas entre grades

Poemas iguais aos temas

Que nos abrem e nos sabem

 

Poemas para te encontrar desperta

Poemas para ver porta aberta

E de janela bem espelhada

Nessa tua casa iluminada

 

Poemas para ver natureza

E fazer do sonho a certeza

Dessa viagem do ser

 

Poemas – íntimos apenas

Para quem se sabe sem se ver

ver e olhar, crer nesse nosso vagar

 

Onde coloco o olhar

Este que te está a tocar

Quando me tocas devagar

Ao ver e ler sem pensar

 

Assim me toca a melodia

fantasia que se entretece

Que voga por nós afora,

Até se transcrever

 

E sendo qual suavidade

Seja campo ou cidade…

Nos enamora

 

E em nós se desenrola…

Para assim voltar a tocar

 

palavra desse amor a se entregar

verso ainda por se aprender

a transcrever e crer

sem mais duvidar

 

E depois o olhar,

ao de longe

 

Esse poema simples

Esse algo mais amado

Esse sentido de vida

vem e aninha a teu lado

 

 

palavras que se têm assim

Separado

Unir pontas e fios

para um agasalho prendado…

 

E nesse vestir estas letras mil

Numa imagem subtil…

 

Melodia dessa harmonia em ti

E em mim - estando plantada,

 

Fazer primaveras renascidas

E das sombras esquecidas,

Odes à nova alvorada…

compor

 

Compor poemas e temas para te tocar

Dar azo aos sonhos para te encontrar

Traduzir imagens e sentidos vivos

Em palavras entre amigos

Conversas simples e suaves

Nas que se entretece sentir com verdades

 

Nesse abrir de par em par

Estas sonoras ondas para te tocar

Que suavidade deslizando

Por dentro assim te iluminando

E refletidos os gestos amigos

Contidos sem querer

Voltam a vogar

 

Voam soltos aos ventos

Assim entrelaçam os elementos

E nos deixam de novo crer

 

Sem saber sequer a verdadeira imagem

De origem nessa brisa… de passagem…

Sopro no rosto sem mais,

Que te eleva que faz sorrir entre a treva

E se faz estrela para se bem prendar

E ver e levar…

 

Guardada nesse sobretudo de fada

Que vês e lês sem querer…

 

Nesse algo que nos une e amarra

Que sempre está perto nesta algazarra

Para se mostrar quando não estamos a ver

 

E na suavidade desse ver de relance

Em frase que se trespasse e se lance

Assim, para o centro do teu querer;

 

E nesse gesto subtil

Desse olhar as estrelas mil

Pontos luminosos a cintilar

 

Te inspiram assim à sensível idade

Desse estar e ser à vontade

e assim voltar a sonhar

espaços íntimos a braços de mãos dadas

 

Nesse espaço consagrado

Onde entrar de mansinho

Descalço, devagarinho

 

pela opção de verdade

coração sem tempo ou idade

Convidado a se deixar ficar

 

E nas alamedas bem prendadas

Nessas toalhas rendadas

Nessas telas bem pintadas

Fotografias diárias…

 

Dessa arte que nos enleva

Dessa brisa que nos leva

Assim ainda voltar a andar

 

E nesses recantos tão subtis

Onde assim a vida permanece

 

Encontrar seres erguidos

Sendo jamais servis

Esperando o ser que se reconhece

 

Voltar a olhar

Mão em mão

Ao se andar

 

Assim nesse calor humano – voltar a se abraçar

Sem mais medo nem razão além da do coração

 

E estar sem se deixar levar

E embarcar em novas odisseias

Nestes lugares onde

as palavras e a verdade

nessa grande cidade

Parece que já não andam a meias

Letra das Humanas capitais

 

Nestas praças centrais

Cheias de gentes iguais

 

Aonde entrelaçam os caminhos

E partem assim de mansinho

 

Sorrisos e expressões mil

Deste lugar subtil

 

Onde tudo é alegria e festa

Humanidade que se apresta

Para voltar a se juntar

 

E nas ruas principais

Destas simples capitais

Voam os veículos animados

Abrem luzes por todos os lados

 

Enquanto os mais despachados

Voam pelos tuneis escavados

Baixo essas ruas

E praças principais

 

