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terça-feira, agosto 06, 2013

Cantemos

Dia Mundial Humanitário...

Alguém lembra quem não pretendia sequer ser lembrado...

Lembrar as gentes, as experiências... as aprendizagens...

Gente nobre, humilde, humana como ser humano formatado pela tecnologia nunca acreditou existir...

Seres humanos íntegros e livres que nos convidam a sonhar um mundo novo no que o saber, o saber fazer, o servir e o humanamente essencial - ser HUMANO de foma total - estejam ao serviço dessa humanidade que tem fome e sede de si...

Fica a lembrança do ano anterior e a expectativa daquilo que este ano trará...

A partir dai, os textos sobre Timor... aquela dor... aquela terra que se leva dentro.. aquilo que evoca sentimento e aquilo que deixei ali e aquilo qu de lá cresceu em mim...

Aquilo que existe aqui...dentro de ti...
nesses "Timor" Terra fora, e neste Portugal que chora a sua alma ferida e a perda da identidade antiga...

Aldeias de Portugal...
viver a vida devagar...
sentir o Presente...
saborear além da mente...
se entregar simplesmente:

a ser e a melhorar o que se pode melhorar

garantindo que o essencial se preserva tal e como se deve preservar...



É por esse TIMOR -  também nesta nossa terra - dentro de todos nós:

esse que rima com a palavra antiga começada pela letra "A"...


... cantemos nós quando outros calam,
sejamos nós... 
luz...
quando todas as luzes se apagam...
sejamos nós...

AMI

domingo, julho 28, 2013

COMEÇAR...

Pescadores - caminho desde Oe-Cusse a Citrana
Timor Lorosae - 2004



Começar...

A escrever... a descrever... um povo... uma memória viva... uma cultura antiga... um mundo... que se vai perdendo... na nossa terra... a memória dissolvendo...

Da porta aberta... da gente certa... do oferecimento... do sorriso aberto... do olhar... sincero...

De um tempo sem tempo... no que era bom ter tempo... para ser... estar... andar devagar... sem carro... sem pressa... chegar por dentro... é destino certo... o mundo é redondo... onde chegue o passo é onde se volta a

Começar...


sexta-feira, julho 19, 2013

TRIGO


- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. 

Eis o meu segredo. 
É muito simples: só se vê bem com o coração. 

O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. 





Era Junho… ano de 1997… andava uma criança grande por terras de Cerveira, aprendendo com as suas grandes gentes… a conduzir, a falar, a ser…

Era andar na quatro “L” do serviço… e aprender a meter mudanças a enguiço… era O Sr. António da secretaria a dar piadas todo o dia…

e a Fátima… colega amiga… afável… que falava e fazia e ninguém via… era a Sousa Reis de humor singular… era a Hermínia que conduzia o carro e dizia para tirar os ovos dos braços ao fazer marcha atrás… era a Sofia que tudo fazia… e era eu que lá andava a empatar…



depois  era o Pinto da secretaria, o Esteves Marques que era árbitro que deixava jogar … era o Manuel, a Lídia, a Branca, o “Toninho”… tanta gente que passou e alguns que optaram por ficar… era a Constança na telefonia… e os médicos que se mantêm no lugar… Fossem eles “O Acácio”… o Dr. Luís”, a Dr. Glória”, O “Teixeira”, a mãe Fátima… tempos estranhos com números bizarros que hoje custa a lembrar…

Era a Maria José, a Fernanda, a Rosa… o das “áuguas”… tempos e gentes que passaram devagar… como se esvai no tempo quem lá estava para cuidar… como se faz transparente quem antes era presente e digno de se saudar…

