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quarta-feira, junho 25, 2014

Alternativas e Locais - Pt I - enraizar os cuidados de saúde no devido lugar...




Uma missiva para uma nova Ordem Local – se uma escola apresentasse uma proposta Projecto – de pequeno impacto  grande fundamento;

Relativamente ao primeiro ponto apresentado – muito me apraz em desenvolver - que se procura apresentar linhas de colaboração entre áreas afins para que os – as Enfermeiros possam estar capacitados com “ferramentas técnicas de base” que – desde o curso de base ou integradas em programas modulares para enfermeiros da comunidade – possam desenvolver dinâmicas (neste caso com base em ciências milenares como as que se desenvolvem nas artes Marciais – das que também sou professor e praticante) para benefício do utente, comunidade – FAMÍLIA:

 - englobando os mesmos em actividades cíclicas, passíveis de desenvolvimento durante toda a vida, adequadas ao ponto do ciclo vital onde os mesmos se localizam no tempo e integradas em estruturas da comunidade que – actualmente correm risco de desertificação

Todas as que ainda traduzam “soberania”, princípio público, Humanizante, social e o respectivo serviço à comunidade desde a comunidade para que essa mesma força se possa multiplicar em pequenos nichos e assim continuar.

Enquanto – em redor o sistema muda de forma radical – deixamos assim espaços abertos e resguardados para se poder evocar, recordar, vivenciar e optar por uma outra forma de promover saúde a título humano, local, tradicional – com creditação validade por técnicos e profissionais.

Sejam juntas de Freguesia – que são unificadas e assim se separam as pessoas anteriormente escolhidas pelas pessoas conhecidas, para dentro das máquinas partidárias;


As escolas – propriamente ditas – as primárias – sendo desenraizadas dos lugares que lhes correspondem, por motivações várias (económicas óbvias – falta de crianças) – agregar em complexo escolar, reduzir pessoal e depois privatizar por falta de sustento para dar resposta aos programas cada vez mais exigentes e de cariz internacional…

amor - devoção
sentimento - emoção
não tenhas medo de estares fraco
nem estejas muito orgulhoso
de estar forte
olha bem
para o teu coração
esse é o regresso a ti
o regresso à inocência...


domingo, junho 22, 2014

A coragem de ser o que se é… diamante (poema) em bruto - tu






Como estar entre uma praça de gente… e sentir – certamente – que estás o teu próprio lugar
Como ajudar a ver – o que está pleno – e precisa sair cá para fora
E se mostrar…

Sentir que vida em ti – convida
A ver
A sentir
A tocar
Outros olhares
Outras perspectivas
Outras formas de ver
Este novo mundo a rodar
Raízes de parques
Entre gentes
Raízes iguais

E assim sentir
Que o teu mundo
Certamente
É par…
Entre outros
Que tais…

Entrar num café – e deixar-se levar
Entre as gentes que ali estão
Tantas histórias diferentes a se conjugar
Numa melodia
Antiga
Mais não sentida
Que se pode
Mesmo assim
“ver e tocar”…

Ainda há quem o diga
Que assim não é verdade encontrar

Não seja as festas
As romarias
Não sejam todas as formas
Quentes
E mais não frias
De se entregar
O que se pensa
O que se é o que se sente
Mesmo quando parece não haver mais ninguém a quem o contar


E sair
Devagar
E ver o sol
De novo brilhar
Reflectido
Na cara
De outros seres a passar
Para to dizer
Para te tocar
Para te dizer
Que é momento de despertar do inverno e essa primavera interna
De novo invocar…


E dizer
Claramente
Sem se ver
Que se está
De par em par
Mesmo quando a esperança
Aparece
Se esvair
Entre o ar…

E assim seguir
Entre quem assim possa dizer
Entre quem assim possa sentir
Entre quem assim possa fazer
Acontecer…
Simplesmente
Porque – há coisas
Nossas
Que se fazem assim ver

