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domingo, novembro 03, 2013

Uma hipótese DE VIDA -PT I - E SE?...



...JOGAR NA MUDANÇA...

Dos VALORES... 
do FUNDAMENTO 
da VIDA HUMANA... 
COM CORAÇÃO
 e menos MONETÁRIA... 
COISAS SIMPLES...
que fazem essa 
VIDA EXTRAÓRDINÁRIA

como cantar juntos 
em redor da fogueira... 
como celebrar 
as pequenas brincadeiras 
GRANDES COISAS da vida...
as que
ILUMINAM
UMA VIDA INTEIRA...


CLICAR NA FOTO (PLEASSSSS)




IMAGINA... 
que OS VALORES SIMPLES... 
HUMANAMENTE comprovados - 
AO LONGO 
DESTA HISTÓRIA 
QUE SOMOS...
AO LONGO 
DE TODOS ESTES ANOS
HUMANOS 
ANTES 
QUE MATERIAL... 
SIMPLES MENTE 
- VITAL -
como dar a 
MÃO... 
ou 
PARTILHAR 
uma 
CANÇÃO... 

IMAGINA...





OPERAÇÃO
..."mãos limpas"...
algures em Redor a Díli...
PESSOAL HUMANITARIO
SERES HUMANOS
REUNIDOS...


Ai Timor… Calam-se as Vozes dos teus Avós
Ai Timor… Se outros calam… cantemos nós

Havia uma música assim, cantada na RTP…

Senhor Represas, convite do Presidente da República, auto-determinação com referendo…

Os Trovante de novo, 
25 anos de Abril… 

sentimentos plantados entre gentes de um 
continente a milhas da acção… 
com outras gentes… 
silentes… 
tão perto elas do coração…

Nesse então não sabia, 
quanto aprenderia 
entre gentes de tão grande talante, 
de tão alta estatura interior

- somos NÓS – 
- OS MESMOS SERES HUMANOS -
 NO NOSSO MELHOR…

espelhos vivos que é bom evocar… 
lembrar e…
de entre as lendas e os contos de fadas – resgatar… 
trazer à luz 
e com atenção 
ver o que cala a televisão 
com imagens de desencantar…

– para nos INSPIRAR e bem saber 
– que a matriz no peito a palpitar
 é de valor e vale a penar permanecer… 

para nos INSPIRAR
- a avançar – 
no caminho recto 
que leva de volta 
a onde queremos chegar…





sábado, outubro 26, 2013

Pontes de Mar... ver e vogar... até esse outro lugar... esse NOSSO outro lugar...








são negros os meus queixumes...
são tão louco s e tão breves...

esses amigos e amantes

tantos como as natos, ceees,
tantos como as comunidades
que nos põe em cima o pé...

quem são os sinistros?...
quem os vendidos de fatos sustidos

quanto tempo - esperar no Nevoeiro?...
quanto mais tempo
que se desfaz em dinheiro?...

quanto mais por aguardar....?

onde o amor maior
que nos venha libertar
do grilhão de fora
por dentro a apertar?...

basta de lamentos...
viva esse Porto seguro
profundo
para todos os outros
obscuro

que se leva por dentro
e que é porto de abrigo
porto REAL
porto do graal...

até mais ver
se algo
para ver
houver

segunda-feira, agosto 12, 2013

POR Tui


Zona bela para se passear - parque de S. Domingos... 
porque não se pode iluminar? 
Porque o teatro está vazio... 
cheio de sacos e garrafas e algo mais?

Porquê ?... porque somos tu… eu… e todos os que viveram… e lutaram… e pereceram… sem o saber…

Porquê… porque esta “lacra” é uma besta que se não mata – com prisões… com policias e ladrões… somos tu e eu… e todo o que soube e não deu… de si… para mudar…

São os jovens que se perdem, são os espaços nobres que se pervertem… são as pessoas que passam… que desviam o olhar…

São os momentos nos que se apagam… as janelas… se fecham as portas… se esquecem as veredas… e se adormece á frente de um ecrã…

São os que consomem… os gritos jovens… vendendo bebida e folia a preço de grão… e sabem… e aceitam… e enriquecem sem pedir licença… pois têm licença da deputação…


percursos de a pé... na noite dos "jovens" patrocinada por tecnologias... bares, concelhias... algo mais acontecia... eram as casas de banho ao ar livre... era o lar de"ancianos" que gramava a "pastilha" de receber os troosters de som que rebentavam contra as paredes de betão... e eco por dentro faziam... respeito pela idade e pela experiência de vida merecida?... Respeito pela autoridade marítima- trancada dentro da garita?... respeito pelo espaço verde do rio?... respeito pelos "columpios para nenos"?... respeito por todo o que temos?... patrimónios que caminham juntos em cada espaço conjunto... e que vendemos assim ao degredo?...