Eram as quinze estrelas desta terra – todas elas e cada uma tão belas…

Desde os parques de Moutorros, à santa Luzia e a sua Zona industrial… fosse ou não a Valinha o lugar de Nascimento da terra antiga… Santo Amaro nem tinha Lar… de Cuba pouco se falava… uma terra sem igual… ninguém entendia – que havia – ao lado do “planetário” onde – a diário – havia pessoal a labutar… Ilhas e estalagens… havia lugares… onde as juntas tinham médico para ajudar… entre boegas, mangoeiros e calvários, boémias a tempo inteiro perdendo o visitante e o seu olhar até confundir o nome primeiro com “em” onde se imaginava estar… havia terras onde as gentes estavam em cooperativa… volantes e coisas garridas – fosse a capela São Julião ou Pantaleão - nomes mil para a candura que se mostra assim… havia lugares como as fronteiras que se esvaem entre coura e as terras Valencianas e outros que se escondiam para quem lá Caminha… e outros que se ficavam – tidos – como entre montes e vales… e havia as poças verdes, de nomes estranhos… covas de verde… espaços de verdades… e tinham as vistas para o Mar…. desde o alto que servia para levar… terras estranhas… “France? Aqui – neste lugar?”… tanta coisa para evocar… até havia lugares com nome de árvore… que ficavam entre os campos… nogueiras… quem sabe carvalhos… seriam os termos… estranhos… nomes… tantos… como os das pessoas que passaram – como um rio que se esvai… e se dissolveram… sem mais nada – levando em si um pouco de quem conta o que na alma cai…nomes sem nome que se perderam… entre as mãos de quem estava lá para cuidar… cenas de vida que a vida deixa nas entrelinhas… como tudo aquilo que te estive até agora a falar…

Foi o Mendes que por ali andava… já de bata arreada… era a Costa Torres que foi para outro lugar… seria o Pinto administrativo… e as histórias que te digo – tinham muito para contar… e lembrar… Tantas que nem vale a pena começar…



Eram as ambulâncias que entravam… pela janela que se abria… os lavatórios que se não tinha… não fosse Enfermeiro ser que usasse tal forma de se higienizar… (e não passou quem fala a história triste ou bizarra de estar a atender num centro de saúde de primeiro andar… essas histórias da calçada fazem parte do património da santa casa que te estou pra’qui a relembrar)…
…eram os tempos das “urgências” sem materiais nem treino nem gente suficiente para amparar… mas toda a gente as queria e as coisas eram difíceis de explicar…
…. lembrar carrinhas e autocarros de crianças acidentados e nós a correr…
…quando a coisa aquecia é que se pensa bem no que se andava a fazer…
Urgências toda a gente queria…
primeiro meios para as haver…



Lembrar o primeiro parto – à porta do Centro – a Teresa decidiu vir fora de tempo – e os pais só tiveram tempo da cabeça amparar… e viu toda a gente como a cachopa nascia – nós com lençol a servir de sala e as médicas lá dentro a trazer a vida à vida…
como os carros são lugar de improviso…
coisas estranhas que surgem sem aviso…
Foram as muitas casas visitadas… antes do rendimento mínimo e de outras coisas engraçadas… eram as carraças que ainda havia nas orelhas da criançada, eram as pulgas que connosco vinham – de tal forma estávamos pele a pele agarrada…
eis a profissão que não se separa da gente…
nem com bata, nome, uniforme, crachá…
estatuto profissional…
ordem, hierarquia ou coisa dessa que todo o mundo aprende…
e outras assim que tal…



Eram os lugares onde ninguém ia… fosse a quatro L, jipe ou carrinha:
quem levava esperança onde a electricidade se sumia…
aldeias do sopé…
gentes que ninguém quês ver…
 e nos víamos como se esvaíam…
e com elas sorríamos…
e com elas íamos…
e depois tínhamos de voltar…
vínhamos nós e eles…
 há certas peripécias impossíveis de contar…





Fosse o primeiro ser que se viu nascer…
como o primeiro que se acompanhou até ao “outro lado do mar”…