E numa praça
Antiga
Por muito que a gente o não diga
Flores de semente
Sementes de vida
Estão a germinar
Entre as novas correntes
De gentes vivas
Que convidam
A viver
A sorrir
Sem saber
A dançar
Entre o sol e o luar
Em gestos
Que outrora
Seriam de duvidar
Quando agora
São momentos de festejar
São os fogos ai a chegar
Tradições antigas
Deste e daquele lugar
Nos que as festas e romarias
Se fundem com outras formas de se lembrar
A alegria
Dos novos dias
E ao velho a findar…

Estar entre as gentes e sorrir
Com a tua forma própria
Da tua semente de vida
Ajudara germinar e florir

Num parque
De gente
Que comparte
O que assim as faz ser
Parte de um mundo que se faz
De um mundo novo que se encontra

E nos dá
Espaços
Mundos novos
De abraços

Que assim se partilham
Entre quem passa
Quem sorri
Quem vê
Quem crê
Quem quer aprender
Ou relembrar e voltar a ser
O ser que era
Antes de ser
O tempo de inverno
O que gela
A forma interior
De ser
Amor
Calor
Interior
Ou simplesmente
Esse carinho de sorrir
Por louvor a uma vida
Que se faz
Que se mostra e se traz
E assim se partilha
Entre cheiros diferentes
Entre olhares convergentes
De tanta e tanta gente
Que caminha
Certamente
Para o lugar que se ilumina
Por dentro
Que se reflecte
Num momento
Como este
Numa praça
Entre olhares
Ou tempos agrestes
E gentes
Que sorriem
Esses rebentos
De vida
Essas gentes em romaria
Essas formas antigas
De festejar
Além de quem diga
Que é tempo de parar
De deixar-se levar
De abdicar
Da força interna
Viva
Festiva
Que sempre nos fez
E nos ajudou a nascer
E nos pode assim caracterizar..

Essa é a força da gente neste tempo presente
A força de gente que se torna
Irmã
Irmão
Neste tempo de colaboração
Alguns induzem a separar
A desunir
A ficar
Cada qual no seu lugar
E outros convidam a seguir
A convergir
A se encontrar
A passear num certo sítio
Num certo lugar entre tanta
Tanta gente
Que realmente nos pode reflectir
Ajudar
A meditar
E assim revelar a força do agir
Ainda presa em nós

Esperando se manifestar…

domingo, junho 15, 2014

A um Ser Oculto - em ti, em mim - quem sabe em todo o Mundo...



(fica tão fácil
entregara alma
a quem nos traga um 
"sopro" do deserto")



AS ORDENS DOS MOMENTOS FALHADOS – como manter-se lado a lado – com os passos assim acompassados…

Ordenavam os villanos – os vilões dos corações – que não aqueles em si honrados – separar amizades e corações – apar os milhões por eles guardados…

Para manter uma hegemonia, uma história escura e fria – que se repetia – até tu e eu cá chegar…

E ouvimos o que não vimos –e sentimos o ser a ser igual – e renascemos por dentro – sem saber bem quem é qual…

Por vezes te sei – por vezes a tua mão se esvai… por vezes a luz branca – de um luar – mostra uma figura – imensa – em volta a me abraçar…

Imagino que contigo é igual…

Que a sombra te pega e te pretende levar – pelos labirintos da treva – além do Mar – de Amar – e chegar a onde devemos – quase todos (seremos mesmo todos ) o lugar de onde mais não se pode escapar – esse paraíso perdido...

E esse fogo por dentro aceso… quando parecia esquecido, esvaído - ´pálido ou esbatido… esse algo –  incutido – que brinca por dentro – contigo e comigo…

O caminho consagrado – dos elementos em nós rezados – pouco a pouco encontrados –assim separados pelas ordens de gregos e troianos – interessados no poder – soberano – de comandar o que não lhes foi dado – a ver sentir ou tocar.. só tu e eu – poderemos achar – aporta da pureza – e por essa porta passar…

Seja à beira de imenso Mar – que se faz vaga –q eu nos enovela e arrasta – além a esse lugar que fica aquém – mais além do que se possa sequer imaginar – conceber ou até pretender encontrar…

Esse algo que se mostra - na luz do luar – entre poemas de uma vida inteira que – se dispõem assim a se contar – segredos interiores a segredar – duas peles um mesmo respirar…

Como seria possível dançar
Na orla de uma floresta
Sem encontrar

Que os meus passos 
são os ecos de outros passos 
nesse "nosso" caminhar...