São as festas organizadas – para por fim ao “botelhão”… deixamos guardas nas entradas… vendemos nós as bebidas brancas… e estendem eles a confusão…

Seja a zona consagrada… senhora da cabeça com desporto, lazer, cultura… que se faz pista para que todo o ser durma… entre as garrafas vazias… e os vómitos no chão…

Seja a zona do rio… zona adorada… por ser pedestre trilho, caminho de santiago alternativo… zona de convívio de pais e filhos… por ser o mundo novo confluindo no antigo… sem ninguém para o guardar…

E quando confluem os ventos… e se partem… os fundamentos… quem será que esteja lá para ver… para lembrar… para dizer “NÃO”… ou “BASTA” ou “FAÇAM ISTO NOUTRO LUGAR!”…


águas tratadas... meninos e meninas entre as paredes de guardanapos pintadas...

Não faltam zonas industriais.. pavilhões pré-fabricados onde tudo é possível e nada é vedado… onde as coisas já lá estão… onde se pode estar, beber, curtir.. partir… no fundo ninguém quer ver… saber… quem está lá… porquê…

O Importante é deixar correr… bolas de fogo que consomem o povo… que lhes dão um triste e breve prazer… no fundo… algo que não espera um segundo… está constantemente a acontecer…

Algo que nos compromete.. a ti e a mim… e aos que depois de nós aparecem… aqueles que serão o futuro garrido que esperamos ver crescer…


por muito que se recolha o lixo... 
o espectaculo fica... 
fica a voz que o autoriza... 
fica o sentir que tudo vale... 
que não há limite...
que é esse o caminho  aseguir...
beber, dnçar... curtir até cair...
e depois passar uma vida inteira a levantar...
um ser humano... ou um lugar venerado...

Por isso… vale a pena… começar a pensar… ou deixamos… a bola de neve correr.. ou despertamos… com iniciativas vivas e novas perspectivas…

E lá nos plantamos.. nessas folias… gentes adultas, serenas… conscientes que é ilegal menores a beber… ou a charrar… ou meninas e meninos de primaveras poucas pelos cantos a vomitar…

Ou fazemos os nossos olhos os olhos velados… e abrimos as pálpebras enquanto lá passamos… e deixamos de fazer de conta que não notamos… e começamos assim todos a ver…

A denunciar… a actuar… passear de noite o cão… a fazer com que os espaços em volta sejam geridos por pessoas com coração.. por gentes que creiam que vale a pena prevenir antes de que aconteça… o perder a cabeça… deste nossa nova geração…

Mesmo ao lado... 
águas públicas e outras águas...
Há lugares onde as coisas têm sentido... 
há idades nas que pode ser consentido.... 
e há idades e lugares nos que não...

Ou lutamos… com tudo o que temos… e somos tantos… pode ser estar lá e gravar… fotografar… divulgar até que caia o triste homem da barraca… os que recebem os tustos e assim se enganam… os que deixam e não fazem nada.. e aqueles que – sabendo ainda patrocinam mais confusão…

Fazendo… estando… participando… que fiquem pessoas aos sábados – a jogar sueca, tute… qualquer coisa- nas mesas que ocupam os jovens na sombra que não cessa enquanto passam cigarros enrolados de mão em mão…

Passeio fluvial… parque de crianças… caminho de santiago… zona ecológica…. Lugar consagrado – pelo amor e devoção… dos que lutaram por ele, dos que suaram… dos que acreditaram… dos que amam e preservam e não gostam de ver a merda que deixam esses em cada noite nas que berram a sua própria indignação…


e - ao virar da esquina... 
gente que se não via...
vias estranhas...

