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sexta-feira, dezembro 11, 2020

passos entre a montanha e o mar

Sarria

vias de pedra - marcadas...

alento silente das veredas deixadas

rios e ribeiros, amigos e companheiros

Caldas de Reis


passo a passo a se dar,

sempre pontes coerentes

Triacastela


entre o querer, conhecer 

esse coração das gentes

lentamente a se abeirar...

los arcos

e nessas vias aonde os vias

assim caminhando entre o aroma do campo

desde aonde vivias até o lugar que sabias

monte eterno cidade ao longe ora ao perto...



assim o tempo passava sem se deixar apanhar

num momento o eco desse encanto lento te envolvia

assim sereno e calmo se assumia, o que se era e se vivia

nem se desvanecia nem sumia, e por dentro se transformava


XII sec baptismal stone


em gente que ria ora chorava,

ser assim simples que nos mostrava

quais os demais,

citrana - east timor


seres em semelhança

ainda parecendo iguais


pedras santas - finisterra


descalços, nessas águas passadas,

nessas vagas das rias aninhadas...

por entre o vale a montanha e o mar


praia dafora finisterra


ainda vias poentes discretos,

luares secretos... 

nesse horizonte a se abeirar


dos campos às catedrais - pontes de vida reais

dos ecos dos passos dados...

palácios de pedra plantados

entre ruas rectas 

cidades secretas

as que assim temos visitado,

por dentro e por fora

um pouco por todo o lado...



camino de Santiago 2020

lugares de pedra madeira e cristal...
bovedas singelas, arco de volta e meia
pontes assim iguais, esses livros silentes
que ainda chamamos de catedrais...
vitrais de cores vivas,
luzes que assim vias,
ao te deixar abeirar...
por dentro, o ventre discreto
eco de palavra a passo secreto
ao se ouvir essa harmonia do campo a voltar

camino de Santiago 2020

nessas veredas
aonde te despes
e voltas a sonhar
alento que deste,
para bem se chegar
ali aonde o horizonte te abraça a fronte
e te coroa de maravilhas só por passar...

quarta-feira, dezembro 09, 2020

rios e sor rias - dias desta barca de pedra que tão bem conhecias

finisterre


nesse sentir de sempre...

esse tudo que nos amava

que sempre acolhe

quem assim escolhe

estar dia a dia a renascer

east timor


em plena humanidade

qual ser homem

mulher em verdade


qual mão em mão

nesse sonhar bizarro

aparecendo entre lodo e barro


sem estar ainda espelhado

nesse nosso olhar iluminado


e a terra integra toda inteira

ver voltar de novo a acender

qual esperança que se ateia

e se volta de novo a prender


somewhere within


das estradas de pedra as ondas dos oceanos - verdade - é ai onde estamos


assim aparecia iluminada ao se voltar a vogar:

entre lendas, calendas e paisagens de encantar





nem segundo nem pontada de agulha em torre encimeirada

flores e florestas, aonde sempre as bestas pascem sem mais

o passo inquieto, desse suspiro ancestro, despertando o ser;




desse sonho vivente,

desde a água do rio... corrente...

veredas sempre vazias à espera de as voltar a preencher...



pela vontade mais simples,

pelo eco dos humildes

que assim iam e voltavam

sem se aperceber...




trilhos e águas


no dom dessa humanidade

esse estar e ser em verdade

desse ser e estar à vontade


o que não tem tempo nem idade

que paira e voga entre arvoredo

em segredo...




pairando sem sobressalto

aonde a erva não pára de crescer

nem o ser que aprende a passar

se volta assim a perder...




e o monte é sempre alto

para quem quiser ver e erguer o olhar

deixando a luz do sol e luar 

assim voltarem a passar




qual ser humano descalço e confiado

como quando nos foi dado assim viver





ali e além

aonde a montanha

beija o céu distante

e os rios são qual o mar




ao voltar a se ver

- nem doce nem salgado -

água que nos embala

esse algo em todo o lado...

esse abraço de sempre por entre o campo o rio e a gente

por entre as veredas antigas

ao se passar sempre amigas

trilhos desse outro outrora

entre este segundo e agora

sempre a mostrar:

os passos gravados

ecos desses outros fados

para nos voltar a encontrar


nos céus jazendo ali gravada

estrada de estrelas iluminada

a que antes neste lugar navegava

aonde mais além havia mar e mais nada


caminhar essa estrada

de água e terra abençoada

sonho desde a floresta até à amurada

da barca silente aonde jazia varada...


