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domingo, novembro 21, 2010

One LOVE





Algo ou alguém no que confiar inefavelmente…


Já inventamos Deus, inventamos os anjos, os universos paralelos, as vidas passadas e o Harry Potter…

Já demos a volta ao mundo, já vivemos nos céus ou baixo a terra e – seguimos buscando.

Já criamos laços de sangue, irmandades, estados, nações, alianças e estandartes…

Já nos lançamos nos abismos insondáveis e procuramos no espaço sem fim…

O que vemos no espelho em nada se parece ao que procuramos – não tem asas nem halo, não tem brilho nem aura – parece-se a ti… e a mim.


O transcendente está à tua frente.

Um abraço

sexta-feira, novembro 19, 2010

Era Uma Vez



- No tempo do Salazar é que era!...

Dizia ela – cabelo meio solto, canadiana em punho, olhar sereno, fixo… determinado.

- Não podíamos falar na rua, e ele bem nos disse “Eu vou tomar conta do país”… “Livro-vos da guerra mas não da fome”…

A Dona Ana, aos 20, encontrava-se baixo o “stresse” (o Eu-stresse, porque “Di” ainda não havia naquele tempo, e só começou a ser capa de revista quando a Dona Ana começou a tomar conta do Irmão acamado) da lide doméstica. 

Aos 30 sonhou… uma outra vida, projectada no tempo… tomava anti-depressivos, depois passou para ansiolíticos, fazia Psicoterapia por bloqueio sexual, tratava-se na psicóloga por questões de bulimia, tinha um affair com o professor de “body-pump” – vulgo corpo aos pulos - do ginásio que frequentava, a sua página de admiradores no “face-book” – vulgo livro de caras ao contrário -  era comentada por mais de 30 pretendentes e 80 admiradores.
Conseguia gerir o seu cargo de professora responsável pelos programas de educação sexual em meio escolar, coordenadora de curso, directora dos directores de turma e tinha tempo para acumular.

Era uma amante exímia após ter lido o “Kama-sutra” – vulgo livro do amor (amar o próximo) e ter concordado com quase todas as perspectivas da série – bem real – Sexo na Cidade.


Lera Paulo Coelho e sabia que a sua evolução espiritual estava acima de tudo – pelo que treinava nos fins-de-semana as suas técnicas de meditação (coisa moderna baseada na prática antiga de dar tempo ao importante e que levou a cultura na que se insere a ter uma taxa de emigração superior à média, por isso queremos ser todos como eles e ir parar à Índia!); participava em workshops para aumentar a auto-estima, confiança e – como adenda – promover a evolução da consciência ao nível de avatar encarnado nível 20 (bem – aqui já se confundia um pouco com o jogo do filho mais velho – World of Warkraft” – vulgo Mundo da Arte da Guerra - cuja temática acompanhava com insistente dedicação, dado que a criança ocupava 5 horas por dia no desenvolvimento do seu “char” – abreviatura para “character” – tempo mínimo exigido pelas “guilds” – associação de entidades virtuais baixo a mesma facção, cooperando para o mesmo fim. Como é evidente, este jogo é meramente didáctico – não sejam as mortes por arrancamento de cabeça que são exigidas para ter “honor kills” – vulgo, morte por honra – para que a criancinha acumule méritos que lhe permitam ter rango “respected” – vulgo “respeitado” entre as várias organizações que promovem o bem estar dentro do mundo virtual do moço que – por acaso – até tinha uma ferida infectada com tecido desvitalizado à uma semana e que – oops – a mãe viu quando o puto se coçava de forma disfarçada enquanto lutava mais uma hora no PC fixo – usurpado ao progenitor do sexo masculino arrancado a esta história por virtude do guionista da série o ver como complemento à mulher a dias que era paga para dar mais 5 horas à casa do que aquilo que devia; colocado mesmo ao lado do portátil da mãe – modelo gprs com leitura de “blu tuth” – vulgo blue tooth entre vernáculos – competindo os dois a ver quem aguentava mais horas em casa frente ao ecrã virtual, procurando finalizar os programas escolares novos até às 2 da matina enquanto o puto “limpava” mais um “boss” – vulgo patrão – de uma “dungeon” – vulgo masmorra – numa das novas zonas do seu jogo – curiosamente chamada “Novo Minho”).