"vai-te encontrando
na água e no lume
na terra quente
até perder
o medo
levanta muros...

Acontece assim contigo também – além de quem te assuste, te comanda ou te diz que alguém – é assim ninguém?

E se se pensares – que os caminhos são pares – ainda há muito por descobrires e pensares – se te atreveres a sair das barras dos vidas e dos recintos labirintos de certos ares…

E ver o mundo fluir, e fruir – por ti e por mim – assim – entre o que se ama e ao que se é devocional – aquilo que por dentro – nos apaixona…

Esse Ser Maior – que se faz em ti e em mim “senhor” – essa vida – escondida – senhora de todos os dias… essa força – vivente – em ti e em mim presente – esperando ser liberta – ser libertado – de entre os grilhões de ouro gasto de parecer dourado – esse relógio que permanece parado – que roda em si mesmo sem nada novo – de qualidade revelado – da tua qualidade...

Da tua vida .assim iluminada – e da minha promessa de essa mesma semente – que não se apressa – assim – de repente – em belo jardim – de encontro – plantada – plantado…

Como se o céu inteiro se reflectisse –além de quem te disse – para parar – para deixar de falar – para ignorar e isolar – que ordens sinistras de quem não sabe comandar – são ordens de artistas – que em vez de unir – pretendem separar…


"dá-te ao vento, como um veleiro - solto no mais alto "a"Mar"...



“Que maior do que mostrengo que minh’alma tema…
Me ate a vontade ao teu leme
Essa vontade suave e amena
Intensa, secreta...
Que se encontra
me permeia
quando menos se espera

E que por dentro
Nosso alimento

Por fora se reflectindo
No chorar sorrindo
e indo mais além, 

não mais uma quimera
algo concreto 
que nos anime
e nos eleva
a mim e a ti também

para a casa dos sonhos
que por dentro
ou por fora
nos espera…

Muito mais além
 do que se sabe
e pensa…

parte da resposta em mim
a outra…
em quem assim lembra…


a noite vem às vezes - tão perdida
e quase nada parece bater certo

algo em nós
mantém a perspectiva
mesmo quando o profundo 
do nosso abismo 
aparece aberto

e o sentir o fim de um amar
que nos diz o escuro
é o que resta
de um Amar Maior...

Se tu me Respirasses...
eeu caminhasse
em tua pele

trocando palavras tuas
minhas
que o sonho adormece
até se voltar a esquecer

seremos cúmplices
nesta vida
ou apenas até despertar e voltar
a deixar-se levar
por quem nos diga
aqui
além
está quem
te mostre
o que tu és...
alguém....

mais além
de peito aberto
encontrarás Quem
assim caminha
assim é
assim te mostra
de forma suave
como a um filho
quem És...
o que és...
e que tens realmente
em frente
enquanto
ainda
O não vês...











sábado, junho 07, 2014

Das latas dos Internacionais






Havia duas latas… duas míseras latas…

Sem Timorenses no local… nada de Timorenses a comprar… apenas havia Timorenses no balcão… do outro lado… a levar sacos de compras para o Jipe internacional… a levar embalagens vazias de volta para o seu lugar…

Duas latas… “Ice Tea” se a marca não se importa da publicidade… eram duas lado a lado; lembro porque pensei que era engano. Uma a u.s 1$67…a outra a u.s 0$67…

Achei piada… o funcionário tinha-se enganado a marcar preços… mesmo o sítio sendo Australiano pensei que a coisa tinha caído no “caos” de Timor.

Depois, olhei mais de perto: uma das latas estava escrita em Bahasa… a linguagem da tão vilipendiada Indonésia.