Há tanto monte por ai fora… tanta pastagem para os que assim choram… nós.. humanos – assim não…

Nós os que amamos – preservamos, cuidamos, zelamos e denunciamos… e se for preciso – o fazemos outra vez…


Lar da terceira idade... ancianos a repousar... e não havia outro maravilhoso lugar... para colocar o botelhão que se via chegar... e a música tecno para despertar... anciões que precisam de animação cultural... pode ser que os jovens da noite queiram um dia... após outro dia... lá passar... e se voluntariar... quem sabe seja essa aintenção do botelhão e da festa tecno: ajudar quem não tem ninguém para lembrar... a uns metros onde tudo se concentrava para saltar.. e curtir... e partir... e berrar...

Haja DÓ...

Erros e enganos – existem de vez em quando… aprendizagem… consciência… actos de coragem – são constantes… se não.. nem tu… nem eu… estaríamos aqui.. irmã… irmão…


Flores brancas de alvura e flores negras 
- que brancas parecem no dia enquanto o dia dura... 
e de noite são sempre as mesmas...

Sejam galego ou minhoto… este texto diz-te tanto ou tão pouco como tudo aquilo que se passa na terra onde tu cresceras… a terra que te viu nascer… a que chora enquanto tu choras… que te espera – para viver… e que se entenda – que essas crianças… são entre nós a esperança… que deveria estar a florescer.. e não a ser paga… para se perverter…


Não haja dúvidas de que a rede separou o barulho e quem bebe de quem deveria ter direito de repousar...
Não haja dúvidas de que há quem pense e há quem SAIBA PLANIFICAR...


Entendes – amigo – amiga – o que te estou a dizer?...


às oito da manhã já quase não se via... se olhares bem - encontras o que te dizia - degredo... garrafa partida, saca vazia... dinheiro... gasto sem fundamento em época de contenção orçamental... e ainda dizem que estamos mal... estamos... nas ideias... do que podemos vir a celebrar.. que não sejam umas canoas esculpa.. para mais uma noite de discoteca e de bar... e misturando jovens desportistas com bailarinas e coristas... misturando nacionalidades e regiões com gentes que passam a noite inteira em botelhões... parece estranha a aliança entre o que se deve e o que se deve negar...



Entendes porque somos todos os que estamos nesse barco sem rumo… se não seguramos firme e a prumo… o leme daquilo que queremos ver acontecer?...


visto de cima... tudo tem outra sintonia... falta saber se quem planifica estava lá a saltar.... a bolir... a ver as crianças beber... a fumar... a curtir... a sentir que a vida é prazer... a vender... sem ver... o que se estava a perverter... estaria ali?... até romper o dia... estaria ali?...



será que não se via?... que as autoridades trancadas por grupos que lhes berravam não zelavam pela segurança do património local?... será que se não sabia? que era a repetição cosntante dos Sábados aberrantes e das coisas direitas feitas tortas da noite para o dia?...
será que se não via?...

Entendes?


será que dá para ver... que se não pode confundir.. o que é lei... e o que não é... o que é lugar de lazer... do que não o é... o que é senda botânica... o que é praia... o que é lugar para andar... e passear... partilhar com crianças... não é lugar para beber... até cair... e vomitar... não é lugar para se estender... e curtir... e deixar a vida rodar... até o sol nascer... ou até a tasca fechar... esses eram os lugares de degredo dos que falavam os nossos pais... agora - esperamos - sem medo - que possamos aprender antes de errar...

APRENDER ANTES DE ERRAR...


se é porto... é jacobeu... não é lugar de quem bebeu... fumou... ganzou... saltou aos pulos e partiu os muros... as garrafas no chão... não é lugar para a tentação... de se estar num café ao ar livre e ver putos de copos na mão... não é lugar para o fazer... como não seria uma catedral... sitio para esquecer... que a vida tem um sentido COMO A COERÊNCIA o seu brio e cada qual no seu lugar...

e - este lugar à beira rio - NÃO É LUGAR...



se é parque... e infantil.. que fazem os marmanjos de carros artilhados... com crianças ao lado.. até às quatro da manhã?... se é parque que celebra a arte - do caminho mais antigo que a Europa se lembrou de evocar... que fazem as sacas vazias... as garrafas partidas... os vómitos entre as ruas esquecidas... que fazem os das noitadas acampados ao fim de semana...nesse nobre lugar? que fazem? quem os deixa... quem os patrocina.. quem os alimenta... quem os incita... quem deles se aproveita... que fazem todos esses lá?...