Ao fim, colocando a sua nova lingerie – com fio dental até ao intestino grosso – cólon ascendente – espera que o marido responda com palavras tão ilustres como o último admirador secreto da sua página “Web” – vulgo rede – que, com galanteio e extrema delicadeza, a fez sentir como a mulher mais fascinante do mundo (entre as restantes 483 contas de página Web que o marmelo acompanha no seu tramitar de situação patológica – que para ele funciona como “catarse” – vulgo “foder” o vizinho, a mulher do vizinho ou alguém em particular em vez de foder a minha particular vida “novas aspas para evitar o segundo parêntese e esclarecer que “foder” é um termo erudito – que vem do latim “fodere” e significa “escavar” – e que não tem nada de mau se se (aqui já se repete o condicional para evidenciar a condição da conjuntura humana actual) encontrar num café um dia para tomar um copo, seduzir a tal tipa com muita fogo que o que queria era que lhe chamassem nomes “fdd” – reduccionismo para o termo anteriormente descrito – já que, com o marido – se sente tão “castrada psicologicamente” – vulgo igual ao que se fazia antigamente com os gatos, mas desta vez na cabeça das pessoas – que não conseguia manifestar plenamente a sua sensibilidade feminina e a “deusa” em cada mulher – vulgo paranóia que alguém criou num livro que depois vendeu uma carrada de livros parecidos com os homens, animais e até plantas – que têm os seus “devas” – vulgo, mais uma merdice da tal Índia - nas estantes das livrarias mais modernas).



No fundo – conseguia a proeza de deixar morrer os cactos da casa à sede, pois – óbviamente – se preocupava sobremaneira com as causas ecológicas do planeta e, até – tinha construído um texto no seu “facebook” – idem ao anteriormente descrito, mas agora sem “tracinho” – digo, ífen – sobre o abuso que as florestas amazónicas sofrem à mão dos desapiedados exploradores de madeiras virgens, que desbravam a floresta e que nada têm a ver com a cadeira último modelo que se dispunha a comprar se não tivesse comprado as botas de tacão – extremamente baratas – que vieram dar um ar de “cavaleira” – vulgo, mulher que monta um garanhão ou animal cavalar que se deixa domar após um estado crónico depressivo e que não tenha estado sujeito ao ambiente livre o tempo suficiente para saber a diferença entre o que é cavalgar em liberdade e o cavalgar com brida…



Retomando o tema – deixando a tal Brida de parte enquanto encontra o décimo-quinto mistério da essência do feminino baixo a alçada do seu Mago de Folk (nome em código para folklore – claro – “não coloco agora aspas para explicar que o “k” não existe no alfabeto português original, pelo que fica mais “chique” – vulgo cricas - mas menos entendível) – retomando o tema, a tal cadeira seria de importação (via China, logo comprada da madeira que os tais desapiedados tinham desbravado na floresta da tal Amazónia – e não a Amazona que matava gente – mas sim a outra que era fina o suficiente para aparecer nos livros da Ilíada (que ela nunca leu na Universidade, mas que lhe permitiu “sacar” – vulgo ser mais esperto do que os outros mesmo sem saber atar os atacadores - o curso mesmo assim pois as sebentas servem para tudo – sobretudo se forem virtuais)…


É claro – hoje - está com “burn out” – vulgo queimada – aos 30 anos, e – talvez – a tal Dona Ana tenha uma certa razão quando dizia:

“Vi uma mulher passar na rua ontem – ia com meias (é complicado dizer “collants” pois, naqueles tempos, era tudo de lã e a França era mais de emigração que de importação) e até usava um cinto!”