sempre silente aqui, além esperava

pela gente que jamais se apressava

nem se presta a ver hora marcada...



e aparecia assim... espelhada...

no voltar a olhar sem mais nada

a não ser o se rever 

nessa beleza espalhada

em plena natureza,

humana certeza


desse voltar de novo

por dentro a crescer...




palácios e catedrais - caminhos de obras reais



nesta praça onde estava

por onde gente passava

poemas, vidas

gentes amigas


caminho sem se findar


apenas espaços entre reticencias,

essas veredas das artes e ciências

vidas singelas quais as demais...


nesse recanto

entre o céu e o bel canto

fluíam suas vidas inadvertidas

veredas fugidias que levavam

desde aonde sempre navegavam:

entramados entre pedras pulidas, 

e tempos de horas marcadas

nessas árvores sempre fugidias, 

entre tempo e horas... vazias

ainda a segredar


espelhos desses seres mais velhos

que nos inspiram de novo a voltar

terça-feira, dezembro 08, 2020

para ti... que lês o ser que não vês...



palavra a palavra que passo

a ti que lês sem contar

ou a ti que passas devagar...


telas cheias dessas histórias a meias...

essas por aqui nos atrevemos a deixar


pelo ser de direito de assim se expressar:

o que vai por dentro sem sequer duvidar


ou questões desse alento

emoções desse sustento:


humanidade renovada

que se debate dia a dia

entre o tudo e o nada...

melodias entre os nossos dias - palavras vivas

 



subtil e suave na idade...

forte em cada batimento:

tocando-se assim  no alento

que se doa em cada palavra

sobriedade dessas letras dispostas

dar colunas assim estando compostas


umas pela emoção do ser

por se saltar sem pensar...

umas pelo pensar devagar,

outras por voltar a sonhar;

tocando teclados viventes, ecos destas e doutras gentes

 


voltar e voltar e voltar

a preencher, passo a passo 

o caminho a vagar...


voltar a querer dar outra vez, de nós o todo, desse querer rever o que vês...

preenchido, ora assim assumido por essa vontade louca de sonhar a realidade a tua verdade assim querer agarrar e nas letras vazias que juntamos todos os dias ver frases a quererem voltar desse coração desse eco vivo a passar o vestido e pairar em derredor - coração a divagar...


tocar teclados vivos com toda a força que consigo assim encontrar e nem sequer escolher aonde se pode estar assim simples ser, vogar nas ondas dessa vaga imensa que de vida assim nos esteja a bem animar e encontrar serenidade nesse estar à vontade para voltar a descrever o que bem se quer sem mais duvidar...

poesias desse outrora - um segundo feito hora


poemas e poesias nestes nossos dias

trazendo melodias que se fazem garridas

curtidas ou surpreendentes, que nos animam


voltar a ter esse dom de gentes,

nessa vontade de nos encontrar;


tantas mensagens em imagens quando o ser

por ser íntegro e estar inteiro procura amigo companheiro

para caminhar nesse neste ora noutro lugar;


fazíamos poemas para quem apenas nos fazia sonhar

musa indivisa que se quer e nem a brisa ousava tocar


encontrávamos sentido no ser descrito e vivo que pairava,

entre cada linha que se assinava e nessas folhas de primavera


que no outono pairavam quando alguém se atrevia assim a pintar

nessa outra tela vazia, escrevia e se descrevia o que a palavra só nem dizia


e entre tanto, às tantas - lá aparecia o sentido de vida - que se procurava sem cessar




voltaremos a avançar...

 


quando se juntam, dois ou três

quais crianças que sentes e vês


seres humanizados, pelos trilhos vivos e os campos sonhados

pelas veredas mais cheias de vidas, ora assim estando vazias:


onde punhas o olhar vias a tua força de vida voltar a germinar

onde colocavas tempo, dedicação era aonde se ouvia coração;


a sós proclamando que mão em mão, amando, voltaremos a nos juntar

nesse recanto - remanso - aonde havia todo o tempo para se voltar...

horizontes a se ad mirar


quando se crê e confia

adolescência de vida...