Foram os centros de dia, os apoios domiciliários, as formações e os materiais vários… tempo de fartura quando a coisa dura na que uma foi uma Câmara luzidia
– com nomes próprios que os partidos esqueciam…
as gentes – essas – não…

Foram os projectos de apoio às escolas…
promoção de sexualidades que agora se faz olhando a T.V…
antes ninguém se atrevia a falar…
agora entendo o porquê…



Foram os enganos – tantos – de quem aprende todo o dia com quem se conhece (e reconhece)… desde o chá de oliveira, as plantas, as ervas… e as terapias várias e outras tantas… aquilo que toda a gente ensina… quanta mais valia… quanto tinha este ser humano que aprender!
Agora – meio cego – olho um ecrã e espero – que me conte este tanta vida e tanto saber…
e espero….
E espero….
E espero…
e o santo trebelho mantém a boca fechada sem eu perceber…



Eram as PESSOAS…
SEMPRE AS PESSOAS…
e o tempo para as ouvir…
dia a dia…
para as visitar e conhecer…
e sentir…

Além de um número numa cama… ou de um hospital onde o humano acaba… era a sua casa, a sua família… a forma como viviam o dia a dia… assim fazíamos “promoção”… de saúde, da humana condição (que saúde é um termo, que muda de certo a incerto… que paira entre o Verão e o Inverno… e o humano sua razão ao certo… fica a “vê-las passar” sem entender):




que é diferente de uma enciclopédia internáutica que vomita de forma exacta tudo aquilo que está escrito nas mil e uma fontes válidas…
dar atenção… 
cuidar…
é o ir conhecendo… 
dando-se a conhecer…
devagar...
uma palavra amiga, um ouvir… 
um entender…
e – de vez em quando – 
um conhecimento pedido para assim fazer valer:


se for útil e o ser humano assim entenda – eis a parte que lhe dá força e poder…
ajudar seres livres a caminhar erguidos…
retirar muletas e ver a esperança renascer…
vocação linda esta de dar e assim receber…

saúde?...

aquilo que a pessoa mostra e tudo aquilo que se pode partilhar, sorrir, chorar… ser… (e entre as lágrimas de quem vem, vai, se alegra ou sofre: há tanto por ouvir e compreender);

Assim – vão os dias… foram gestões… foram planos, intenções… foram coisas diversas – nomes mudados -  que trouxeram a mesma essência…  até a essência se perder… e – quem sabe um dia – esteja ela tão fugidia – que regresse quem a traga de novo e a faça de novo valer:



Se vamos atrás do número.. .como abelha atrás do favo… perde-se a flor e o seu mel…

Se PERDEMOS O TEMPO PARA OUVIR,
PERDEMOS A POSSIBILIDADE DE CUIDAR…

Se não podemos sentir…
que humanidade podemos ajudar?...

Hoje temos aparelhos, trebelhos…
temos ecrãs LCD…

E faltam balanças para pesar…
entre o tempo de quadradinhos
marcados em mesas grandes de algum outro sítio
ficamos ocultos detrás daquela máquina que oculta o olhar

(um ecrã não é a face viva de quem se cuida…
e nunca se sabe bem quem cuida quem - 
sabemos que quem dá e recebe é como uma sintonia…
e não houver ecos vivos… 
se não houver mais valia
tempo que é qualidade na quantidade…
Seres humanos 
– lado a lado – 
que dão de si o melhor que por dentro têm… )


Fica a saudade do tempo no que havia à vontade… no que todos (os da bata branca, e os que não, os de azul, os de verde e os de roupa de rua e forma de ser igual) nos conhecíamos e sabíamos que cada um dá o que em bem sabe entregar…



Este que escreve – manteve – uma certa postura durante um par de anos:
Depois de tombar é importante QUERER, MOSTRAR… e SABER… levantar… com mérito reerguer…
um lugar, uma hora própria para cuidar, material para fazer valer as técnicas que foi ensinado a aprender…

carta registada, pedir sem receber nada… pedidos de trânsito… enganos… de gregos e troianos

Como sempre – o tempo passa, as caras mudam, ninguém nota nada…



Ninguém vê… “que faz o tipo com quinze anos de serviço a saltar de lugar em lugar”?