A outra, estava num bom Bretão moderno…


Qual a mais cara pensara… e – de repente – parte do Drama de Xanana num dia prévio à visita do Presidente Indonésio fez todo o sentido…

(excerto de relatos sobre experiências internacionais, com fotografias - que esperam ver a luz para patrocinar uma iniciativa de transfundo local que promova o enraizamento de actividades locais - que - como na montanha de Timor - permitam ao povo manter os seus costumes, a sua vida e os eu ritmo - além do tempo por relógio pautado - marcado pelo latir de um Coração Humano)

quinta-feira, maio 29, 2014

Recordar - o que é para recordar...

Quando perco o que sou...

existe um algo
trazendo de volta
os que ficaram estilhaçados

existe a luz
a esperança

existe um ser grande
com voz de criança
que no teu peito
e no meu dança

voz de ancestral lembrança...



E o regressar
De se diluir o ser
No Ser e persistir
E depois voltar

Guardando registo
– impreciso, não fixo–
da marca da consciência
do caminho e do reentrar

Do “algo” que te diz além do sonho
Ser o sonho a realidade real
que traduz a realidade pequena
deste nosso mundo de ideal…

tão grande e vasto és…
tão pequeno pareces ser
vai assim a tua essência além 

sábado, maio 24, 2014

Excertos de em relato em aberto - Livros de promoção de actividades por devoção - certas zonas a desenvolver e vales a entrever

Timor é aqui…

Eram os casamentos 
– tantos – em Setembro…

 gentes a festejar – num lugar feito 
entre palmas entrançadas… 
palmeiras daquele lugar…

"festa de desluto" - Oe-cusse, Timor Lorosae
2004



E bebiam o vinho da árvore
 até a faziam destilar… 
como é gente nobre… 
as daqui 
do lugar

que fazem o mesmo com a parra… 
e com a festa de noite… 
ainda que não voltem já a caminhar…

Como faziam os de lá
que ficavam
pela noite dentro a festejar
para que o Sol iluminasse
a caminhada do regressar

Quilómetros e quilómetros para se andar
Famílias e aldeias a congregar...

Pois a vontade que os unia
por dentro ia
enquanto o corpo seguia
por fora a caminhar
nesse algo que não se "olvida"
que é o que anima
a festa
de encontro
viva
do casamento assim celebrar

e perseverar...



Eram os "baptizados", o receber os novos "padres" que eram sempre bem enraizados...



(perguntar o que aconteceu a um Ximenes internacional - que recebeu
um Prémio Nóbel e de repente pôs-se a andar...);

Eram os "Barlaques" para se combinar - como duas famílias inteiras, duas aldeias - se iriam encontrar - através de duas vidas
meias
de moço e moça a entrelaçar... eram os "catuas" sentados - no chão dedicados e as famílias em redor a ouvir, a falar - noites inteiras - de vidas cheias - sem meias medidas a ocultar...



Eram os "deslutos" nos que os "animistas" mostravam o tempo na vida que "passava", depois de um ano a esperar... 


"festa de desluto" - Oe-cusse, Timor Lorosae
2004


umas famílias, uns cantos, umas folhas de palmeira erguidas, um recinto para festejar...

"festa de desluto" - Oe-cusse, Timor Lorosae
2004





danças leves... suaves... breves... como uns lenços a abanar.. 


"festa de desluto" - Oe-cusse, Timor Lorosae
2004



deixando a dor da "perda", voltar à terra, de onde se ergue 


"festa de desluto" - Oe-cusse, Timor Lorosae
2004



- sempre sempre - devagar...



"festa de desluto" - Oe-cusse, Timor Lorosae
2004



e uma música ligeira e toda a gente companheira e a tenda que mudava 

- constantemente de lugar - 


"festa de desluto" - Oe-cusse, Timor Lorosae
2004



entre as mãos que entrançavam palmas e as músicas no ar a pairar...


"festa de desluto" - Oe-cusse, Timor Lorosae
2004


e depois - como sempre - no  nascente - regressar...


"festa de desluto" - Oe-cusse, Timor Lorosae
2004





trezentas pessoas juntas - para assim evocar - a memória de um chefe de aldeia de um certo sítio que aqui se pretende lembrar...