mesmo por baixo... tão baixo que nem se vê... flechas amarelas pintadas novas entre gentes velhas... falta saber quem para os das bebidas brancas entre as crianças... quem para as farpas... as picas... os vidros partidos entre meninos de calções vestidos... separados por duas ou três horas... sem mais nada para lembrar




as ruas com as sacas nuas.. ficam despidas da sua história singular... ecos de pisadas.. milhares de vidas passadas... transformadas em nada... por uns velhos que já não se interessam de ver o que anda a malta a fazer ao luar... por uns pais que deixam tudo rodar... por umas gentes que despertam pela manhã... passeiam sem olhar... levam as crianças a brincar e nem protestam pelos vidros que as podem crotar.. pelos que sorriem e até dizem que sim ao que as serve nesse mesmo lugar... esse lugar onde - à noite - vai tudo para curtir... saltar... e se emborrachar... que raio se passa nas gentes que não despertam da Televisão e saltam fora do sofá em cada vez que os putos acendem os holofotes dos "coches" e ligam a músca para a vizinhança acordar?... que raio se está a passar?...



e se é espectáculo puro.. que fazia uma mãe e o seu puto.. às nove horas ali a comer?... meias no meio da relva do lugar onde se mantinha a esperança... e agora se deixa ... asim... criança... perecer?... que raio andamos aqui a fazer?... que raio andamos ali a fazer... pela manhã?.. simplesmente passear... e deixar andar... sem nada dizer?...



eu gosto de ver as árvores e as flores... sentir a brisa... ouvir as ondas enquanto deslizam... ver o sol nascer.. caminhar na noite simples... brisa que me envolve... folhas a abanar e a adormecer... gosto de ver... os risos das crianças.. brincando livres com os seus pais.. nesse espaço pequeno que reza na entrada "é de todos... tens de opreservar"... só não entendo como se pode continuar a brincar... sabendo da noite e do seu degredo... e deixando assim o mundo rodar... não entendo... e por isso escrevo.. para me despertar... e te despertar...

Amigo.. amiga - qe lês este nosso "mal"... sejas Tudense... Valenciano... sejas da Galiza ou do seu outro lado... é um algo que nos toca e provoca - a ti e a mim - num e noutro lado do rio que nos calhou partilhar...

a terra verde é a mesma... ajuventude dispersa - caminha de ambos os lados da ponte... que vai estar lá para os orientar?... quem vai estar lá?...






terça-feira, agosto 06, 2013

Cantemos

Dia Mundial Humanitário...

Alguém lembra quem não pretendia sequer ser lembrado...

Lembrar as gentes, as experiências... as aprendizagens...

Gente nobre, humilde, humana como ser humano formatado pela tecnologia nunca acreditou existir...

Seres humanos íntegros e livres que nos convidam a sonhar um mundo novo no que o saber, o saber fazer, o servir e o humanamente essencial - ser HUMANO de foma total - estejam ao serviço dessa humanidade que tem fome e sede de si...

Fica a lembrança do ano anterior e a expectativa daquilo que este ano trará...

A partir dai, os textos sobre Timor... aquela dor... aquela terra que se leva dentro.. aquilo que evoca sentimento e aquilo que deixei ali e aquilo qu de lá cresceu em mim...

Aquilo que existe aqui...dentro de ti...
nesses "Timor" Terra fora, e neste Portugal que chora a sua alma ferida e a perda da identidade antiga...

Aldeias de Portugal...
viver a vida devagar...
sentir o Presente...
saborear além da mente...
se entregar simplesmente:

a ser e a melhorar o que se pode melhorar

garantindo que o essencial se preserva tal e como se deve preservar...



É por esse TIMOR -  também nesta nossa terra - dentro de todos nós:

esse que rima com a palavra antiga começada pela letra "A"...


... cantemos nós quando outros calam,
sejamos nós... 
luz...
quando todas as luzes se apagam...
sejamos nós...

AMI

domingo, julho 28, 2013

COMEÇAR...

Pescadores - caminho desde Oe-Cusse a Citrana
Timor Lorosae - 2004



Começar...

A escrever... a descrever... um povo... uma memória viva... uma cultura antiga... um mundo... que se vai perdendo... na nossa terra... a memória dissolvendo...

Da porta aberta... da gente certa... do oferecimento... do sorriso aberto... do olhar... sincero...