Respostas?
Várias – desde que estaria “passado,” (sim – esta vez significa pertencer a um tempo “pretérito”), que estava a trabalhar noutro lado… coisas que nem é bom lembrar…



Fica a saudade da terra, das gentes, do lugar…
dos “simplesmente” que estamos a deixar ir sem sequer lutar…
Do tempo, do espaço, do solo consagrado…
vendido e humilhado baixo coisas que parecem brilhar…



Como o tal monitor de outras margens…
que deveria ajudar em vez de complicar…
A humana relação implica humana condição
Cuidar – de mão em mão, olhar a olhar – coração a coração



Tecnologia:
A necessária… pois nela existe um princípio que se esquecia
Que é PROPORCIONAL a quem CUIDA – de um e outro lado do CUIDAR
Mais do que a parte que se mostra quando tudo o resto está no lugar…
Quando a técnica substitui o humano… falta a base para se poder ajudar
Eis o segredo do “PRIMÁRIO” que não se entende nos Hospitais…



Fica Cerveira gravada na pele
(as quinze freguesias digo-as de memória… não somente por ter estudado a história, mas por ter escorregado, ficado molhado, acidentado, mordido e agasalhado em cada uma delas… em cada seu lugar)…



O resto – as gentes?...
esses vimos e vamos… em cada ano.. um novo ano… fica a memória de quem escreve e da intenção que teve em se despedir e assim partilhar…

Não por mal – sim por impossibilidade de manter o rumo quando o barco não quer vogar…

Sempre que cá venha – como uma certa história de um certo “Principezinho” – em cada parte onde esteja – vou sorrir e vou chorar…



Histórias que o dourado do trigo tem anunciado…
como o tempo que se esvai…
como as vagas da brisa sobre os campos que se improvisam…
esses voltarão sempre para a verdade evocar…

OBRIGADO

Daniel Pinto (Enfermeiro)




quarta-feira, junho 12, 2013

not alone pt VII

Algo fala através de ti... 
algo ecoa em mim... 
quem é esse que me vê? 
e me faz assim? 

qual essa força maior que surge 
de entre o olhar das vagas 
que se estendem nas praias 
e aquele que as contempla 
e as evoca 
- livre... feliz? 


qual o som da melodia 
- desta nova sintonia - 
assim entre dois tocada e sentida 
- entre o mar e as suas vagas... 
ritmos infinitos que em mim falam 
e a ti que em mim os vês... 

eu sei que ai estás... 
e que NOS lês:

a mim que transcreve, 
a aquilo que realmente escreve 
e a ti que a TODOS nos fazes ecoar

é tão simples e tão fácil que parece apenas divagar...

este que vê as reflecte 
sensações que universo repete
palavras e entoações ecoando intemporais
para além dos céus e dos seus divinos cristais...

Montes de vida que palpitam, 
coração desta terra a ecoar... 
em espelhos de vidro reflectindo
o eterno germinar...

Uma mesma vida... 
somos um mesmo olhar 
- que se vê em perspectiva 
entre os olhos da criança perdida 
e o mundo maduro que a vem habitar
um e outro a nos recriar..

em cada nova aventura, 
em cada nova causa que se faz definidida, 
pura 
- contida - 
luz cristalizada, 
vida concentrada 
- num certo rosto, 
numa certa voz... 
num certo sentido 
que nos faz ser maior... 

num abraço querido, 
na mão do amigo... 

no encontro verdadeiro 
entre gesto sincero, 
palavra sem medo

nascidos do centro primeiro 
grito em nos a se replicar... 

acordes, 
harmonia 
- múltiplos que se repetem em sintonia - 

neste eterna vaga 
do grande e imenso AMAR...