A Dona Ana não toma psicotrópicos… aos seus 82 anos. E – ao contrário deste texto – é bem REAL.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Futilidades







Nos tempos actuais, tudo aparece fácil e sou condicionado para dar prioridade à edificação como pessoa egoica ou profissionalizada; maiores investimentos ou compromisso do que “pelo menos tentei” - no aspecto emocional - são lendas do passado ou tiranias do presente; parece emergentemente necessário repensar o sentido de prioridade da minha existência como entidade.

Que o ser humano em mim não seja predado por um sistema de capital e uma nova organização social, privilegiando a funcionalidade sobre todo e qualquer valor que me permita ter sentido de estabilidade, raízes profundas ou capacidade de afirmar a negativa perante o interesse dos grupos económicos organizados.

Algo cancerígeno tomou controle das estruturas das nações, - desenvolvidas para servir o Homem - tal como todos os métodos e meios tecnológicos por este engendrados: promove-se a desagregação dos valores ou de um sentido profundo de “ser” e “estar” que pudessem barrar o crescimento desenfreado de capital.

Como um polvo de tentáculos vários, esta força nociva vai esmagando a estrutura humana desde o seu centro mais elementar - o sentido de pertença.

Outrora – no tempo dos "Afonsinhos" - pessoas e organizações possibilitaram dar equilíbrio e existência ao ser humano: como consciência tendente ao social, como ser emocional ; não apenas como instrumento mental de aplicação laboral multifacetada, de uso reciclável, de utilização intensa e limitada no tempo - como uma qualquer embalagem que se estoura na sua intensidade e depois se estaciona num qualquer contentor para que outros mais aptos tomem o seu lugar... raio de consciência humanista, raio de estrutura de estabilidade entre todas as outras da natureza que tão gravemente se critica.

Arriscar a vida por um ideal – como a família, o amor ou a estabilidade – pode ser uma boa resposta à crise de valores que ameaça com desenraizar a humanidade de todo sentido de “Norte”: que me permite opor resistência aos caprichos de consumismos e utilitarismos completamente descabidos, saídos de fantasias orgíacas em mentes fora do comum sentido de pertença ou vínculo ao valor fundamental de amar o próximo E a sí mesmo?



Erguer-se para dizer “não” nunca foi tão complexo e subtilmente velado do que na actualidade...
No domínio do complexo, a sucessão de tarefas e a pressão crónica a que nos encontramos sujeitos: debaixo da desculpa descomposta de crises económicas veladas, ameaças biológicas e naturais constantes, hostilidade perante um factor humano desconhecido a título permanente, preços de combustíveis e bens base desorbitados, sistemas de segurança social destruídos, peso de seres humanos ditos “idosos” incapazes de ser suportados por padrões de consumo e bem estar divulgados por média demasiado ambiciosos para as capacidades padrão da extrema maioria do mundo… fazem com que a resistência e resiliência perante a invasão das diversas possibilidades de compra/ venda de tempo, interesses, objectivos, compromissos profundos e até dedicação ao humano se tenha tornado insidiosamente impossível de suportar.



No domínio subtil, a humanidade se encontra progressivamente aprisionada numa jaula de cristal – com barrotes frios mas invisíveis:

- Posso comprar via “net” um telemóvel última geração e ter cinquenta affairs em simultâneo. - É possível divulgar às massas a vitória do Porto sobre o Benfica no mesmo rodapé do que um massacre qualquer numa qualquer zona da África.
- É aparentemente fácil dizer "não" a uma relação através de uma mensagem de e-mail ou sms e a agenda electrónica prediz o tempo que posso dedicar ao ser humano que – assim – se enquadra nos tempos pautados por uma rotina cada vez mais precisa e impiedosa.