Ficavam as pedras entre as pedras sagradas - ali do lugar - como as nossas - tantas entre as tradições antigas ainda a se lembrar - são as voltas à igreja, pela destra ou a esquerda - para quem se lembre ou quem se da ao gosto de de precatar - dessa cultura "anterga" - de muito antes do que se pretende evocar...

pedras sagradas - que apenas os locais, os "iniciados" podem visitar... de certa maneira, uma cultura antiga e inteira, que nestes lugares ainda se pode achar...
A caminho de Pássabe - Oecusse, Timor Lorosae
2004


São as rochas que se lembram - castelos de Fraião, são os Faros de uma outra margem - um Porrinho - porque não - são lugares de devoção pois - assim, uma semelhante "nação":



Timor também é Aqui...
"Notaste algo parecido assim?"


Carros não havia naquele lugar… e os camiões que existiam – eram o transporte comum, que levava gentes para qualquer lugar para a estiva – que aqui já não temos… 

Autocarro local - gente que se desloca (nós participamos como podíamos - e íamos - o transporte para este lugar foi feito em carro semelhante que tem a traseira mesmo a se ver de forma singular - o motorista da missão olha - porque sim ou não - todos colaboravam numa certa "intenção" - reabilitar um posto de saúde que existia para quem assim acude...)
Níbin - Oe-cusse
2004



alguém se lembrou de vender o que não tem preço nem se pode perder – a vida as tradições e as gentes que valem a pena recordar/ de quem vale a pena recordar – nestes tempos “intransigentes”… a cultura popular pode ajudar a lembrar e salvar

Mercado de Tono - Árvores sagradas e pessoas - uma mesma estrada - a "tono"...
culturas antigas, escritas nas entrelinhas, que mais ninguém diga - que essa cultura aqui - também não é amiga...
Oe-Cusse - Timor Lorosae - 2004




 – o que somos, o tempo de que dispomos e as pessoas nobres que se escondem – concentram – cada uma fora do seu próprio espaço vital 

Criança Timorense a vender "bolos" à saída de um café "internacional
onde na montanha corriam livres aqui tinham de "pactuar"
Díli 2005


– sejam as crianças em caixas vazias – para escolástica decorar… 

sistema de incineração "local"
onde antes os ovos de mosquito não cresciam, entre as garrafas vazias se faziam... e dos pneus nada dizer - ardiam até mais não se ver...
Díli - 2005



caixotes de formigão… caixas vazias – maiores em cada dia… para depois se comercializar ao extinguir o sistema oficial…

antigo "super" mercado - feito em incêndio por algum descontentamento do povo local durante o 2003...
Jovens Timorenses onde - não entravam habitualmente - preços em dólares pautados para alguns... "aparheid" de forma velada em própria terra marcada...
Grades e prisioneiros ou liberdades de povos inteiros...
Díli - 2005


Os grandes igual… antes namoravam em tempo de estiva – eram as espigas de milho vermelhas…

Díli - rotunda do aeroporto - namoro "under water" 
(- como se mantém algo livre quando tudo parece dizer que "não"...
seja a chuva, seja o coração...)
2005

 rainhas… eram os cantos e as moças e moços que riam… agora nem têm tempo para dialogar…

Díli - Comoro - Sistema de Recolha de Lixo "ainda" por desenvolver 
(época prévia à Malária e Dengue - reuniões internacionais para campanhas de recolha de lixo à mão... quando se poderia financiar um camião e o combustível para tal.... coisas que as crianças não podiam deixar de comentar... 2005)


Ouço no centro – antes que não há dinheiro para que a vida siga…

Avenida principal (Díli - Junto a Caixa geral de Depósitos, Embaixada e Correios - alguém que vende cartões para carregar telemóveis - Díli - 2005)

agora que não há tempo para em tal pensar…

A caminho da Rotunda do Aeroporto de Díli - Timor Lorosae - 2005


Coisas que se estendem… mal o diga – naquela terra eram muitos e se mantinham 


Chegada a Oe-Cusse "auto-estrada" - 2004

– sem relógio, sem terra fértil, sem gado como este que cresce como as plantas e flores num certo vale…

leito de rio à beira do mercado de Tono - Oe-Cusse 2004




E não havia fome – ainda que os da capital – enviassem diplomas selados – exigindo que os programas internacionalmente gerados – para os refugiados – de guerras que os mesmos ajudaram a patrocinar –


marcado de Oe-cusse - as horas primeiras eram as melhores, a partir dai - regressam a casa os vendedores...
Oe-Cusse, Timor Lorosae - 2004

tivessem pão de dependência – quando – na sua própria ciência – viveram eras sem depender nem ajuda pedir… nem assim manifestar...