Temos o rio que flui… 
sereno ou intenso…

fluxo imenso 
em cada momento… 
mesma água… 
mesma vida a se mostrar…

Seja o rosto vivo..,
 o gesto amigo 
tudo aquilo que vem para nos ajudar… 

entre  tumulto e tempestade
há vida, há alegria... há sintonia
procura no fundo do Ser

maior e mais profundo
do que o restante e imenso mundo
é a imensidão...

em ti não se pode conter...
pois o caminho 
que leva de volta ao eterno ninho
está lavrado no profundo do coração...

no ser que olha desde o fundo
e vê todo o mundo

desde o princípio até ao fim 
deste estranho segundo
que é eternidade
na palma da mão...

 Estranho Mar…
saudade 
paz à que se há de voltar… 
as veredas da viragem
começam agora a se mostrar

a nova vida regressa
como água que  cai sem pressa
gota a gota
ribeiro manso
palmo a palmo
avançando
rio sereno...
mão em mão o segredo
que se vai fazendo o mar… 

que se esvai num instante
para ser de novo gigante´pairando lá no ar...
e se fica num sopro
que traz água no rosto
bruma como fina espuma
que lava o degredo deste nosso vale

essência que será novamente fonte…. 
Misterioso caminho que percorrerá…

é o presente feito novo amanhã...



Neste momento… 
confronto meu… 
via de vida 
opções que se fazem
pequenos passos que trazem 
vida viva para se viver…

Entre o ruído 
– se mantém o sentido - 
do mundo que é teu... 

e meu...

… perspectiva que renasce...
chama viva que ninguém esquece
ninguém deixa 
- mesmo enquanto parte - 

fogo vivo que te anima 
te fazendo arte
quem nos convida 
a juntar
e a roda da vida viva abraçar

sentindo a brisa em qualquer parte
aquela que não expira
– mesmo quando contida… 
entre as paredes que são
o grito eterno
desse teu livre
e belo
coração…

Procura essa vereda… 
em cada passo dessa tua essência… 
faz em verdade 
caminho que te permite “voar”…

de volta à sintonia
Vida que encaminha
devolta para o seu eterno amar

Centro que se anuncia
em cada segundo que se estende
além do presente
para a sua chama original

Entre as chagas do destino 
tecnologias em desatino
encerrando a mente para se perder

Fogueira de vaidades
aparentes verdades
que o fogo vivo faz florescer

Desde o teuâmago
Um novo dia desperta
desde o teu centro
uma vida nova se alimenta

Desde o que em ti vibra
eco do seu Verdadeiro som

desde a eterna vida
essência que em ti se anuncia
e que é o teu Verdadeiro coração


Há uma porta linda – fria luz… 
calor mais sublime 
para quem já não teme

encontro – entre a Luz e o teu Sol: 
se faz assim caminho breve
exaltando em ti o esplendor…



Já sabes quanto se te opõe… 
descobre amigo, amiga 
- agora – 
a força da vida que em ti aninha
o vento que contigo caminha 

asa de vida que se faz perspectiva
por demais antiga

amiga

que nenhuma força do mundo pode conter

essência escondida
que em  tudo se adivinha
e que em ti vai florescer



Escondida no tempo 
– na essência deste momento – 
no grã

Sejam vidas... sonhos
palavras que ecoam em teu coração...
pedaços... de outros tempos
feitos abraços
na recordação
daquele portal de luz
de onde tudo o que se produz
por onde tudo regressará

germina nesse teu chão … 
entre o coração de árvore que em ti palpita… 
vida que se estende e que em ti habita...
gargalhada de criança amada… 

ser vivo que te olha e se reflecte 
conscienia pura - vida que a vida promete
naquilo que se reconhece
sem sequer pensar
sintonia de alegria
vida na sua mais sublime forma ancestral

Vida que o tempo apura
ser vida original
tu és...
assim podes sentir
e viver
e ser
e assim anunciar...