E – se tudo é assim tão bom, desenvolvido e desejável - não entendo o porquê da crescente ambivalência, do cepticismo e da incapacidade para o compromisso; não entendo o paralelismo da subida do desespero (taxas de suicídio, patologias mentais várias, dependências, criminalidade)…

Se estou numa sociedade na que, cada vez mais, publicitamos a capacidade de opção, a felicidade e a liberdade como mais valias adquiridas à custa do nosso próprio esforço e sacrifício: que raio se está a passar?

 

Quem lucra com tudo isto?
De certo, o tempo desperdiçado com o IPhone poderia ter sido investido aprendendo a abraçar o ser querido.

Será que a tecnologia humana está em desaparição e teremos de pagar cursos e “workshoppings” para “aprender” a abraçar, beijar, tocar, sorrir, passear de mão dada?...

Teremos de ler em livros, revistas e terapeutas especializados, como fazer amor com a pessoa que amamos?

Que nos estão a fazer senhores dirigentes - a onde nos querem levar e que pauta marca o nosso caminhar?
Vamos terminar por “engarrafar” a vida – tal como fizemos com a água – e pagar, por re-aprender a viver com a naturalidade que sempre tivemos: pelo simples facto de existir…

"Não saberem bem o que querem e estarem à espera de algo ou alguém que vos diga melhor do que vós mesmas, para além de qualquer dúvida ou risco - sem necessidade de ir em frente para além do medo - que esse é o caminho que escolhem entre muitos outros caminhos possíveis". Cada homem é um caminho a ser descoberto e não apenas um monte de pedras empilhadas a ser pisado.

terça-feira, novembro 16, 2010

Echoes of Love





Como podem?

Invocar a saída desta escola de vida, sem conseguir amar-se a sí mesmos junto de outrem, sem conseguir amar uma flor, um momento, um suspiro – e querer amar o universo todo, o tempo inteiro, a existência para além dos limites imaginários da forma?



Como querem, pairar no espaço, levitar por mundos paralelos, navegar entre o desconhecido – se nas horas pautadas, nos cantos escondidos e nos dias ordenados não conseguem subsistir sem escapismos fáceis e universos imaginados?


Como te dizer – alma que suspiras por outros mundos – que, enquanto não fizeres deste canto teu caminho, do teu corpo teu segredo e do abraço o teu ninho, vai ser complicado dar passos em mundos paralelos que não tenham mais guia ou norte do que ecos, como gritos entre a bruma abafados…



Nem tudo o que reluz é ouro – se tanto e tão bom está do outro lado do pano – porque ainda habitamos nós deste lado?

Será que, no fundo sabemos, que os "escapismos supraterrenos", serão sempre sombras sem luz no ocaso de um momento chamado "agora"; aquém do tal horizonte ansiado, de nome “tempo partilhado”?


quarta-feira, novembro 10, 2010

Bleed to know you're ALIVE






É a dor da separação que faz com que a Humanidade se atinja mutuamente para se sentir próxima – no sofrimento ou na alegria, sentimo-nos vivos - e é nessa consciência que negamos a inexistência;

terça-feira, novembro 09, 2010

O dom de VOAR



Ouvindo o silêncio ocupando o espaço que é teu quando estou a teu lado;
Sentindo falta dos braços embalando o mundo sonhado neste coração angustiado;
Faltando a música falando do Homem que se esforça por manter este barco a vogar
Entre as ondas que agitam o ânimo opondo águas de um mesmo Mar
Nestes dias nos que levantar o dedo, apontar sem apelo e acusar
É bem mais simples do que abraçar, confiando sem medo e cuidar:
 

Espera-se a música que fale da coragem dos seres que arriscam amar:
Nos tempos que correm, O amor sonhado torna-se suspiro ou sorriso partilhado…



Mesmo assim - simplesmente obrigado!



Pela luz do teu olhar...