Uma vida que não esmorece

Uma por cima sorrindo

E a outra por baixo aparece…

Assim ao dia se unindo

Neste lugar que resplandece

 

Humanidade a se encontrar…

Fado Migrante

 

Neste nosso fado

Dessa caminho passado

Dia a dia, noite sem findar

 

Sonho coerente,

entre calma brisa e gente

Que nos levou do campo ao mar

 

E nessa meta sorridente,

entre tanto e tanto ser crente

Voltamos a arribar…

 

À margem nesses encontros sonhados

Comunidades que idealizamos

 

Que nos contavam sem se deixar levar

Sobre essa palavra… saudade…

 

Sonhos para se voltar… a avançar

 

Nesse tempo sem ter conta ou maldade…

Entre os que lá se ficavam e viviam e estavam…

 

Nessas aldeias pequenas;

Nesses lugares lado a lado

 

Até que dispersos pelo destino incerto

Cantando um fado de peito aberto

Nos pusemos de novo a sonhar

 

Agora diáspora migrante

Sentimento errante

De ser sem ter lugar

 

Essa magia que nos unia

Essa simplicidade na noite e no dia

 

Esse celebrar cada efeméride, comezinha…

Esse algo que nos reunia na mesa da cozinha

E nos punha à roda dessa via de vida a falar;

 

Esses lugares sonhados

Agora idealizados

Onde era tudo bem familiar

 

Cantamos tantos poemas

Poetas e poetisas nos guiavam

Para fazer ressurgir Portugal

 

Agora as comunidades separadas

As outras bem sonhadas

Seguem além do mar

 

E em cada lágrima em silêncio

Exprimimos esse incendio

Que por dentro queima sem mais

 

Essa saudade de se estar à vontade

À beira de seres sem idade

Com tantas histórias para contar…

 

E no lusco-fusco desta vida

Quando tudo e todos nos convida

À volta do lume, porta a porta a entrar

 

Ainda se ouvia, quem tão bem dizia

Como se era feliz sem ter mais

Do que a vida do campo, desse mar

 

E esse feliz recanto onde cada noite

Deixar no colo amigo amado

Essa cabeça sem enfado a repousar

 

Vidas de outrora

Heranças de agora

Que vale sempre a pena

voltar a cantar…

quarta-feira, dezembro 16, 2020

mar és interior es

 


espelhos

imagens subtis

desses tempos,

antigos agasalhos

 

conselhos que levais e assim assumis…

e nestes retalhos, entre ruas e atalhos

 

ainda são a vogar,

nesses detalhes…

 

entre as rosas e flores desse lugar

a se levarem antes nas avenidas,

prendidas por entre os beirais…

 

tantas quantas as mãos comezinhas…

essas serenas sereias que as regavam

 

mãos tão cheias de vida

que assim bem as plantavam;

sem mais e sem cessar;

 

nesses campos prenhes de vida

por entre as ameias amuradas,

 

dessas antigas estradas…

eram ainda mimadas,

por pés descalços traçadas

 

os trilhos mais inquietantes eram desbravados,

pelos seres mais pequenos que encontrávamos

 

a ser e brincar sem mais

 

serpenteavam

 

entre o tudo e o nada,

vogavam de lá para cá

 

sem medo, ser e não ser…

sem sentido desse tal selo

 

enviavam cartas silentes

aos corações das gentes

 

as que ainda se atreviam

entre ritmos de alegrias

assim a saber ser cuidar

 

nem se sabia

se era noite ou dia,

para estar assim

a ver passar…

 

horizontes

sem princípio

nem se deixar findar

 

e nesse instrumento que se leva por dentro

compor poemas e melodias de se encantar;

 

sonhar novas estradas,

veredas vazias marcadas

por pés descalços ao passar

 

estrofes dessa musicalidade

sem ter tempo nem saber a idade

 

essa que se levava,

onde a areia parava

assim ai começava

 

esse imenso mar…

sempre a navegar

De sol a Sol

 


Avenidas cheias coloridas

Bandeiras nas ruas despidas

Templos de pedra e betão

 





Portas de triunfos tão distantes

Ecos de mão em mão amantes

Gente em frenesim,

cidade em ebulição

 