De um tempo sem tempo... no que era bom ter tempo... para ser... estar... andar devagar... sem carro... sem pressa... chegar por dentro... é destino certo... o mundo é redondo... onde chegue o passo é onde se volta a

Começar...


sexta-feira, julho 19, 2013

TRIGO


- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. 

Eis o meu segredo. 
É muito simples: só se vê bem com o coração. 

O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. 





Era Junho… ano de 1997… andava uma criança grande por terras de Cerveira, aprendendo com as suas grandes gentes… a conduzir, a falar, a ser…

Era andar na quatro “L” do serviço… e aprender a meter mudanças a enguiço… era O Sr. António da secretaria a dar piadas todo o dia…

e a Fátima… colega amiga… afável… que falava e fazia e ninguém via… era a Sousa Reis de humor singular… era a Hermínia que conduzia o carro e dizia para tirar os ovos dos braços ao fazer marcha atrás… era a Sofia que tudo fazia… e era eu que lá andava a empatar…



depois  era o Pinto da secretaria, o Esteves Marques que era árbitro que deixava jogar … era o Manuel, a Lídia, a Branca, o “Toninho”… tanta gente que passou e alguns que optaram por ficar… era a Constança na telefonia… e os médicos que se mantêm no lugar… Fossem eles “O Acácio”… o Dr. Luís”, a Dr. Glória”, O “Teixeira”, a mãe Fátima… tempos estranhos com números bizarros que hoje custa a lembrar…

Era a Maria José, a Fernanda, a Rosa… o das “áuguas”… tempos e gentes que passaram devagar… como se esvai no tempo quem lá estava para cuidar… como se faz transparente quem antes era presente e digno de se saudar…

Eram as quinze estrelas desta terra – todas elas e cada uma tão belas…

Desde os parques de Moutorros, à santa Luzia e a sua Zona industrial… fosse ou não a Valinha o lugar de Nascimento da terra antiga… Santo Amaro nem tinha Lar… de Cuba pouco se falava… uma terra sem igual… ninguém entendia – que havia – ao lado do “planetário” onde – a diário – havia pessoal a labutar… Ilhas e estalagens… havia lugares… onde as juntas tinham médico para ajudar… entre boegas, mangoeiros e calvários, boémias a tempo inteiro perdendo o visitante e o seu olhar até confundir o nome primeiro com “em” onde se imaginava estar… havia terras onde as gentes estavam em cooperativa… volantes e coisas garridas – fosse a capela São Julião ou Pantaleão - nomes mil para a candura que se mostra assim… havia lugares como as fronteiras que se esvaem entre coura e as terras Valencianas e outros que se escondiam para quem lá Caminha… e outros que se ficavam – tidos – como entre montes e vales… e havia as poças verdes, de nomes estranhos… covas de verde… espaços de verdades… e tinham as vistas para o Mar…. desde o alto que servia para levar… terras estranhas… “France? Aqui – neste lugar?”… tanta coisa para evocar… até havia lugares com nome de árvore… que ficavam entre os campos… nogueiras… quem sabe carvalhos… seriam os termos… estranhos… nomes… tantos… como os das pessoas que passaram – como um rio que se esvai… e se dissolveram… sem mais nada – levando em si um pouco de quem conta o que na alma cai…nomes sem nome que se perderam… entre as mãos de quem estava lá para cuidar… cenas de vida que a vida deixa nas entrelinhas… como tudo aquilo que te estive até agora a falar…

Foi o Mendes que por ali andava… já de bata arreada… era a Costa Torres que foi para outro lugar… seria o Pinto administrativo… e as histórias que te digo – tinham muito para contar… e lembrar… Tantas que nem vale a pena começar…



Eram as ambulâncias que entravam… pela janela que se abria… os lavatórios que se não tinha… não fosse Enfermeiro ser que usasse tal forma de se higienizar… (e não passou quem fala a história triste ou bizarra de estar a atender num centro de saúde de primeiro andar… essas histórias da calçada fazem parte do património da santa casa que te estou pra’qui a relembrar)…
…eram os tempos das “urgências” sem materiais nem treino nem gente suficiente para amparar… mas toda a gente as queria e as coisas eram difíceis de explicar…
…. lembrar carrinhas e autocarros de crianças acidentados e nós a correr…
…quando a coisa aquecia é que se pensa bem no que se andava a fazer…
Urgências toda a gente queria…
primeiro meios para as haver…