que se estende aonde exista

ainda gente que crê a confia

nessa verdade que preenchia

cada momento

do dia 


sempre a vencer




umas vezes na volta da esquina 

essa surpresa aparecia

noutras numa recta

sem curva secreta

nesse horizonte

era a nascer

ser e estar


ecos desse futuro presente

nos guia entre rios de gente

um lugar calmo e sereno

aonde ser e estar


ouvir essa melodia garrida

em cada eco palavra de vida


sentir essa alegria em cada dia

voltar a crer sem mais duvidar


entrar na sintonia que por dentro vivia

criar novas metas, encontrar estradas esguias

viajar, em teus pés assim o palpitar, desse estar mais perto

de cada ser e lugar, e querer de corpo inteiro assim se chegar


inteiro o tempo, integro o ser a passar

sentir que se está cada vez mais perto

meta futura que te foi dada a sonhar...


segunda-feira, dezembro 07, 2020

ecos no futuro ainda presente


nesse caminho, passo a passo, de mansinho

vereda assim a dar curvas devagar

esse lugar aonde se passava

quando se ia a qualquer lugar


estava assim a recta traçada

por aonde o coração vogava

em ondas de maresia

pelo vento que trazia

aromas de encantar


nessas aldeias e colinas

pelas veredas de todos os dias

passamos nesses outros caminhos

tão rectos e tão sozinhos

nos que nem se pode assim andar


um monte bem olhava

todo o ser que assim passava

uns a ver sem sequer questionar

outros a passar embelezados

ecrã simples que os levava toldados...






dar atenção... a esse ser em lugar que levamos no coração


já estive, nesse tempo e nesse lugar

aonde as humanidades estavam perto

e ir era sempre estar a chegar




já caminhei

com humanidades entre campos aldeias e cidade

e encontrei esse mesmo desejo, segredo subtil sem ensejo

que levamos nesse peito mundo afora a palpitar




nestes recantos, recatados

nestes lugares tão alvos e pulcros

nesses tons de pedra cinzelada




pelo tempo o vento a água

encontrar lugar idealizado

passar e estar lado a lado


erguer a voz e sem gritar

encontrar respostas 

por simples ser

e se pôr a falar

nestes tempos e nesses lugares


havia um tempo
sem portas nem janelas
nas casas mais antigas
sem trancas meias tudo se conhecia

havia um tempo de paredes erguidas
ao sol e luar
gentes que conhecias
melodias pela noite fora a soar




havia um tempo no que vias
de novo essa estrada de estrelas brilhar
onde te sentavas e sustinhas
onde estavas assim conhecias
esse algo a te envolver devagar

qual serena suavidade
qual crer e estar em verdade
qual viver sem duvidar
e dar passos caminho afora
crendo ou sem pensar

havia tempo unido
a quem te estava assim qual amigo
a apoiar
e sem tempo marcado
chegavas a todo o lado
aonde assim tinhas que chegar






 

contrastes


quando abrimos os olhos de par em par
e deixamos a luz do novo dia entrar
quando assim abraçamos horizonte
e essa linha definida nos envolve

quando as cores têm tom de suavidade
e as veredas sem terem tempo nem idade
ondulam por nós bem adentro
num ritmo fluído e constante
num cantar sereno

que vem desde o monte à cidade




 

trilhos citadinos - humanos destinos

 


espaços velados
por paredes marcados
pela estrada afora
gente a voltar e a ir embora
tanta sobriedade
edifícios antergos desta cidade




pela alvorada
marchando entre tudo e sem nada
pelo despertar
desse ir sempre mais longe e voltar
pelo entardecer
desse lugar sonhado sempre a desvanecer
em realidade
dessa terna ora eterna verdade

pela manhã
aonde ainda se espera encontrar o vogar
em mares jamais navegados
portos seguros entre lugares marcados

caminhar
entre tantos
seres pausados
esperando o ser renascer
congregados desde todos os lados




nas paredes
sombras e redes
seres
sociais
distantes
tão perto
iguais
e
mais



dessas outras vias
ignoradas
aonde os caminhos preenchem
as ruas e estradas

caminhamos
entre todos os lugares
visitamos
efemérides
entre claustros vedados

e sonhamos
ora livres e dormentes
ora em tempos viventes
ora nessas outras gentes
que tanto amamos

admiramos
tempos e presentes
templos assim coerentes
entre tantos espaços quadrados

e na curva da estrada
desse caminho tão singular
entre abraços esquecidos
entre seres de mão em mão
ainda vivos
olhamos e recordamos

o presente desse fruto futuro
nesse momento plantado
a espera da nascente
que se fez em verso
esperança coerente
desse algo submerso
esperando