E na cadencia destes dias

Entre máscaras e ruas vazias

Ainda se ouve esperança a vogar

Nessa voz de criança sempre a animar

 



Pinturas momentâneas

Telas efémeras, diárias

Imagens do ser real


Transformadas e levadas

Pelas ruas desta capital…

a volta da roda se juntavam e à roda assim dançavam

 


nesses lugares anteriores, entre festas e senhores

entre recantos de pequenas flores plantadas

cresciam flores silvestres onde a noite se deixava

assim iluminar - pelo cântico mais discreto, pelo ser subtil e secreto

que se encontrava aonde morava, ali entre o aroma do rio corrente

a margem sempre ardente, dessas pratas luzidias

decoros e coragens de todos os dias a se perfazer




entre crianças e seres de humanidade,

entre ser homem e mulher de verdade

qual criança que renascia entre a luz do ser e o prender do dia



qual criança

voltar a erguer o olhar

e nesse alento varado

assim ficar em plena rua...

parado, boca aberta, sem falar


e ver essas ruas iluminadas

cheias dessas gentes que vagam

a procura desse novo encontrar:


essa alegria imensa

que vai além

do que se detém 

ou se pensa


e nos leva de novo ao ser singular


ess@ que tantas horas a fio passava

castelos efémeros de tudo e de nada

construídos a beira da estrada

desse caminho a se saltitar...


e nem assim se abria

essa cúpula de alva magia

quando o tempo assim em seu enfado

vinha e colocava a subtil noite a seu lado

na tal (c) idade (s)



e nos detalhes destes lugares

onde assim os bem gravaram

palácios desse tudo e de nada

avenidas na noite a iluminar...


nestas festas que antes fazíamos...

na face de rosto que bem sabíamos


nessas celebradas palavras

datas de sempre 

que jamais se apagava...


ainda agora se iluminam

pelas as ruas e os beirais


antes eram assim iguais

quais  calores humanos


nessas aldeias irmanados

mãos em mãos desatados


eram cores garridas sem mais

humanidades simples reunidas


nessas outras veredas desse outrora

agora, nesta hora assim esquecidas;


Lugares de encontro


poesia que se fez um dia

ainda a alvorada nascia

e o ser sonhava a divagar


assim qual poema de suavidade

que nos fala do mar da praia do rio ou cidade

desse campo de fertilidade sem fim

mundo inteiro que deflagra em ti e em mim...


e nos lugares mais humildes

humanidades que vejas e lês sem se findar

aproximam-se seres gigantes

simples lugares onde se voltar a encontrar;




lugares e eventos que levamos por dentro



Nessa cidade

eco sem tempo e sem idade

aonde aninhamos tantos

aonde se passam encantos


por entre os recantos

encontros desapaixonados

entre pares de seres enamorados


nessa sede silente

de se ser humano

entre tanta gente


nessa vontade

corrente qual

rio, ribeiro...

sol soalheiro

brisa a passar

despercebida

a acariciar

por dentro

retalhos de vida


nesse rosto iluminado

qual jardim de cores decorado

nesses portais sem fim nem findar

entramados de folhas erguidas

assim quedas e escondidas

quais as tuas e mais as minhas

todas as que disfarçamos em linhas



vítores aos céus - erguer olhar entre os véus deste tempo a passar... devagar


palácios de pedra alva

aonde ainda a vista nos salva

ao erguer para ver o olhar

e nesse azul bem sereno

encontra o céu todo ameno

de mão em mão abraços dados... desde aqui a outros lados




palácios de fogo a brilhar,

noite inteira,

cidade primeira, 

que nos acolhe e escolhe 

gesto nobre nos deixa abeirar





nesse outro tempo,

entre o prado e o vento,

assim em silêncio chegávamos,

olhar em olhar, mão em mão

por opção de coração





assim nos abraçávamos

ao som das melodias

que cantávamos...