Lembrar o primeiro parto – à porta do Centro – a Teresa decidiu vir fora de tempo – e os pais só tiveram tempo da cabeça amparar… e viu toda a gente como a cachopa nascia – nós com lençol a servir de sala e as médicas lá dentro a trazer a vida à vida…
como os carros são lugar de improviso…
coisas estranhas que surgem sem aviso…
Foram as muitas casas visitadas… antes do rendimento mínimo e de outras coisas engraçadas… eram as carraças que ainda havia nas orelhas da criançada, eram as pulgas que connosco vinham – de tal forma estávamos pele a pele agarrada…
eis a profissão que não se separa da gente…
nem com bata, nome, uniforme, crachá…
estatuto profissional…
ordem, hierarquia ou coisa dessa que todo o mundo aprende…
e outras assim que tal…



Eram os lugares onde ninguém ia… fosse a quatro L, jipe ou carrinha:
quem levava esperança onde a electricidade se sumia…
aldeias do sopé…
gentes que ninguém quês ver…
 e nos víamos como se esvaíam…
e com elas sorríamos…
e com elas íamos…
e depois tínhamos de voltar…
vínhamos nós e eles…
 há certas peripécias impossíveis de contar…





Fosse o primeiro ser que se viu nascer…
como o primeiro que se acompanhou até ao “outro lado do mar”…

Foram os centros de dia, os apoios domiciliários, as formações e os materiais vários… tempo de fartura quando a coisa dura na que uma foi uma Câmara luzidia
– com nomes próprios que os partidos esqueciam…
as gentes – essas – não…

Foram os projectos de apoio às escolas…
promoção de sexualidades que agora se faz olhando a T.V…
antes ninguém se atrevia a falar…
agora entendo o porquê…



Foram os enganos – tantos – de quem aprende todo o dia com quem se conhece (e reconhece)… desde o chá de oliveira, as plantas, as ervas… e as terapias várias e outras tantas… aquilo que toda a gente ensina… quanta mais valia… quanto tinha este ser humano que aprender!
Agora – meio cego – olho um ecrã e espero – que me conte este tanta vida e tanto saber…
e espero….
E espero….
E espero…
e o santo trebelho mantém a boca fechada sem eu perceber…



Eram as PESSOAS…
SEMPRE AS PESSOAS…
e o tempo para as ouvir…
dia a dia…
para as visitar e conhecer…
e sentir…

Além de um número numa cama… ou de um hospital onde o humano acaba… era a sua casa, a sua família… a forma como viviam o dia a dia… assim fazíamos “promoção”… de saúde, da humana condição (que saúde é um termo, que muda de certo a incerto… que paira entre o Verão e o Inverno… e o humano sua razão ao certo… fica a “vê-las passar” sem entender):




que é diferente de uma enciclopédia internáutica que vomita de forma exacta tudo aquilo que está escrito nas mil e uma fontes válidas…
dar atenção… 
cuidar…
é o ir conhecendo… 
dando-se a conhecer…
devagar...
uma palavra amiga, um ouvir… 
um entender…
e – de vez em quando – 
um conhecimento pedido para assim fazer valer:


se for útil e o ser humano assim entenda – eis a parte que lhe dá força e poder…
ajudar seres livres a caminhar erguidos…
retirar muletas e ver a esperança renascer…
vocação linda esta de dar e assim receber…

saúde?...

aquilo que a pessoa mostra e tudo aquilo que se pode partilhar, sorrir, chorar… ser… (e entre as lágrimas de quem vem, vai, se alegra ou sofre: há tanto por ouvir e compreender);

Assim – vão os dias… foram gestões… foram planos, intenções… foram coisas diversas – nomes mudados -  que trouxeram a mesma essência…  até a essência se perder… e – quem sabe um dia – esteja ela tão fugidia – que regresse quem a traga de novo e a faça de novo valer:



Se vamos atrás do número.. .como abelha atrás do favo… perde-se a flor e o seu mel…

Se PERDEMOS O TEMPO PARA OUVIR,
PERDEMOS A POSSIBILIDADE DE CUIDAR…

Se não podemos sentir…
que humanidade podemos ajudar?...