por ser descrito e ouvido
pelo coração mais ansiado
jamais esquecido


nem se sabe
se é madrugada ou anoitecer
nem se vê
uma estrada de estrelas
nesse recanto qualquer




nem se veja
que se detém ora deseja
entre sonho e divagação
uma espécie de estar esperando
entre o riso e o pranto
pela opção a nascer

serena e segura
entre tanto que se apura
nesse néctar por ser experimentado
licor de tanto ser que se tenha humanizado

nestas paredes a meias
nestas ruas de melodias colcheias

semi-breves
espaços dados
para estarmos de novo
lado a lado

ainda sonho com as veredas
nas que íamos e falávamos
sem mais
sentávamos
numa pedra
à sombra do arvoredo
olhamos o tarde e cedo
olhos nos olhos nos encontrávamos

espelho sereno
lago ameno
aonde ainda nos espalhávamos

numa mesa qualquer
entre tanto assim ser

apenas
simplicidades
entre as vilas e aldeias

longe
a ver a cidade





passos certos


por entre estes lugares

cheios de tudo e nada

na rua sempre marcada

nas entradas das estradas


submersas, horas certas

enviadas, por todas as vias

marcadas, ser acompassado

desse ir-se vogando, 

entre gentes acertando:


cada passo dado

cada trilho novo

momento marcado

certa incerteza

 

quando voamos, por entre ruas e estrados

vários e variados com gentes sorrindo

por entre espaços vedados...


quando é subtil o fino fio

entre o inverno e o frio

e ainda voltamos

a crer


e regressamos, com outro olhar

outro querer estar, e voltar...

a ser feliz, por um instante

eco desse sonhar inquietante...


qual por um triz, no que a porta

aberta, se torna vida na vereda

ainda por se trilhar - incerta...


pianista...

 



nas letras entre abraços dados

nos poemas entrelaçados

nas linhas subtis

aonde ainda assumis vontades


nesses lugares aonde estais

nas frases que nunca terminais

esses tais locais de encontro

aonde ainda exista assombro


espaços reservados

dessa gente por todos os lados

aonde entramos envergonhados

ou saímos para outros fados


destinos entrelaçados

entre livres e escravos

que se vão refazendo

caminhando por entre o vento


suavidade nessa cidade

que tem em si calor...

humanidade

esperança

que se leva

por dentro

sexta-feira, dezembro 04, 2020

numa praça de papel entre veredas de um dia qualquer



Era uma hora vazia, pelo meio desse meio dia, numa praça abençoada...

Pelo arvoredo que em segredo se despia, pelas crianças que passavam na despedida, de um dia de verdades repetidas, levadas pela mão ao passar, pelos seres gratos que as idealizavam, que dos seus feudos antigos ao lares velados levavam, ensinando caminhos entre rua e estrada... trilhos dessa terra que nem voltamos a pisar...


As árvores na cidade crescem entre amuradas, as muralhas antigas seguem de novo erguidas e os palacetes nobres ainda se recordam entre ricos e pobres que desviam assim o olhar...


e nesse lugar plantado, estrela desses que se têm admirado, lia e relia um pedaço de papel qualquer; escrevia pequenas palavras animadas, por montes e vales de letra desenhada, olhava e voltava de novo a escrever...


em nada parecia o ser que no ecrã se erguia e no entanto era tão igual... e ao olhar de mansinho, passo a passo - devagarinho - acheguei o meu ser ao seu bem estar... e lá começamos a conversa, meia palavra intenção imensa - de humanidades a se encontrar...


parou de descrever o que sonhava, de desenhar o que idealizava - e lá fomos humanos, simples e abençoados - por meia palavra de conversa em comum... de caminhos e estradas antigas, de rias e mares de maresia, desses lugares sonhados aonde ainda existem seres velados que se vestem de humanidade a se desprender...


lá ia escrevendo para quem seguia lendo, enquanto simples palavras voavam, a linguagem noutra linguagem desaguava - qual rio nesse imenso mar de se olhar - humanidades simples nesse dia a dia humildes - assim a se aproximar...


depois foi o deixar divagar, o ver e olhar e sonhar enquanto na simplicidade se afastava, num pequeno triciclo voltava, a ser qual ser criança nesse imenso lugar... dissera que bem se adaptava - que a sua alma voava, entre cenários de imensidão; no final encontramos um pouco do que idealizamos e nesses que representamos ainda vemos de volta o olhar...