Os tempos que CORREM


O sprint começou… é tempo para pensar o mínimo; para sentir o estrondoso explodir da hormona ou a eterna liberdade do ideal vago e utópico – aparentemente perto e nunca alcançável – mas sempre optimizável: (compre complementos e a sua vida melhora!), acessível a qualquer pessoa – “Você tem o direito de ser feliz – se não o é – é SUA total responsabilidade!” ("INCoverTo" não assume responsabilidade pela penosa existência a que TODOS estamos sujeitos: Qualquer parecença entre “isto” e algum período feudal medieval é pura coincidência e se  - por acaso - pensar que paga mais impostos do que outrora é apenas porque o argumentista da tragicomédia onde navega todos os dias se esqueceu de colocar o asterisco no local correcto para corrigir a afirmação de que nada mudou e apenas o aspecto parece diferente).





Faça o curso "I", aumente com o anexo I’, faça o seguimento do curso com o complemento “m”, seja melhor do que o vizinho com o suplemento especial “f”; consiga duas vezes mais pelo investimento inicial com o complemento “you”; poupe tempo e dê mais tempo aos seus com a actividade “ck”; desenvolva o seu poder de opção e dê sentido aos complexos da sua vida com o título “ed”; no fim: porque você e os seus precisam de se divertir, vá desfrutar do filme estrondosamente 3ds “up” – “Altamente”! e ria e chore com a avozinha, o avozinho e a criança virtual - enquanto os seus estão algures numa instituição particular qualquer a apodrecer – ehem – a crescer: como cidadãos (porque somos modernos, responsáveis, civilizados e conscientes, claro!).


Cena 1 – objectiva sobre a cenoura…
A cenoura abana, ondulando – plano detalhado da cenoura em varrimento – cores douradas e amarelo entre um laranja “kiche”…
Um fio – pendendo frente a atrás – tenso como uma linha de pesca… a câmara sobe, acompanhando um vermezinho que se arrasta fio acima: ondulação atrás de ondulação.



Cena 2 – objectiva ao longe – as ondulantes extensões de erva ao vento, o canto de uma águia ao fundo – ecos de liberdade. Riscos montanhosos em fundo avermelhado, enquanto o Sol se faz ocaso.
Eco da águia sobre o fundo do vale câmara que varre o céu outrora azul, tingindo-se de cores escuras enquanto as primeiras estrelas acendem no firmamento…

Cena 3 – Um som irritante vai ecoando sobre o grito da águia que se esvai. O terreno acidentado vai-se observando em detalhe – os cristais perfeitos dos pedacinhos de quartzo - vão cedendo lugar aos pedregulhos escancarados de um caminho de cabras entre um monte íngreme, tão íngreme que o “me” escorrega e cai.

A parte de trás de uma carreta de madeira - toscamente trabalhada - balouça nas tais ondulações harmoniosas, enquanto a câmara vai subindo lentamente para identificar o condutor do veículo móvel. Tralhas sem jeito – televisões usadas, pedaços de porta de carros velhos, cobertores com tomadas pendentes… um sem-fim de "ferralha" compõe o cenário, enquanto o zoom máximo da câmara virtual leva o espectador até à ponta da barcaça móvel onde estará o condutor…

Cena 4 – O eixo da roda - a roda que roda… o vento que sopra e uiva e o pó que se levanta. Verde de fundo na erva que ladeia o caminho estreito, vermelho fogo enquanto o sol se despede por debaixo do carro que roda em velocidade estonteantemente… lenta; mórbido: o som de roda sem lubrificar vai enchendo o espaço da sala virtual, onde o espectador assiste impávido ao filme última geração da experiência IMAXina.

Cena 5 – a câmara mergulha – ouve-se o batimento cardíaco pausado e profundo, sente-se um respirar cansado, a humidade da sala aumentar e a temperatura ambiente a ficar quente. A cadeira vibra como se os músculos tensos não pudessem suportar mais tensão, os óculos virtuais fecham-se sem mais foco do que um ponto de luz brilhante que se vai perdendo na imensidão – de repente a imagem passa para o exterior – o espectador última geração vê a imagem do burro, olhando extasiado para um espaço infinito onde dança - de forma cada vez mais lenta e pausada - uma cenoura pendurada de um fio, em um pau esticado...


domingo, novembro 07, 2010

AMAR O ÓBVIO



Ao longo do tempo, miríades de deidades pessoais se têm interposto entre o óbvio e o escapismo, de forma a levantar ídolos de bronze onde apenas há o mais evidente – o que UNE E LIBERTA.