Hoje temos aparelhos, trebelhos…
temos ecrãs LCD…

E faltam balanças para pesar…
entre o tempo de quadradinhos
marcados em mesas grandes de algum outro sítio
ficamos ocultos detrás daquela máquina que oculta o olhar

(um ecrã não é a face viva de quem se cuida…
e nunca se sabe bem quem cuida quem - 
sabemos que quem dá e recebe é como uma sintonia…
e não houver ecos vivos… 
se não houver mais valia
tempo que é qualidade na quantidade…
Seres humanos 
– lado a lado – 
que dão de si o melhor que por dentro têm… )


Fica a saudade do tempo no que havia à vontade… no que todos (os da bata branca, e os que não, os de azul, os de verde e os de roupa de rua e forma de ser igual) nos conhecíamos e sabíamos que cada um dá o que em bem sabe entregar…



Este que escreve – manteve – uma certa postura durante um par de anos:
Depois de tombar é importante QUERER, MOSTRAR… e SABER… levantar… com mérito reerguer…
um lugar, uma hora própria para cuidar, material para fazer valer as técnicas que foi ensinado a aprender…

carta registada, pedir sem receber nada… pedidos de trânsito… enganos… de gregos e troianos

Como sempre – o tempo passa, as caras mudam, ninguém nota nada…



Ninguém vê… “que faz o tipo com quinze anos de serviço a saltar de lugar em lugar”?

Respostas?
Várias – desde que estaria “passado,” (sim – esta vez significa pertencer a um tempo “pretérito”), que estava a trabalhar noutro lado… coisas que nem é bom lembrar…



Fica a saudade da terra, das gentes, do lugar…
dos “simplesmente” que estamos a deixar ir sem sequer lutar…
Do tempo, do espaço, do solo consagrado…
vendido e humilhado baixo coisas que parecem brilhar…



Como o tal monitor de outras margens…
que deveria ajudar em vez de complicar…
A humana relação implica humana condição
Cuidar – de mão em mão, olhar a olhar – coração a coração



Tecnologia:
A necessária… pois nela existe um princípio que se esquecia
Que é PROPORCIONAL a quem CUIDA – de um e outro lado do CUIDAR
Mais do que a parte que se mostra quando tudo o resto está no lugar…
Quando a técnica substitui o humano… falta a base para se poder ajudar
Eis o segredo do “PRIMÁRIO” que não se entende nos Hospitais…



Fica Cerveira gravada na pele
(as quinze freguesias digo-as de memória… não somente por ter estudado a história, mas por ter escorregado, ficado molhado, acidentado, mordido e agasalhado em cada uma delas… em cada seu lugar)…



O resto – as gentes?...
esses vimos e vamos… em cada ano.. um novo ano… fica a memória de quem escreve e da intenção que teve em se despedir e assim partilhar…

Não por mal – sim por impossibilidade de manter o rumo quando o barco não quer vogar…

Sempre que cá venha – como uma certa história de um certo “Principezinho” – em cada parte onde esteja – vou sorrir e vou chorar…



Histórias que o dourado do trigo tem anunciado…
como o tempo que se esvai…
como as vagas da brisa sobre os campos que se improvisam…
esses voltarão sempre para a verdade evocar…

OBRIGADO

Daniel Pinto (Enfermeiro)




quarta-feira, junho 12, 2013

not alone pt VII

Algo fala através de ti... 
algo ecoa em mim... 
quem é esse que me vê? 
e me faz assim? 

qual essa força maior que surge 
de entre o olhar das vagas 
que se estendem nas praias 
e aquele que as contempla 
e as evoca 
- livre... feliz? 


qual o som da melodia 
- desta nova sintonia - 
assim entre dois tocada e sentida 
- entre o mar e as suas vagas... 
ritmos infinitos que em mim falam 
e a ti que em mim os vês... 

eu sei que ai estás... 
e que NOS lês:

a mim que transcreve, 
a aquilo que realmente escreve 
e a ti que a TODOS nos fazes ecoar

é tão simples e tão fácil que parece apenas divagar...

este que vê as reflecte 
sensações que universo repete
palavras e entoações ecoando intemporais
para além dos céus e dos seus divinos cristais...

Montes de vida que palpitam, 
coração desta terra a ecoar... 
em espelhos de vidro reflectindo
o eterno germinar...