encontrei Berlin por acaso, Pedro nesse ocaso - nos arvoredos dos palácios mais reais; estava aonde a gente passava, olhava e de novo sonhava e nem se limitava de vez em quando ao perguntar... ao ser ensonado que ia e vogava, do lugar aonde vivia e estava, até aos tuneis mais entrelaçados - se por acaso os que passeamos, tinham nome para se chamar assim...


gostei de encontrar humanidade, entre o sonho e a verdade e gostei de sonhar um pouco outra vez...

quem sabe volte a encontrar na cidade, quem estivesse - desapercebido - assim sem se ter investido, de uma qualquer missão idealizada, de um qualquer romance sobre o tudo e o nada - e simples - assim falava, enquanto um ora outro ouvia sem mais nada... tão bom encontrar presença aonde nem se pensava, e deixar de novo a praça abandonada para mais tarde - quem sabe -  assim voltar a aparecer...

caminhos de vida

gostava de voltar a encontrar

o brio no olhar

o andar erguido e ver seguido

todo o mundo a brilhar


gostava de voltar a encontrar

a mão de um amigo

o gesto calmo que sigo

serenidade de se ter conseguido

o dia a dia levar...


para aonde a vontade caminha

para aonde a verdade aninha

para aonde se possa abraçar


sem mais duvidar

sem hesitar...


entre os medos 

que nos vai plantando

em segredo


tanto ser berrando

sem nada 

dessa vida nova

a anunciar

coração na cidade

entre meias medidas

entre as linhas erguidas

das ruas esguias, elevadas

vamos passando, 

marchando...


ao som de uma melodia vazia

sendo que quem a preenchia

coração que sente e cria:


vai ficando com a sua verdade vencida

a não ser que encontre refúgio ou guarida

para voltar a crer em amar...


em se erguer para ver teu olhar

para sonhar que de novo me sonhas

que as escolhas que no caminho recolhas


serão para bem maior por simples opção:

que se recria, em cada palavra menos fria

que se deixa no interior se levar...


pelos lábios vazios do seu elemento

chamada viva que levamos por dentro

clamando sempre pelo ser lado a lado


caminho ainda velado

entre tanto ser humano

por todo o lado...

quinta-feira, dezembro 03, 2020

na matura infância

quando tem de ser e não queres

que fazes para te refazeres

dessa solidão interior


desse deixar - devagar...

divagar... sem se notar...


tua criança interna a sonhar

nesse campo semeado

entre todos por todo o lado...


nessa matura certeza

de se ter impaciência

por se avançar...


nesse plano nunca desenhado

nesse subtil ensejo sem se ter deixado

nesse lugar almejado,

entre todo e qualquer passo dado

aqui e em todo o lado, assim... sem mais

esse algo mais alto,

esse futuro sem sobressalto

paz da surpresa em cada esquina

que futuro presente que assim se prenuncia...

e nos deixa

a querer

sempre

mais

misto de emoções - sentimentos ou divagações

voltar ao teu lugar, em paz...

depois de se ter dado

depois de se ter passado

sentir a emoção de regressar


satisfação dos gentios

nesses tempos ainda frios

nos que esquecemos

o que queremos

e vamos e obtemos

esse lugar


esse algo a sentir devagar...

nesse pequeno espaço dado

assim nesse ser apagado

até ressurgir

qual luar


sobre o monte - velado

nesse horizonte

passado


fruto futuro

nesse outro lado

face em face

tanto ser a passar


e mesmo assim

sem querer

sem se deixar de saber

essa vontade

sem tempo ou idade

volta a surgir

sem se esperar

subtilezas

neste ser recatado...

nesse passar

sem se ser notado...


nesse lugar quadrado

aonde vivemos

quase tod@s

sem se precatar


uma curva na estrada

horizonte, que de fronte

se não deixa assim revelar


e na noite

estrelada

nesse véu entre o tudo e o nada

o teu céu se deixa pintar... 


e das cores que sonhamos

quando ao deitar ainda deixamos, 

nessa vontade... sossegar

e já à vontade aparecem veredas!

sempre verdejantes, apenas:

nesses primeiros instantes

nos que nos atrevemos assim a explorar...


e no dia a dia das entrelinhas

subtil o sentido que aninhas

nesse peito ainda a palpitar

estremece, parece que arrefece

calor desse ser humano

que se estende e entende

qual flor silvestre...

sem ter sido plantado

por ser algum...


ainda a querer

assim

se expressar


uma outra forma desse

saber amar...