quarta-feira, maio 29, 2013

not alone pt VI





Canto simples...
discreto
subtil...



efémero fundamento
maior e mais profundo
do que rocha viva
ou o seu mar das águas mil



que é clamor...
imenso...
pairando
- livre -
ao vento


sibilando de mansinho em verso 
entre o cabelo que remexe o tempo



ecoando nas vagas do mar na sua costa... 
como na palma em palma amiga
contando de forma simples…
expedita



aquilo que ecoa nesta nossa alma minha
canto do mundo em todo o mundo ecoando



Essência que se não vê... 
que se revela naquele, naquela 
que assim crê...




No que vai mais alto e de si se despoja... 
e nesse seu salto alto... 


desperta a Luz e abre a Viva Porta...
e por ela entra quem em nós mora... 
e aqui se faz ficar... 


 são as rimas do poeta, 
notas da melodia selecta, 
cores da palete milenar...



Quando entras nesse fino estado... 
cristal de quartzo biselado... 
linha de prata que eleva o olhar


vês mais alto, vês por dentro... 
vês o que te era velado revelar...



E pairas nas asas da brisa... 
com a palavra entreteces magias... 
com a visão interior vês cada ser maior...



e cantas a rima dos tempos, 
gravando teu nome em cada momento... 
ecoando por sempre no SER MAIOR...



assim entras... 
nesse espaço interior...



assim sentas 
- o teu ser no seu lugar melhor - 



é esse o caminho que se abre para o que se entrega por AMOR



Como a criança que abre os braços... 
correndo livre pela praia espelhada...


vagas iradas a saudando.... 
tapetes de ouro e prata 
dia sem fim que se acende por dentro ecoando...



- ela paira - 
gaivota estrelada, criança sagrada
 - entre o nosso íntimo firmamento...



 e é a vida, e luz e é lugar e é vaga e é mar... 
e é brisa e vento na cara que se expande na luz mais clara


e é grito que ecoa sem medo a nada... 
e é livre e feliz... por ser assim... 



simplesmente... 

assim...



É esse ETERNO que em ti mora...
E esse que te enamora... 
porque o sentes... 
o sabes... 



pois O deitas cá para fora quando o “dó” de teu peito desfaz o gelo que te aprisiona...
e a chama viva e pura desse teu ser... 


desponta como nova AURORA por entre os cristais dessa neve fría a derreter...
sementes dormentes desabrocham em Vida 


tocadas pelo AMOR MAIOR que tudo recria


eis o poder que se não impõe,
que se não define
que de si nada diz 
- mesmo falando em tudo e toda a gente -



eis sublime... 
que te fala somente a ti...
com palavras que a vida gera
 no seio de quem as entende...



eis a essência que te recria,
eis a força que te motiva
eis a verdade que se não questiona... 
eis habitante além da mente ou memória



eis o som do poema criança
palavras de recriação
linhas e frases que por si mesmas falam
cores que brilham sem luz nem sol



e uma branca flor te ilumina... 
paira em teu redor 
te reunindo em sintonia... 



água clara... 
névoa celeste...
verdade escondida
clareza pristina 
visão interior
ser maior
olhar cristalino
além da aparência
pura essência



sorriso sincero fragmentando o destino
porta aberta, 
luz secreta, 
vereda velada
porta sagrada que a mente engana..



de novo és a Criança... 
abres os olhos com graça... 
vês a tua eterna herança... 
mundo novo em novo peito a surgir... 



veredas abertas, misteriosas descobertas...
 todo um mundo de vidro e luz a conceber... 
se expande entre explosões vivas 



se geram novas sintonias...



 gaivotas pairando no ar, 
pisadas na areia de um profundo mar, 
vagas antergas, 
rochas primevas... 


mundo novo a germinar

círculos de histórias que nos preparamos a quebrar...
verdade latente,
eternamente presente,

prestes a se revelar