Uma mesma vida... 
somos um mesmo olhar 
- que se vê em perspectiva 
entre os olhos da criança perdida 
e o mundo maduro que a vem habitar
um e outro a nos recriar..

em cada nova aventura, 
em cada nova causa que se faz definidida, 
pura 
- contida - 
luz cristalizada, 
vida concentrada 
- num certo rosto, 
numa certa voz... 
num certo sentido 
que nos faz ser maior... 

num abraço querido, 
na mão do amigo... 

no encontro verdadeiro 
entre gesto sincero, 
palavra sem medo

nascidos do centro primeiro 
grito em nos a se replicar... 

acordes, 
harmonia 
- múltiplos que se repetem em sintonia - 

neste eterna vaga 
do grande e imenso AMAR...

Temos o rio que flui… 
sereno ou intenso…

fluxo imenso 
em cada momento… 
mesma água… 
mesma vida a se mostrar…

Seja o rosto vivo..,
 o gesto amigo 
tudo aquilo que vem para nos ajudar… 

entre  tumulto e tempestade
há vida, há alegria... há sintonia
procura no fundo do Ser

maior e mais profundo
do que o restante e imenso mundo
é a imensidão...

em ti não se pode conter...
pois o caminho 
que leva de volta ao eterno ninho
está lavrado no profundo do coração...

no ser que olha desde o fundo
e vê todo o mundo

desde o princípio até ao fim 
deste estranho segundo
que é eternidade
na palma da mão...

 Estranho Mar…
saudade 
paz à que se há de voltar… 
as veredas da viragem
começam agora a se mostrar

a nova vida regressa
como água que  cai sem pressa
gota a gota
ribeiro manso
palmo a palmo
avançando
rio sereno...
mão em mão o segredo
que se vai fazendo o mar… 

que se esvai num instante
para ser de novo gigante´pairando lá no ar...
e se fica num sopro
que traz água no rosto
bruma como fina espuma
que lava o degredo deste nosso vale

essência que será novamente fonte…. 
Misterioso caminho que percorrerá…

é o presente feito novo amanhã...



Neste momento… 
confronto meu… 
via de vida 
opções que se fazem
pequenos passos que trazem 
vida viva para se viver…

Entre o ruído 
– se mantém o sentido - 
do mundo que é teu... 

e meu...

… perspectiva que renasce...
chama viva que ninguém esquece
ninguém deixa 
- mesmo enquanto parte - 

fogo vivo que te anima 
te fazendo arte
quem nos convida 
a juntar
e a roda da vida viva abraçar

sentindo a brisa em qualquer parte
aquela que não expira
– mesmo quando contida… 
entre as paredes que são
o grito eterno
desse teu livre
e belo
coração…

Procura essa vereda… 
em cada passo dessa tua essência… 
faz em verdade 
caminho que te permite “voar”…

de volta à sintonia
Vida que encaminha
devolta para o seu eterno amar

Centro que se anuncia
em cada segundo que se estende
além do presente
para a sua chama original

Entre as chagas do destino 
tecnologias em desatino
encerrando a mente para se perder

Fogueira de vaidades
aparentes verdades
que o fogo vivo faz florescer

Desde o teuâmago
Um novo dia desperta
desde o teu centro
uma vida nova se alimenta

Desde o que em ti vibra
eco do seu Verdadeiro som

desde a eterna vida
essência que em ti se anuncia
e que é o teu Verdadeiro coração


Há uma porta linda – fria luz… 
calor mais sublime 
para quem já não teme

encontro – entre a Luz e o teu Sol: 
se faz assim caminho breve
exaltando em ti o esplendor…



Já sabes quanto se te opõe… 
descobre amigo, amiga 
- agora – 
a força da vida que em ti aninha
o vento que contigo caminha 

asa de vida que se faz perspectiva
por demais antiga

amiga

que nenhuma força do mundo pode conter

essência escondida
que em  tudo se adivinha
e que em ti vai florescer



Escondida no tempo 
– na essência deste momento – 
no grã

Sejam vidas... sonhos
palavras que ecoam em teu coração...
pedaços... de outros tempos
feitos abraços
na recordação
daquele portal de luz
de onde tudo o que se produz
por onde tudo regressará

germina nesse teu chão … 
entre o coração de árvore que em ti palpita… 
vida que se estende e que em ti habita...
gargalhada de criança amada… 

ser vivo que te olha e se reflecte 
conscienia pura - vida que a vida promete
naquilo que se reconhece
sem sequer pensar
sintonia de alegria
vida na sua mais sublime forma ancestral

Vida que o tempo apura
ser vida original
tu és...
assim podes sentir
e viver
e ser
e assim anunciar...