Cibeles



nesses vítores consagrados,

aqui e além por todos os lados,

quando frio do Inverno apertava,

a gente se reunia em volta do fogo

e ainda mais se abeirava


humanidades destes tempos,

cidades e seus fundamentos;



perto do coração




ventre de pedra erigido,

ali aonde antes era vivido,

pelo batimento da simples opção,

abraço a braços dados,

por aqui além em todos os lados....

assim bem enlevados

por essa melodia e canção

a que nos falava de tudo

o que bem se amava

e se levava perto do coração




seres alados... humanidade lado a lado... ora a erguer o olhar

 




alturas de encantar nessa cidade sem mar,

oceanos de azul poisados, por aqui e além 

- em todos os lados - 

onde se atrevam

os bem humanos 

ainda a erguer o olhar, 

poderão ver poisados

esses anjos sagrados

sobre nós ainda a pairar

terça-feira, dezembro 15, 2020

efémero sempiterno

 


Vamos para lugares ainda marcados

Pelos arvoredos quedos ali varados

Pelas presenças dos passos passados

Pedras erguidas pelos antepassados

 

E sonhamos ao nos deixar desenrolar

Passarela, qual tela em branco

Para se voltar a ver e pintar

 

E poisando assim seu encanto de novo sobre nós…

Qual uma capa de seda que se entrelaça e conceba

Sonhos em vez de divagações, voz das vivas opções

 

novas veredas guardadas

pelos corações reveladas

 

Assim sonoras odes, melodias e estrofes nobres

Que se ouvem ao voltar o olhar o céu e sonhar…

 

Com outro ser

Sem querer

Com outro lugar

A se desflorar

 

Com outro jardim em ti em mim

Para de novo se voltar a plantar;

 

Dessas flores plenas de tempo

Desse algo íntimo fundamento

tu por sempre

Por dentro de mansinho

Nesse lugar comezinho

Aonde guardamos

os mais queridos retratos

Desses momentos exatos

 

Nos que assim se fez florida

Cálida tão próxima e garrida

entretecendo em seu vagar

nesse caminho toldado,

em ti em mim em todo o lado

Voltar a vê-la passar…

 

Esperança do ser criança

No adulto ainda plantada

Um algo desse ar de novo

alimentando entre o povo

 

E nos faz de assim abraçar

 

Pequenos gestos, olhares serenos

Passos no que somos e cremos

Assim a crescer devagar…

esses dias nossos

Nestes nossos dias

Desde esperanças fugidias

Nesse acordo de coragem

Brisa entre o campo qual aragem

 

Que se estende aonde bem entende

Quando já sabemos de cor a cidade…

 

E marchamos sem tempo marcado

Por aqui além e todo lado

A procura de plantar

 

Sementes viventes esperanças presentes

Que nos devolvam de novo a luz no olhar

Tu serena

 

Para lugares de sonho e bênção

Aonde ainda se ouve

a voz do seu coração

 

E nesses lugares plantadas,

Sementes a ser germinadas

 

Pelo mais suave calor…

Ameno, assim qual amor

 

E sempre assim investida

Da luz da força da vida…

 

Estejas a olhar bem para quem

Te reconhece em cada dia

 

Te sabe assim preenchida

 

Dessa esperança serena

De ser qual amiga amena

 

E de estar assim

– suave

Subtil, sem mais

 

Esperando o teu momento

De saltar de fora para dentro

E aqui assim voltar a morar

 

Qual brisa de primavera

De quem ouve e espera,

Na face a tua simplicidade

 

A bem nos tocar em verdade

E nos ajudar a voltar a sonhar

flor suave e subtil

Sentir em derredor,

como qual uma flor

 

Nova e gentil, renovada…

O ser mais bem presente

que encontrei nesta estrada

 

Assim de novo a se abeirar,

de mansinho, sem me tocar

 

E estando olhando admirando

Olhos novos abertos de par em par

 

Criança renascida

nesta e noutra vida

Assim sem querer a vogar

certeza infantil

 

Para caminhar de pé

– em pé – firmeza…

com plena certeza

Dessa fé infantil

Suave e subtil

 

Sonho efémero se não cuidado

Eco ou sombra sempre a teu lado

A espera de se transformar

Nesse algo de verdade

Em plena rua – realidade

 