a impressão de se ser simples

uns chegam, outros vão

a esse lugar do coração

aonde ainda moramos

aonde ainda sonhamos


e querendo... - acreditamos...

que da intensa sensibilidade

ora de insensível senilidade

do ser... se... Humano...

estrume neste campo

semeado


dessas luzes simples

estrada das estrelas dos humildes

que vogam e voltam a querer vogar


entre o destino, inquieto

esse ser ainda vivente... secreto

transforma gelo em lugar ardente

faz do tempo um querer - se, voltar

jamais só em qualquer lugar

aonde um piano, qual teclado

assim nesse destino - traçado

desse voz ao ser sonhado...

entre tanta realidade 

a querer nos envolver

por tanto se fazer notar


notas sublimes de melodias

que se imaginam todos os dias

telas em branco quando as preenchias


quando mais nada sabias

e tanto assim sorrias

como os que se deixavam

assim estar a rir...

contigo a chegar a ir...


como nos deixa o ser recém nascido

como tu e eu teríamos querido

se nesse remanso sem idade

de paz e tranquilidade


assim qual estar ao colo

cuidado

pela realidade toda

a te envolver...


luz de ser embalado

mais além do querer

essa força que se tem confiado

assim sem mais se deixar deter


encontrei uma estrela... uma criança ora grande ou pequena... num grande parque a jogar

 estava sentado, entre o arvoredo varado

barca que um dia, sendo suavidade, 

assim na cidade, desde cedo se erguia

sonhava, que entre a melodia do ser que passava... alguém ouvia...

essa verdade, sem tempo ou idade, que aparece sem se notar

que vai crescendo de mansinho, que abraça devagarinho,

e nos leva a querer crer e voltar a acreditar...


estava, a estudar - vida, verdade ou cena da realidade que se esvaia no ser devagar

pensava quando assim olhava, deixava no interior que rasgava, sem sequer partir ou chegar


e nessa vagar, vagar sem estar parado, sonhava lado a lado, com quem ouvia o seu ser a se erguer no luar

dessa cidade iluminada, dia e noite, velada, aonde ainda estava quem assim visse sem se deixar notar


uma estrela que se assemelhava, com cada pessoa que via - ora amava - sem o dizer ou deixar de fazer notar...

pelo recanto desse ser - tanto - assim se via quando se erguia... que a letra vazia sendo assim - preenchia, com emoção sem ter par... apenas poemas nesse lugar iletrado, página em branco - futuro presente e passado, num cenário qualquer sem atuar... apenas plumas ou penas que soletravam, e se desfaziam ao se verem de novo a voltar...


encontrei um dia um ser assim, parecido a ti e a mim, mas espelhado em todo o lado e mesmo assim... recatado...

(encontrei um ser de fama, nessa cidade bem alargada, que nos é querida sem se deixar)

sonhos de poesia, licor desse dia a dia

compor, poesias e estrofes sem olhar

ver por dentro aparecer devagar

nessas lendas sempre reais

o bem que levas aonde vais

para assim voltar a plantar...

brisa no estio, calor humano

por entre o brio

desse estar mano a mano,

andar de mão dada

sem estar amarrado

de livre vontade

o ser sonhado

assim semear


poemas de liberdade

sonhos de vida nesta cidade

e ainda entre tantas pessoas a ver teu ser

reflexo pulido desse ser  e estar vivo

e querer berrar melodias

cantar novos dias

esperanças a se erguer devagar


letra a letra pela razão traduzidas

vestes viventes que trazemos vestidas

sempre meio cosidas, ora meio rasgadas

pelas horas que se fazem bem passadas:

entre cores desses primores a se ver divagar

imagens interiores, 

desse outro lugar

chamado amar...

olhares de amor

quando, estás noutro lugar

ou o lugar onde estavas é levado

pelo tempo acompassado

pelas veredas imaginadas

feitas ruas e estradas...


flores que sempre vias - cuidadas

nos jardins de beirais -  mimadas

pelos amores sempre abundantes

primores desses olhares amantes

que viam sempre a dançar

crianças e gentes de idade

nas vilas olhando a cidade

e nos contemplavam em verdade

e assim diziam ao nos ver passar 

ecos de passos a chegar

desesperado

olhar para outro lado

encontrar esperança,

nesse ser criança,

inventiva 

e 

com iniciativa


nesse tempo passado

nesse estar acompassado

nesse aconchego sossegado

aonde tudo e nada nos é revelado