nem precisar de tanta tenda que lhes enviam – quando a carência também é aqui…


 Timor também está aqui…



Tantos  e tantas nas listas de espera
Do trabalho que mais não chega

embaixada portuguesa - Filas de espera para validar documentação de antiga "pertença" à administração colonial...
Díli - 2005


Das sopas de compaixão
De pobres sem razão…
De gentes sem atenção nas urgências
De gentes sem vestes
porta de entrada - embaixada, caixa geral ou correios de Portugal
Timor também é aqui... ainda que pareça que não... irmão...
(em Timor, calam-se as vozes... dos Teus avós
em Timor, se outros calam... cantávamos nós...)
Díli - 2005



Sem nada mais
Nem o mérito de uma vida vivida
Servindo um espaço
Que chamamos
”nação”…

recuperação de posto de saúde em Níbin - Oe-Cusse
Sorrisos entre o Pó...
Uns engasgavam-se e outros também...
Timor Lorosae - 2004




Onde SOMOS
Uma mesma língua, uma mesma geografia, uma história em comum… 
e deixamos de parte o ser que passa… sem nos olhos olhar… 
sem dizer bom dia…boa tarde… 
como as crianças de Timor diziam...




“BOM DIAAAAAA!” a cantar e encantar-…. 



E são elas que precisam as escolas
E precisam dos telhados de zinco
Das organizações internacionais
Eles que não sabem fazer telhados de palmeiras
Nem estiveram mais de mil anos… 
assim… 
sem mais…

Depois do zinco
Vem a viga
De fabrico internacional…
E vem o cimento – que se faz
De forma própria
Com a ajuda de quem é capaz...



São coisas que se partilham…
nos fins de semana
Discotecas em Díli a arder

Pedras nos telhados
De internacionais a chover

E – na montanha
Era reabilitar 

edifícios deixados
abandonados
ou queimados


Por milícias
De países pagos…



Hotel Timor
Fundação Oriente

"Paaaatriaaa
Paaaaatriaaa
Timor Leste Nossa Nação
Glória ao Povo
e aos Heróis...

LIVRIIIIIIIIII
NAÇÃO"

Díli - 2005

Os corações pequenos
depois da auto-determinação 
- plenos - 
cantavam

e os cimentos
e as armaduras
abalavam...

Uma forma nova
de demonstrar
VALOR

Uma que parece
ecoar
para além do que é
alegria
ou 
dor...

Valor Humano...
sem mais...



quinta-feira, maio 22, 2014

Residuais - partes antigas dos projectos originais

Os residuais – padrões de comportamento entre o “projecto original”…



mergulhar além do sol e do mar
e além
perseverar
e por amor
e devoção regressar


Tal como um carpinteiro, que talhando a peça que antevê no coração – vai retirando – camada a camada, como um artista de uma arte que nunca acaba: as birutas que se entrelaçam, que espiralam, pelo chão da oficina amada… assim também a pessoa humana, no seu caminho de regresso “a casa” – essa obra pendente ainda não terminada – prometida e entrevista – assim começada (dizer adorada seria alvo de se pensar que entrediga o que a rima descrevia deforma airosa e não airada )…

A imagem do “carpinteiro”, a paisagem do artista, a imagem de um oleiro que com suas mãos de coração dá forma a algo que neste lateja – através da intenção que a sua arte almeja… para que se veja a obra consumada – contém as suas imperfeições – ditas pequenas pedrinhas no barro que se trabalha… pequenas coisas que fazem a massa que estala… se se retiram ou se vêem a tempo – assim se reduzem a nada…
Com agua, calma e serenidade… com o tempo que exige a obra que assim comanda a vontade… com a imagem que se leva por dentro – por vezes fiza – por vezes um inteiro firmamento – colocado em tela de noite estrelada- reconhecida muitos anos depois por quem – no tempo – não via nada…
São residuais do que se fala – esses algos “ainda não fixos”… ainda não trabalhados pela Vontade Maior – pelo algo que fala desde dentro daquilo que é o sustento do alento interior.