Que nos leva de novo a erguer o olhar

A sentir de novo a confiança perdida

Essa que parecia estilhaçada – vazia

E assim voltar a crer sorrir sem se ver:

segunda-feira, dezembro 14, 2020

Poemas para o infinito

 


gesto recatado desse assumir sem se ter deixado

assim de se abeirar, senhora triste dos dias e horas

 

assim quando em casa prendavas o que assim choras

e deixavas essas lágrimas tocar o chão sem as lavar

 

nesses momentos nos que sorrias,

pelas surpresas de todos os dias

e nem deixavas de te inspirar

 

idealista em horas vagas,

senhora dessas ondas, serenas

que das rias desse mar sonhado

te trouxeram para o outro lado

 

aonde doces e bem pequenas

as do rio que também passavas

para estar nas esplanadas…

a ver e ouvir tua mesma voz

 

esse sentir que se deixava

entre tanto ouvir que passava

sem sequer te chegar a notar

 

em silencio na escada,

olhavas quem se abeirava

para depois de mansinho,

recolher devagarinho…

 

ao aconchego desse teu lar

aonde acabaste por voltar...

unir as águas



unir águas... pelo sangue que és

desde as costas mais prendadas


à suas outras águas, sempre imensas

agitadas, pela saudade que nos amava


e desse algo que levamos dentro

gente lugar sentimento

e por esse algo que nos reanima


ver rio ou ria aonde se abeira e suspira


raízes desse algo profundo

felicidade dessa eternidade

nos envolve e aconchega



e nesse estar, tão perto

ainda a sentir suavidade


por vezes se caminha o deserto


por vezes abre por dentro

e deixa passar a verdade


e nesse reencontrar a saudade tão bela

assim a enaltecer quem se apega

sentir sem se ver nesse ir sem querer...


assim tão bem ficaste;

aonde o teu ser encontraste


e nós vimos como ficavas, 

ali aonde nesse jardim 

tão bem as flores plantavas

Poesia para quem estaria sempre

 


Em cada momento assim levamos por dentro…

Calmo e sereno alento de quem esteve em nós

 

Essa suavidade, sentimento,

palpita ainda sem se ver, atento

 

Para poderes voltar a encontrar,

eco sem voz, certa sensibilidade

 

No rosto de menina sem ter idade,

Na melodia que jamais tocaste


esse algo, sempre em segredo

que se fez tão belo e bem amaste,

ecos d@ companhia


nesse passo acompassado

nesse eco em todo o lado


nesses ruas que nos tem iluminado

vai o ser se humano desencontrado


e nesses sorrisos parcos

nestas lendas e horizonte 

sem portos nem barcos;


sempre com sorte


ver o sol a nascer,

acariciar tua fronte


nessas névoas

de frio de estio


nesse calor de verdade,

do encontro na cidade;


assim voltar a sonhar, 

crer e erguer o olhar...

 

sempre bem devagar


para se assumir

essência sem fim

sempre a nos embalar


divagar pelas ruas sem jamais se perder,

apenas abertos a despertar de novo o ser,


e escolher novos recantos...

os que nem se via ao passar


dando passos tantos, quantos 

ainda se possa chegar a contar


para voltar assim a querer andar


nas ruas nuas das cidades despidas

nessas horas nas que a via parecia vazia...



sábado, dezembro 12, 2020

Ser Humano - lado a lado

 

Madrid - Malasaña
contrastes

Desde essa vereda

por nós preenchida

 

brisa na que se crê e respira…

aroma que se exala e transpira

até nos voltar a abeirar…

 

essa humanidade que é a chave

nesse abraçar de par em par

 

coração em coração aninhado

ser humano -  lado a lado…

 

assim qual encontro por opção

em coragem de se dar a mão…

 

sentir o calor a se prolongar

sem tempo, a nos encontrar

 

duas tonalidades diferentes:

esse sentir e estar presentes

 

se transformando

ao som do encanto

assim se entrelaçando

 

melodia do pouco e tanto,

trazendo o realmente novo

voltando a viver nesse povo

 

até se reconhecer nesse ser o reviver:

esse querer a acontecer - o momento

 

nesse espaço - preenchido de alento…

assim qual força viva a nos animar

 

nessa perspetiva do bem querer

desse olhar e ser - transparente,

 

ver semelhança entre tanta gente,

em cada lugar, nosso verdadeiro lar

Ecos de Vida

 Ai aonde a vida aninha

Nesse coração que se detinha

 