É fácil de AMAR um ideal abstracto, um qualquer guru iluminado que nos prometa mundos e fundos (sobretudo em época de pressão psicológica intensa);
Fácil de embarcar em viagens a lugares exóticos para a satisfação imediata da curiosidade e vontade do novo… mas – será que sou eu que decido ou algum sistema de marketing e consumo está a decidir por mim?



É fácil invocar a guerra do masculino contra o feminino, do feminino contra o masculino, dos árabes contra o mundo judaico cristão, das crianças maltratadas ou de qualquer outra “novidade” que “nunca existiu antes com tal intensidade e necessita da nossa atenção consciente imediata” e nos impeça de ver que os pilares que movem o mundo se mantêm os mesmos.



Lembrem: temos de salvar o planeta, os animais, as plantas, as florestas, a economia, a política – “hobbies” extraordinariamente importantes - sem dúvida…



E – para que estas cabecinhas pensadoras estivessem aqui, em primeiro lugar - e para aprender a amar conscientemente: deu-se o passo de fazer dois seres transformar-se num novo ser; deu-se a oportunidade para que esse novo ser cultivasse a opção consciente de amar um outro ser para além de si mesmo; de forma a que o ciclo de AMOR se perpetuasse.



O que vejo na fauna e flora diária e na ecologia moderna é uma ameaça ao "balance" do planeta: o pilar fundamental – o abraço humano – está em riscos de extinção.
O que vejo é o AMOR humano em riscos de entrar para uma nova dimensão paralela, de harry potters e varinhas de condão, “alienada” no abraço ao vazio e ao abstracto quântico como desculpa (desculpem – opção alternativa) para iludir o óbvio.



O que sinto é que dói cada vez mais a separação daquilo que é mais íntimo e puro na essência de estar vivo – o sentido de pertença, o carinho e ternura: paixão ancestral refinada à base de tempo, dedicação e entrega.
Tudo parece extraordinariamente importante para o MEU desenvolvimento como cidadão, como profissional, como homem, como entidade cósmica, como adjectivo qualificativo ou substantivo para além do genérico e – o óbvio – aquilo que se cultivou desde tempos imemoriais – parece ter-se deslocado do centro do campo de visão…

Pois o mais importante – para este ser humano – são as pessoas e, dentro disto – amar é prioridade.



Agora – cada qual com cada quem - arranje a sua forma colorida de preencher o mundo de cor, luz e alegria (ah! Às vezes dói que se farta mas – já alguma vez teve algum ciclo de vida no que a dor não estivesse associada à alegria, ou na que as dificuldades não antecedessem o bem estar?).

Talvez algum dia cheguemos a uma terra idílica onde apenas exista o verão – lá veremos que fazer com a fruta murcha no chão ou até ficaremos com saudades das flores de Primavera sem o Outono e o Inverno que as antecedem.


Sonho com o “óbvio” e cultivo o “prazer do imediato” pensando fazê-lo no futuro… um abraço ser humano lindo e maravilhoso!

terça-feira, novembro 02, 2010

Curso Vital



No insondável labirinto da mente,
Uma força pura vem do interior,
Fazendo do agora um eterno presente
Inundando memórias de vida e cor…

Transforma-se a vida em rio corrente,
Jorrando sereno em água clara
De canto simples, fluindo amena
Mar de água igual que NOS recebe e embala


Abraço surgido desde o peito
Força movendo montanhas imaginadas,
No Ser Humano que cresce e vibra
Passando de promessa a verdade revelada…

Entre a vida e os seus ecos - Só o AMOR é real.