Nos tempos que correm, ainda não se vê – que a essência humana representa a obra inacabada nas mãos do artista escultor, do pintor de vidas em telas vazias – cheias de tudo o que manda o primor… que implica abrir-se ao que vai além da escrita, da métrica da poesia erudita e passar além da “dor” da separação aparente a época anterior e – transcendendo – assim “ascendendo” – reunir-se com a meta ansiada, a casa nunca abandonada – esse algo que nos chama – e que em nós clama em cada obra de louvor….
Seja assim uma mensagem antiga, uma forma viva – de se dizer – Amor (e tudo o que rima e que se possa traduzir de forma própria… como passo em corda bamba – de funambulista que não se engana - poeta, escultor, atleta de Causa Maior…

E cada biruta – um residual – que faz parte da madeira original.. e que se junta à obra… mesmo quando se parecia acabar – como uma peça de música que se toca e se aprecia desde o cenário principal – toca a sinfónica, toca o maestro, toca o publico que a música toca… e juntos são harpa que o Grande Ser evoca- quando assistem à harmonia e amam o que viam, o que sentem, o que lhes fica por dentro além da mente que repete como uma cotovia aquilo que o coração em si sustente…

Harpas assim viventes – com ecos de sintonia – em cada acerto de primor
Em cada liberdade maior – que mais não prende – que assim liberta o verdadeiro Amor – de estar abraçando a eternidade – esse caminho – peça ou destino – entrevisto pelo artista Maior… que se faz – a simples vista – em movimento melhor, em texto de louvor, em sintonia que nos faz sinfonia de algo que ecoa e se reflecte… que a alma “jamais” compromete – por evocara sua Causa Maior – essa que repete, que ecoa . o que por dentro a Voz do Maior ressoa e que por fora se reflecte – como uma pela de bombo que ribomba, como uma corda de fina harpa que repete – essa harmonia no seu próprio tom, na sua própria forma específica – seja grave seja acusticamente erudita… seja parte da obra que nos grita sem nos ferir “acredita”!

(P.S – residuais são birutas, são partes da parte original – nem melhores, nem piores que a obra que nos é dada a celebrar… são resíduos que se deixam ao caminhar – são os próprios abraços que o artista depois reserva – para demonstrar o que é louvor – tempo e dedicação, perseverança e opção – interior maior – se se expande a alma e se acende a luz do amor – em cada recanto que clama essa viva chama – que por dentro se proclama e que por fora se mostra discreta – na voz do poeta atleta… na sua forma estranha de dizer tudo sem dizer nada…

em cada palavra que mais não encaixa… por haver uma palavra que lá marcada – seria a ideal para a rima cruzada… seja esse o residual.. por vezes – tantas inconsciente, por vezes “original”… como tapetes de "cachemira" com falhas para quem admira, deixadas de propósito para mostrar- um certo trabalho – por vezes intencional – por se deixar espaço a que cresça o abraço entre o ser que caminha e o seu Ser original… caminho meta ou via - esse de onde se parte e onde se pretende chegar afinal…

"Os residuais" - enquanto tal - manifestam algo que vai além do ser original - assim sendo - apenas lhes dando atenção e concentrando o fino sustento da nossa devoção - na arte que nos é dada como caminho de crescimento e transformação, crer todos os dias, praticar de forma amena... amiga - e desenvolvera máxima antigo - meio Alquímica, meio Benitina - "Ora, Ora et Labora - Solve et Coagula"... projecta a intenção, mantém a intenção, desenvolve a intenção de forma pragmática, dissolve o que já não faz parte desse centro, concentra o teu novo alento e prepara uma nova fase de projectar um sonho que se transforme em realidade - escada antiga e fidedigna para o Ser que por dentro anima - ao mesmo tempo nos esperando...
talvez …