Em cada passo numa vereda qualquer…

Sentir vida por nós adentro a acontecer;

 

Em cada momento de silêncio maior;

Nesse recanto que cresce no interior

 

Nesses claustros ainda cheios de vida

Veredas e trilhos que nos animam

 

A voltar a caminhar:

Nesse sentir devagar

 

E nesse contexto ameno,

nesse tudo calmo e sereno

 

Sentir as cores de vida preenchida,

A germinar assim sem despedida,

 

Apenas a nos tocar nesse divagar

Espaço Interior desse ser maior

Esse algo assim a se encontrar

Nó que se estende em derredor

Assim sempre a nos entrelaçar…

 

Integrar sem ir nem voltar apenas o descobrir devagar

Algo dessa essência a se concentrar e nos alimentar…

 

Dessa vida que rejubila:

Dessa água cristalina

Assim ainda a borbulhar;

Caminhos nos nossos dias

 Caminhos deste nosso dia

Os olhares que se refletem

 

qual na montra desse algo que me dizias

Estar a gostar de olhar, e no ver de novo

 

A passar devagar 

nesse divagar sereno

passo pleno e ameno

Desse ir sem se notar

aonde se está a regressar…

 

Quando o tempo de se estar atento

Nesse gesto simples – sentimento –

desse querer assim abraçar…

 

O ar, a via de vida, a pessoa que nos abriga,

E assim voltar a concretizar

– sonhos de estio em tempo ameno, amigo

 

Nesse lugar que é ainda desconhecido

para assim querer conhecer sem mais

Caminhos na Noite

 

 

Nessa cidade que nunca dorme

Nessas avenidas, ora cheias, ora despidas

Das nossas mais simples melodias

Humanidades se encontrando todos os dias

Em cada momento

Em cada batimento desse coração

Que por opção bem clara e assumida

Nos abraça e envolve ao longo da vida

E nos faz sentir a voltar ao nosso lar

 

Esse momento fugidio

Entre outono e estio…

 

Esse algo puro e singelo

Que preenche o vazio

De cor e vida qual elo

 

Simples melodia…

que nos anima a voltar

Em cada momento

Algo simples desse ser atento

Desse algo a nos humanizar

sexta-feira, dezembro 11, 2020

a beira mar plantad@...


atirar-te tod@,

e ver o reflexo

das águas desse povo

 

- tão antigo e sonhado -

a beira mar ainda plantado,

suspirando pela maresia...


desde o nascer do dia, quando nos foi dado a crer sem mais duvidar

juntos mais se fazia, sendo unidos a bem se podia assim concretizar


dom da alegria, esperança - magia - 

desse estar por vontade

desse querer sem idade

e à volta da mesma mesa o partilhar


esses espaços, passos que se transformavam num eco dado

assim se ver o mesmo ser a regressar, qual sintonia secreta


dessa melodia tão bela, nos anima desde quando aqui estamos

nesse lugar ainda varados, a espera para a maré nos chamar...


vogamos, nesses lugares imensos aonde pensamos

que reflectidos, espelhos desses cantos escondidos


nesse fio suave e subtil, que voga desde o coração pela mente fora até à imensidão

a nos envolver, desse nevoeiro de suavidade entre campo e cidade e voltar a crer...

ecos da cidade...

Madrid - Navidad 2020



numa cidade cadente

cheia de humanidade e de gente

alamedas preenchidas


olhares de soslaio, reflexo

dos ecos de outras vidas...


aromas que se entrelaçam

enquanto uns e outros passam




e veredeas... iluminadas

cheias de tanto se andar


desses relanços de escadas escondidas

entre ruas e pedras polidas

até os beirais aonde ainda

nos vemos sem nos falar


estes ecos de viver

assim entre o estar e ser - atuais

tanto que se mostra e se deixa passar

entre o que era vivo, o que está assumido

e ainda o que poderemos voltar a encontrar


caminhos de luz e de sonho

neste lugar enorme - medonho

noite após noite tanto ser a silenciar



seus devaneios, ainda entre os recreios

das praças cheias, das vias que creias 


assim qual ver e pintar...

nesses poemas aonde ias,

nessas rimas de poesias

saindo sem sequer se pensar...